quarta-feira, 22 de maio de 2013



EMPRESÁRIOS APÓS A REVOLUÇÃO DE 1964



 Prestes em Caxias do Sul ,1961


            Os problemas econômicos,políticos  e sociais do período da redemocratização (1946-1964) geraram  condições para o surgimento do movimento contra revolucionário de 31 de março de 1964.
             A O golpe de 1964 recebeu várias denominações amais extraordinária foi o  Revolução Gloriosa .O movimento teve como objetivo deter os avanços sociais e modificar o modelo econômico brasileiro ,buscando  maior integração com o  capitalismo internacional.
Passados tantos anos, uma das melhores análises do golpe continua sendo a   de Fernando Henrique Cardoso, na obra O Modelo Político Brasileiro .Ele afirma que  o  que  permitiu uma estabilidade relativa na aliança entre militares, burguesia e classes médias foi a formulação de um modelo de desenvolvimento e um regime político que, sem eliminar as contradições entre as diversas facções que, claro está, não eram antagônicas, tornando-as  compatíveis em face de inimigos maiores, estes sim, antagônicos, representados pela ameaça de uma política favorável às classes populares.
Que em palavras mais simples significa que os conservadores se uniram contra o povo e seus direitos.
            O novo modelo político-econômico procurou dinamizar e ampliar os diversos setores da produção industrial, estabelecendo novas relações entre o governo e as classes empresariais, que propiciaram a aproximação entre estas e os setores financeiros internacionais. O movimento revolucionário de março,segundo Cardoso  “ Pôs a burguesia nacional em compasso com o desenvolvimento do capitalismo internacional e subordinou a economia nacional a formas mais modernas de dominação econômica”
            A ação política do novo regime procurou silenciar de forma progressiva os setores políticos liberais, pela adoção de atos institucionais repressores. Uma das principias medidas adotadas pelo novo governo foi a decretação do Ato Institucional Nº. Dois, de  27 de outubro de 1965, que extinguiu os antigos partidos políticos.
            A situação local refletiu a situação nacional,  foi marcada pela reorganização dos empresários e pela ampliação dos setores de produção industrial.
            A separação ocorrida entre a Associação Comercial e o Centro Industrial Fabril havia enfraquecido a força de pressão da classe patronal. O CIF de Caxias do Sul procurou tornar-se o órgão reivindicador que a Associação havia sido em períodos anteriores. A Associação Comercial tornou-se menos  atuante e até certo ponto inexpressiva durante o período pós-revolucionário.A industria avançou de tal modo que o comércio se tornou  pouco importante diante dela.
            Como outros eventos importantes a Revolução de 1964 passou sem registros tanto nas atas da Associação e nas do  Centro. Logo após o movimento militar de março o CIF começou a ter uma atuação bem mais dinâmica do que no período anterior a 1964. Não há registros da  participação de empresários locais na Revolução de 1964, ao contrário do que ocorreu em 1930. Se os empresários nacionais tomaram parte ou não  na preparação do movimentos não existem registros, o mesmo não pode ser dito sobre os políticos locais. Dreyfus  na sua obra 1964: a tomada do poder relaciona alguns políticos locais pertencentes ao PTB e PDC que teriam participado da propagação do movimento de março.
            A eleição da nova diretoria do CIF em junho de 1964 determinou um intenso trabalho, tanto na organização de Departamentos, como na elaboração de um cadastro geral das empresas existentes no município. O cadastro e  notícias de interesse geral dos empresários passaram a ser divulgados sistematicamente na imprensa local a partir de 29 de  maio de 1965.
            Pelo cadastro publicado é possível concluir alguns fatos significativos,deve-se destacar que deste cadastro não fizeram  parte todas as empresas existentes só as associadas , ainda assim, os dados são interessantes.

EMPRESAS INDUSTRIAIS DE CAXIAS DO SUL - 1965
ASSOCIADAS E NÃO ASSOCIADAS AO CIF

Título de empresas\ associados
Nº de empresas existentes
Nº de empresas associadas
% de associadas
Material de Transporte
13
4
30%
Material elétrico
24
2
8%
Couro
4
1
25%
Madeireira
118
21
18%
Vestuário
85
24
28%
Metalúrgicos
31
5
16%
Diversas
24
8
33%
Alimentação
56
7
12%
Total
355
72
20%
Fonte: Cadastro das empresas CIF (

           
            Pelos dados apresentados no quadro acima  é possível constatar que apenas 20% do total das empresas cadastradas pelo CIF local, faziam parte da entidade. Estes dados revelam o pequeno grau de interesse que os empresários locais tinham e então com  o CIF. Um órgão que congrega a minoria das empresas não pode ter a força de pressão de outro que congregasse a maioria delas.
            A campanha realizada pelo CIF para conseguir  novos associados estava baseada não na divulgação de assuntos do interesse da classe, mas pelo empenho demonstrado na organização da entidade no município e os vários contatos mantidos com as  autoridades nacionais e com órgãos do sistema financeiro.
            Para conseguir maior adesão da classe patronal foram organizados vários departamentos, além de uma secretaria executiva. Passaram a funcionar: o Departamento Jurídico, o de Imposto de Consumo o de Estatística, o Econômico e uma Carteira de Seguros.
            A Associação Comercial de Caxias do Sul passava pelos mesmos problemas que o CIF. A entidade que congregava a maior parte dos empresários locais, sofrera um esvaziamento com a criação do CIF. Alguns industriais ainda se mantinham associados a entidade, mas o problemas financeiros eram sérios. Em 12 de dezembro de 1967 ocorre a primeira tentativa de fusão entre as duas entidades.  Esta fusão não ocorre imediatamente, mas as tentativas para ocorra são levadas avante. Em 9 de  Abril de 1968 a Associação e o CIF passaram a ocupara a mesma sede social. Esta fusão espacial tinha como objetivo a redução das despesas com o aluguel,que as duas entidades pagavam.
            Tanto na Associação Comercial como no CIF participaram da construção da sede social, reivindicação antiga dos associados e sempre adiada. A fusão entre as duas entidades poderia levar a realização da construção da sede própria e ao fortalecimento geral da categoria.
            A leitura das atas das assembleias gerais do CIF demonstra que os empresários pareciam mais interessados em incentivar autoridades do que resolver seus problemas. Os assuntos tratados não revelam  consciência crítica do processo de transformação que a empresa nacional atravessava. Deve-se recordar que o período em questão marcou a expansão máxima da indústria local, que recebeu financiamentos internos e externos, pode ampliar o parque industrial municipal A euforia econômica aparente fez com que os empresários não se  unissem em torno de órgãos classistas e não tomassem medidas adequadas para planejar de foram racional a expansão dos vários setores industriais.
            Enquanto os empresários procuravam reorganizar-se, a cidade passava por um período de intensa perseguição aos comunistas locais.
            Poucos dias antes da eclosão do movimento de março, foi realizada uma grande marcha em defesa da família cristã. Milhares de caxienses saíram as ruas em “procissão” organizada pelo clero católico. A síndrome anticomunista atingiu seu ponto máximo após a vitória da revolução de março de 1964.
            Em quatro de abril de 1964 a manchete de um jornal local afirmava que a Marcha pela Vitória havia obtido adesão de toda a população e que se realizara missa na Igreja dos Capuchinhos.  Com a vitória da Revolução passou ser realizada uma devassa total em diversas instituições locais. Os Sindicatos Reunidos e vários outros locais públicos e residências particulares foram invadidos  pelos militares. Por meio da Operação Limpeza rezava o mesmo jornal “as forças armadas iniciam o desmonte da traição comunista “.  Várias pessoas foram presas  e enviadas para o DOPS de Porto Alegre. Foram os seguintes os presos pela “operação limpeza”:

1.   Percy de Abreu e Lima - advogado
2.   Bruno Segalla - líder sindical
3.   Ernesto Bernardi - líder sindical
4.   Armin Damian - operário
5.   Darwin Corsetti - empresário
6.   Leovegildo Neri de Campos - funcionário público
7.   Romulo Segalla - contador
8.   Walter Casara - economista
9.   Júlio Furlan
10. Antonio Lisboa da Silva
11. Walter Tonini
12. João Rodrigues Barcellos Filho
13. Rui Gonçalves Moura
14. Luiz Pizzetti
15. Antonio Carlos Rosa - operário
16. Heran Paulo Damin
17. Darwin Gazzana médico

No dia 18 de abril do mesmo ano foram presos também

1.   Pe. Dalcy Fontanive
2.   Remi João Rigo- Professor
3.   Gercy Antonio Aguzzoli
4.   Regis Arnoldo Ferreti- advogado
5.   Enio Fávaro Industrial

     Bruno Segalla,o maior  lider sindical  não foi preso nessa ocasião ,pois ocupava um acadeira na Assembleia Legislativa.  Entre presos estavam o então diretor da Faculdade de Filosofia de Caxias do Sul, Pe. Dalcy Fontanive e    seu tesoureiro Remi João Rigo.Alguns dos presos eram   líderes dos Sindicatos dos Metalúrgicos e,  alguns dos quais membros do Partido Comunista. A “Operação Limpeza” não se preocupou em prender apenas comunistas, mas qualquer pessoa que fosse indicada como tal.
            O período foi pródigo em delações. Colegas entregavam colegas, vereadores cassavam vereadores. Toda a síndrome anticomunista veio a tona. Boatos corriam de boca em boca pela cidade, tratando dos planos dos comunistas, traçados antes da Revolução, destinados a executar os empresários locais. Cartasforam  enviadas para os mesmos empresários alertando-os dos perigos  que  correram. São desconhecidos os autores e os remetentes destas mensagens. Alguns focos destes boatos são conhecidos, porém, o nome dos envolvidos no momento ainda não podem ser revelados.
            Na Câmara de Vereadores,de Caxias do Sul vários incidentes ocorreram, a discussão sobre a ideologia dos vereadores atingiu seu ponto culminante quando foi cassado o mandato do vereador Percy de Abreu Lima. A cassação foi feita  por meio da aprovação da indicação do presidente da Câmara. Percy de Abreu e Lima foi durante  vários anos responsável pela Assessoria Jurídica do Sindicato Reunidos, tendo no decorrer dos anos, marcado sua passagem pela cidade, por sua atuação correta e pelo desassombro de suas posições políticas.
            A cassação efetuada pela Câmara Municipal e aprovada por unanimidade pelos vereadores presentes, demonstrou o grau de poder que o órgão representativo se auto-outorgou. Ao mesmo tempo em  que cassou o mandato do vereador pela ARS, o ato do legislativo municipal impediu  a posse do  seu suplente da mesma legenda.
            A reação contra o ato da Câmara se fez sentir, dois vereadores  que não se encontravam presentes no dia da cassação, começavam a procurar formas de cassar  o mandato do Presidente do Legislativo Municipal, responsável pela cassação do mandato de Percy. Segundo o jornal  O Pioneiro  os vereadores que procuravam cassar o mandato do prof. Enrico Emilio Mondin (PRP) foram Nadyr Rosseti (PTB) e Vitor Faccioni (PDC).

            Em meados de 1965 foi julgada ilegal pelo poder judiciário,  a cassação do mandato da ARS, realizada pela Câmara tendo assumido o suplente Leovegildo de Campos. Neste mesmo dia a revolta do presidente da Câmara foi demonstrada através de um discurso, que poderia ser considerado como verdadeiro ato de fé anticomunista.

            Enquanto ocorriam os incidentes há Câmara de Vereadores local, no legislativo estadual, foram cassados os mandatos de deputado Bruno Segalla (ARS) e Guilherme do Valle (PTB) que haviam sido eleitos na região, e que tinham conseguido apenas a suplência.
            Nas eleições para a Prefeitura de 1963 a vitória tinha sido conseguida pela Frente Democrática. Com a extinção dos partidos políticos pelo AI2, se manteve a mesma coligação. Em 1967 o MDB conseguiu a maioria dos votos tanto para a Prefeitura como para a Câmara de Vereadores, já nas eleições de 1972 a vitória foi da ARENA.
            A vitória da ARENA em 1972 poderia levar a crer que seria mantida a alternância no poder, que caracterizava o período anterior à Revolução de 1964. Nas eleições de 1976, e nas eleições de 1982 a situação alternou-se profundamente, passando a dominar os partidos oposicionistas.
           
O MDB que em 1968 recebeu 51,55% do total dos votos válidos em 1982 (como PMDB) teve seu percentual reduzido para 45,39%, mas o total percentual da oposição atingiu aproximadamente 67% dos votos válidos.
A retração da atuação política dos empresários torna-se mais evidente após 1964, raros são os patrões que se dispõem a participar de cargos políticos. A complexidade das relações econômicas levou os industriais e os comerciantes a abandonarem as lides políticas diretas. A  sua representação  se fez através de seus representantes, das forças conservadoras locais.



terça-feira, 14 de maio de 2013


CENTRO DE INDÚSTRIAS DE CAXIAS: OS SINDICATOS PATRONAIS
1946 - 1964



Em Porto Alegre a união dos industriais  apesar de ser uma ideia antiga,apenas em 1930  se concretizou a fundação do Centro da Indústria Fabril do Rio Grande do Sul(CIF),liderado por um de seus  maiores industrias  A.J. Renner . Demonstrando seu  caráter agrícola no Rio Grande do Sul a primeira associação dos agropecuaristas    a ser fundada   foi a União dos Criadores e na Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul (FARSUL) e  a dos comerciantes a Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul.
            Com a criação do CIF a atuação dos industriais tornou-se eficiente, e através de objetivos comuns visavam conseguir maiores linhas de financiamento  ao setor e maior participação política da categoria.

            Durante o Estado Novo (1937-1945) o governo federal começara a interferir diretamente na economia brasileira, especialmente, no setor industrial. Com a  A criação de institutos que regulavam a produção, da criação de empresas estatais e de órgãos de incentivo à produção nacional,  que propiciaram juntamente com a Segunda Guerra (1935-1945) considerável aumento no setor industrial.
O esforço de guerra e as medidas governamentais  possibilitaram um aumento do setor secundário estadual e regional  . Este aumento pode ser constatado no quadro seguinte:

INDÚSTRIAS DO RIO GRANDE DO SUL E A REGIÃO COLONIAL ITALIANA
1942 - 1946

Ano
Número de empresas
Capital empregado (CR$)
Operários empregados

RS
RCI
RS
RCI
RS
RCI
1942
16.999
2.341
1.626.131
172.121
88.925
8.898
1946
22.235
3.252
2.520.587
343.678
106.707
13.126
Fonte: Mem de Sá. Aspectos Econômicos da Colonização Italiana no Rio Grande do Sul (1)

            De acordo com estes dados houve um aumento percentual da participação regional na economia gaúcha. Em 1942 a região colonial participou com 13,77% das empresas, 10,58% do capital e 10,80% dos operários do total da economia rio-grandense. Em 1946 a região aumentou sua participação percentual na economia estadual, contendo 14,62% das empresas, 13,63% do capital e 12, 32% dos operários.
            O crescimento do setor industrial, em termos locais, foi devido entre outros fatores a apropriação da produção metalúrgica e siderúrgica realizada pelo governo federal. Tanto a Metalúrgica Gazola como a Eberle que  tiveram sua produção dirigida para a produção bélica ficando  sob controle dos agentes do governo federal.O esforço de guerra aumentou o rendimento das empresas . Dessa forma, o Estado Novo propiciou condições para a modificação da estrutura da produção industrial local, modernizando e ampliando o setor.
            A redemocratização (1946-1964) vai ampliar os movimentos operários e permitindo ,por outro lado  a participação dos políticos nos rumos da política nacional.Ao meso tempo ocorre o enfraquecimento da Associação Comercial de Caxias do Sul.Enquanto a produção industrial aumentava não  ocorria  na mesma proporção o crescimento comercial. O comércio custou a se modernizar, centrado ainda  nas grandes casas de negócio anteriores à Guerra.
            O enfraquecimento da Associação Comercial será determinado por dois fatores: a criação dos sindicatos patronais e a do Centro das Indústrias  de Caxias do Sul.
            Os sindicatos patronais foram  organizados a partir de 1948. Antes desta data já existiam algumas associações de classes patronais, que funcionavam junto a Associação Comercial. Imediatamente após a organização das associações patronais não houve mudança visível na forma da atuação da Associação.
                        Em 17 de julho de 1951  foi instalada uma Delegacia Regional do Centro de Indústria Fabril do Rio Grande do Sul.  Do ato de  sua instalação participaram cerca de cem caxienses industrias, muitos dos quais  vinculados à Associação Comercial.
A situação começa a delinear-se quando em 30 de abril de 1953, ,quando  a Associação Comercial  teve seus estatutos reformulados. Para a modificação dos estatutos contribuíram  o aumento do poder dos industriais ,passando a se denominar Associação Comercial e Industria lde Caxias do Sul. Mas jpá era tarde e a cisão entre comerciantes e industriais era inevitável,
            Os fins da Delegacia Regional eram os mesmos do Centro de Indústria Fabril no RGS., ou seja  a defesa dos interesses legítimos de classe, onde quer que se manifestassem, especialmente perante os órgãos do poder público, bem como promover o aperfeiçoamento, a expansão da indústria fabril e a união dos industriais deste município e de outras regiões.
            A Delegacia Regional  organizou-se por meio  da escolha  de delegados e  do aumento do número de associados,levando em conta  rigorosa seleção . A Delegacia propunha-se também a não intervenção em questões político partidárias, de religião e do nacionalismo.Seguindo assim os princípios do liberalismo .
            Entre os objetivos da Delegacia, destinados a levar a consecução de seus fins,  estavam ainda a busca da harmonia entre patrões e operários, facilitando a terminação rápida e conciliatória das questões que entre eles possa ocorrer e a assistência aos sócios  nos sindicatos profissionais.
            No ano seguinte, ligada à Delegacia Regional do CIF foi fundada a Associação Profissional da Indústria da Fiação e Tecidos; em  30 de abril de 1957 , foi  criada a Associação das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul; em 26 de agosto de 1963, o Sindicato das Indústrias de calçados, alfaiataria, confecções de roupas de homens, camisas para homens, de guarda-chuvas, bengalas e chapéus de Caxias do Sul.
            Em 30 de maio de 1954 foi constituído o Centro da Indústria Fabril de Caxias do Sul, conseguindo autonomia em relação ao CIF do RGS. Os fins do CIF de Caxias eram os mesmos do Centro etadual , ou seja,  de defender os interesses dos industriais e congrega-los a fim de facilitar o intercâmbio com outros Centros do país e do exterior, manter relações com entidades de classe, propiciar o aperfeiçoamento e a expansão da indústria fabril e representar as indústrias associadas perante os poderes públicos.
            Os sindicatos que antes atuavam junto à Associação passaram a ser  assessorados pelo CIF local. Como esse era o papel anteriormente desempenhado pela Associação Comercial perdeu assim  uma de suas mais importantes atribuições.
            Os industriais passaram a ter dois órgãos de classe: a Associação Comercial e Industrial e o Centro das Indústrias de Caxias do Sul. É interessante observar que a existência de dois órgãos representativos da classe patronal, longe de fortifica-las reduziu  a força de pressão da Associação Comercial e Industrial que até então assumira o papel de  um sindicato patronal. A fundação do Centro das Indústrias de Caxias do Sul é o ponto de ruptura do poder da Associação Comercial.
            A criação dos sindicatos patronais por outro lado tornou-se necessária visto que o movimento reivindicatório dos operários desses setores fazia-se sentir com grande intensidade. De certa forma são os operários que induzem os patrões a se sindicalizarem.
            Esvaziada de seu caráter sindical e de sua força de pressão a Associação Comercial e Industrial de Caxias do Sul perdeu seu lugar para os sindicatos patronais e para o o Centro das Industrias.
            Os industriais tomaram o comando das ações político-econômicas da  comunidade local. Ao mesmo tempo em que ocorreram as modificações na atuação da Associação, começou também  o processo de reorganização política local.
            Com a reorganização dos partidos políticos novas forças  sentir , de  tal reorganização participaram tanto os industriais quanto os comerciantes.Sua atuação e torna  menos direta do que no fim da República Velha. São os “políticos” que passam a representar tanto os interesses da classe patronal como dos trabalhadores.
            O surgimento de “políticos” - isto é pessoas que se dedicavam as lides  partidárias é um elemento novo na organização política local. Os “políticos”, em geral, tem algum curso superior ou trabalharam longos anos como “contadores” das empresas, ou prestavam serviços jurídicos aos sindicatos de classe. Is novos políticos ,em geral passam a ser  de certa forma parte  da elite intelectual da cidade.
            Além dos “políticos” que passaram a ser os representantes tanto das classes patronais quanto da classe trabalhadora, novos elementos afloraram na sociedade caxiense.Um dos novos elementos foi a ação direta da Igreja na direção da política local. A atuação da Igreja havia sido direta nos primeiros tempos da colonização. Na República Velha sua atuação tinha sido menos evidente, e durante o Estado Novo houve certa acomodação a estrutura política vigente. A criação dos COC foi sua mais marcante atuação no período, bem como a luta contra os sindicatos oficiais.
            Na década de cinquenta a Igreja passa a atuar de forma direta, tanto na orientação do voto dos católicos, como na Liga Eleitoral Católica. A Igreja não faz política partidária, mas a ação dos sacerdotes em prol do PDC é decisiva na arregimentação partidária.
            No púlpito da Igreja local são os eleitores aconselhados a votarem nos candidatos católicos, sendo lidos e repudiados os nomes dos políticos “divorcistas” e “comunistas”.
            A campanha anticomunista é outro elemento novo que ocorre no período. Nas escolas, nos templos e  nos jornais a campanha  contra o comunismo se faz sentir. Não é só a Igreja que participa dessa  luta contra o comunismo, a campanha contra os socialistas ganha as ruas, envolvendo parte da população. Vários incidentes que ocorreram e provam a “síndrome vermelha” que passou a  assolar a cidade. A mesma Igreja que defendeu a ditadura fascista se arvora em defensora da democracia.

terça-feira, 7 de maio de 2013


A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL


 De 1935 a 1947 governou  como prefeito  Caxias Dante Marcucci que tinha antiga ligação com os comerciantes de cuja categoria fez parte antes de se tornar advogado.Entre a Prefeitura e a Associação  Comercial reinava  completa harmonia,comprovada pelo fato de  que Marcucci foi candidato único para a Prefeitura em 1935.

A Associação Comercial foi a organização que substituiu a Associção dos Comerciantes .Era uma  organização de prestação de serviços, dela faziam parte alguns departamentos como o :dos Varejistas  e Molhadistas (1937), o Bureau Jurídico (1938), e a criação do gabinete médico (1940). Os novos departamentos serviam exclusivamente os associados prestando-lhes  assistência jurídica ,econômica e médica .

Os associados pretendiam já em 1938 construir o “Palácio do Comércio”, mas isso não se tornou viável. Pois  não conseguiram financiamento, apesar das diversas tentativas para conseguir empréstimos junto aos órgãos governamentais.     O que fica evidenciado, através da leitura das atas, é que com o Estado Novo a atuação da Associação Comercial de Caxias, foi marcada por uma postura diversa da seguida no período compreendido entre 1930 a 1937. O órgão deixou de  reivindicar e  passou a ter um caráter assistencialista,  as características de um verdadeiro sindicato da  classe patronal.
Entre os membros da Associação destacavam-se :
Dr. Paulo Rache -  Joaquim Pedro Lisboa 
  Industria Fabril - Orestes Manfro do distrito de Galópolis 
Agostinho Panceri
 Fabricação de Barris e Tanoaria Adelino Sassi e Arthur Rech
Carpintaria e marcenaria - João Bragagnollo e Egidio Viero
Padarias - Henrique Guidalli e Paulo Lohmann
Indústria Metalúrgica - Abramo Eberle de José Gazola
Industria Vinícola - Galeazzo Paganelli e Alfredo Garbin
Engarrafamento de vinhos - Armando Antunes e Emílio Michielon
Hotéis e Cafés - Hermegildo Buratto e Jacinto Lozano
Comércio Atacadista - Angelo De Carli e Vitório Cesa
Comércio Varejista Ottoni Minghelli e Oscar Luswig
Moinho e Curtume Alfredo Germani e Júlio Ungaretti
Construção Civil  João Spinato e Luiz Bertola 

            No período que antecedeu o Estado Novo a Câmara de Vereadores, composta por oito membros, era constituída por cinco comerciantes e três  industrialistas. O predomínio político dos comerciantes no legislativo não impediu a equiparação que os dois grupos estavam conquistando na direção da  Associação.

            A acomodação dos empresários locais se revela nas atas lavradas durante o período. A situação nacional toma novos rumos e não há qualquer  registro dos fatos que então  ocorreram.O mais importante dos quais foi a proclamação de Vargas Foi  o Estado Novo que retirou as liberdades políticas do Pais ,ao mesmo tempo que passou a conceder direitos aos trabalhadores pelos quais eles vinham lutando desde 1907.

A vibrante atuação política da Associação no período anterior a 1930 foi  substituída por sua adaptação à nova ordem.Nem o inicio da 2º Guerra mereceu registro algum. Em 12 de setembro de 1939 os membros da Associação preocupavam-se com o discurso “pronunciado no dia 3 de setembro, por ocasião dos festejos da Semana da Pátria”, proferido pelo líder sindical Evangelista da Costa Pires, que  agrediu aos industriais de então.. Sobre o fato diz Gardelin “nossa querida Caxias, em sua maioria importante associação, não conseguiu uma linha. Estaria ela desinteressada? Não. Preocupavam-se com algumas palavras do Sr Pires. É que o mundo era outro. A Europa estava distante. Da guerra não se tinha a imagem atual”
            A cidade, porém não estava à margem dos acontecimentos mundiais. A situação europeia era o tema nos jornais, ocupando  suas manchetes.  A Propaganda fascista fazia-se presente em alguns períodos locais. Os habitantes de Caxias estavam atentos não só a situação mundial, como também da expansão do nacional-socialismo, que contava com grande número de adeptos no município.
            O Estado Novo imprimia nova orientação à Associação Comercial. A guerra era assunto que ainda não estava resolvido a nível nacional.Não se tinha ideia de que lado o Brasil iria  se unir aos Aliados ou ao Eixo. Por sua vez,os comerciantes e industriais silenciavam sobre o fato, pois,também  entre eles não havia consenso sobre a questão.Dessa maneira suas manifestações e interesses  ficaram centrados em suas questões e interesses particulares.
            Em 1941 a Associação foi declarada  entidade de utilidade pública pela Prefeitura Municipal, que reconheceu “os inestimáveis serviços prestados pela Associação á coletividade caxiense e a sua decidida e eficiente colaboração com os poderes públicos” .

A Associação Comercial de Caxias denominação que a entidade recebeu em 1939 realizava um serviço de mediação entre os trabalhadores e os patrões, em busca da paz social. Os assuntos da Associação são setoriais resumindo-se a salários, a  horários de jornadas de trabalho e  a seleção de dias feriados.

            Só a partir de 1948 foram criados os sindicatos patronais, dando nova feição a entidade.  

Observação    
Para os que se interessarem pelo assunto recomenda-se a leitura da História da C.I.C., onde estes são apresentados de forma detalhada..
As atas da Associação Comercial ( que se encontram na CiC
Gorender Jacob, “ A Burguesia Nacional” - São Paulo, Brasiliense, 1982
Gardelin, Mário. História da C.I.C., Caxias do Sul. S/E e S/D, .
Giron, Loraine Slomp. “ O imigrante italiano: agente de modernização, in Imigração Italiana; estudos. Caxias do Sul, Educs-EST,1979,
Poulantzas, Nicos Poder Político e classes sociais. São Paulo, Martins Fontes, 1977





sábado, 27 de abril de 2013


A GREVE DOS PRODUTORES



Antes da narração do episódio que levou os empresários a uma greve geral, torna-se necessário aludir aos novos elementos que apresentavam a sociedade caxiense. Estes novos elementos tiveram papel decisivo nos rumos da  organização  das classes sociais e de grupos de produtores São eles: a criação  do Partido Comunista, o renascimento do movimento cooperativista a expansão da atuação do Circulo Operário no município e a reestruturação da maçonaria.
            O Partido Comunista foi organizado no município a partir de 1922. As lideranças formadas nas suas fileiras tiveram  atuação decisiva nas  primeiras lutas sindicais e no período de redemocratização. O Partido Comunista teve  importante papel no processo de conscientização dos trabalhadores, imprimindo ao movimento sindical uma força que antes não tinha. 
            O renascimento do movimento cooperativista foi iniciado com a organização da  Cooperativa Viti Vinícola  Forqueta, em 1929. É de Caxias que parte o movimento cooperativista no setor vinícola, que vai se ampliar para toda a região colonial italiana Nos anos seguintes (1930-1935) surgiram outras cooperativas  em vários municípios que reuniram os produtores de uva em torno da produção e da comercialização do vinho. Contra o movimento cooperativista se reuniram a administração municipal, os bancos que tinham agência na cidade e os produtores vinícolas urbanos. As empresas de companhia limitada temiam a concorrência da produção das cooperativas. Com as cooperativas em poucos anos triplicou a produção de vinho fez baixar perigosamente os preços.
            Vargas  defendeu a criação das cooperativas através de uma legislação eficiente. Deve-se a ela o aumento do numero de cooperativas e de cooperativados. O apoio do governo não foi em vão. Por outro lado o advento do cooperativismo vinícola vai desestimular o surgimento e a criação de novos estabelecimentos industriais no setor do vinho. Pois A maior parte da produção do setor passará a ser feita por elas.  
Algumas cooperativas aproximam-se da Associação Comercial, o caráter  diverso das organizações vai levá-las, anos mais tarde, a se associarem e fundarem a FECOVINHO fundada em 1952 ( congrega hoje 11 cooperativas e 25 % da produção)..
A união das cooperativas vai garantir outro tipo de lutas. O cunho social cooperativo não se coaduna com o lucro privado das empresas de capital particular.
A maçonaria  foi reaberta e reestruturada em 12 de novembro de 1931, com a fundação da Loja Fraternidade Terceira. O grupo que fundou esta loja era constituído por pessoas recentemente chegadas à região e que desconheciam a luta e a  existência da da Loja Força e Fraternidade. A maçonaria passou a atuar na comunidade, e, muitos de seus membros fizeram parte da Associação Comercial.
Os acontecimentos do final do século envolvendo maçons e católicos, e a grande contra propaganda realizada pela Igreja Católica local contra a instituição, provocaram uma violenta reação contra a maçonaria. Neta segunda fase a atuação da Loja foi discreta não sendo registrados novos incidentes. A combatividade, e, mesmo o tumulto que marcaram os primeiros anos da Loja no município já não se repetirão.
A Federação Operária do Rio Grande do Sul (FORGS) havia sido fundada em 1906, e reorganizada em 1933. Tendo inicialmente uma orientação anarquista, a instituição adota na sua reorganização uma linha de ação favorável ao governo vigente. (12) Para fazer frente à FORGS foram organizados os Círculos Operários, que deveriam garantir à Igreja Católica o controle e a liderança dos movimentos operários.
Criados em Pelotas em 1932, os Círculos Operários ampliam seu campo de ação. Ao ser criado o Círculo Operário Caxiense(COC) em 1934 teve sua  atuação orientada para fazer frente aos sindicatos. Depoimentos de velhos líderes sindicais revelam o boicote realizado pelo COC contra os sindicatos para impedir a sindicalização. A Igreja Católica tinha grande força política na região colonial, apesar disto sua atuação local contra a sindicalização, não conseguiu retardar a organização do movimento operário local.
            O COC aliou-se aos empresários. A União entre os dois grupos evidenciou-se pela doação realizada pela Associação de um prédio no valor de CR$ 325.000,00 que deveria abrigar a sede do COC. Na Assembleia realizada no dia 15 de setembro de 1945 Os empresários chegaram à conclusão  que a Indústria e o Comércio de Caxias poderia comprar e oferecer o referido prédio para as atividades do Círculo.
            O Círculo se propunha a oferecer aos seus associados: gabinete dentário, médico, creche e outras iniciativas destinadas a proporcionar aos operários toda a assistência social possível.  A ação do Círculo Operário Caxiense levou alguns operários a se associarem a ele, afastando-se dos seus sindicatos de classe. Os sindicatos operários das diversas categorias vinculados aos Sindicatos Reunidos reagirão à ação do COC, passando a oferecer o mesmo tipo de atendimento que ele dispensava aos trabalhadores.
            A greve contra o fisco constituiu um incidente raro nos anais dos movimentos grevistas nacionais. O envolvimento dos comerciantes e dos industriais na greve deve-se ao fato dos mesmos sentirem-se lesados em seus interesses econômicos, pela ação fiscal dos agentes tributários estaduais e federais.
            O Brasil em 1935 procurava evitar uma rixa econômica com o empresariado  adotando uma política ortodoxa de equilíbrio orçamentário e contenção monetária. Para conseguir o equilíbrio monetário foi acelerada a cobrança fiscal. Fiscais do imposto de consumo e de imposto de renda passaram a atuar junto as empresas industriais e comerciais dos diversos estados da União.
            A chegada dos fiscais ao município de Caxias e sua atuação junto aos estabelecimentos locais, criou um clima de pânico entre os industriais e comerciantes . Em três  de agosto de 1936 pela Ata nº 194 da  Associação dos Comerciantes pode-se acompanhar a tensão existente.oOfisco do imposto de consumo e o  inspetor do imposto de renda iniciaram  verdadeiro ambiente de terror fiscal segundo a posição dos empresários . O teor do telegrama enviado pela Associação ao Presidente Getúlio Vargas demonstra claramente a situação delicada que a cobrança ocasionara no comércio e na indústria locais.
            A Assembleia do dia três de agosto foi convocada com a finalidade de acertaram medidas a serem postas em prática diante  dos acontecimentos provocados pela atuação do fisco .para eles  a consequência principal  foi a morte  do benquisto e honrado comerciante Mário Pezzi. Ele  c havia se suicidado ao tomar conhecimento do montante do imposto que sua empresa devia recolher aos cofres públicos. Sendo homem conhecido e atuante na comunidade - tendo inclusive sido vereador  em 1935,  seu suicídio ocasionou forte reação popular. À ação dos fiscais foi acusada  por  sua morte.
            Naquala Assembleia “ficou deliberado que o comércio e a indústria fechariam seus estabelecimentos, até que as autoridades dessem uma  solução ao problema.  . Além da greve a Assembleia decidiu enviar telegramas para as autoridades federais e estaduais e aos órgãos de classe. É interessante observar que dela participaram mais de 200 associados, além de autoridades municipais.
            A greve continuou até  o dia 5 de agosto. Na noite deste dia realizou-se nova  assembleia geral reunindo cerca de mil associados, tendo comparecido também o Delegado Fiscal e o chefe do Imposto de Renda. .Nela ficou decidido manter a greve até o dia seguinte, às 12 horas. Na manhã do dia 6 de agosto seria realizada uma reunião na Prefeitura Municipal que deveria chegar a uma solução para o impasse.
            A reunião não ofereceu as soluções pretendidas, apenas ficou decidido o afastamento dos dois fiscais do Imposto de Consumo, apesar da afirmação do Delegado Fiscal que  seus atos eram  baseados em dispositivos legais, não cabendo, por isso culpa alguma aos referidos propostos do fisco, sua a missão era  executar as leis fiscais, autuando os infratores para  julgamento, das infrações  verificadas. Decidido isso não cabia outra ação do que reabrir os  estabelecimentos.
            Os industriais e comerciantes haviam demonstrado sua força pelo   movimento grevista,mas não houve vencedores  . O governo optou por uma retirada estratégica dos fiscais, ao mesmo tempo que afirmava  que seu o procedimento havia sido correto. A greve  revela o poder de organização do grupo, demonstrando por outro lado  que a entidade estava alijada das decisões econômicas nacionais.Este episódio foi o  último de uma série promovida pela da Associação dos Comerciantes.

Após este episódio a sua atuação será  dirigida a problemas locais como no caso do horário dos trens locais e a má qualidade da energia elétrica oferecida à cidade. A Associação continuou sendo a mediadora entre patrões e empregados, tanto em questões salariais ou de horário de trabalho, porém a ação política direta deixa de ser realizada.
            Em 26 de setembro de 1939 a Associação mudou sua designação social passando a denominar-se Associação Comercial de Caxias.

quinta-feira, 18 de abril de 2013



                                      O DOMÍNIO DOS INDUSTRIAIS



No fim da década de vinte a indústria começa a ameaçar a hegemonia dos comerciantes. Gorender observa que:

somente em 1928, precisamente quando a contradição de interesses entre o comércio de importação e a industria chegava a um ponto crítico, foi que os industriais paulistas se retiraram da Associação Comercial e fundaram o  Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

            No caso caxiense os industriais não se retiraram da Associação, estes passaram a dirigi-la. É interessante observar que o caso local repete a mesma situação do caso paulista. A expansão do domínio dos industriais é demonstrada no período seguinte.
Em outubro de 1928,  Alberto Bins (1869-1957 ) prefeito de Porto Alegre  reúne na capital um comitê  industrial onde haviam 67 delegados de estabelecimentos industriais.Diante da situação econômica crítica industrial (determinada pelo prenuncio da  grande depressão  1929) propõe uma série de medidas destinadas a evitar uma crise maior no setor. A ideia de uma organização classista foi levada adiante por  A.J. Renner que, em 7 de novembro de 1930, concretizou a fundação do Centro da Indústria Fabril do Rio Grande do Sul(CIFRGS).
            No final da República Velha as outras categorias patronais já haviam se organizado no estado. Os agropecuaristas  estavam reunidos na União dos Criadores e na Federação das Associações Rurais do Rio Grande do Sul (FARSUL) e os comerciantes na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul.
            Com a criação do CIFRGS a atuação dos industriais tornou-se mais  eficiente, e por meio  de objetivos comuns conseguiram  maiores linhas de financiamento  ao setor e maior participação política da categoria.Os industriais de Estado chegaram inclusive a estudar a possibilidade da criação de um partido econômico, que se encarregaria de defender os interesses de classe.
A classe patronal caxiense ventilava a hipótese da eleição de um representante econômico para o Conselho Municipal. A existência de diversas correntes partidárias entre os empresários demonstrou que tanto a criação do partido econômico, como a da eleição de um representante econômico eram inexequíveis.
            A situação econômica de Caxias do Sul nesse período apresentava condições diferentes das do Estado. Na região, apesar de agrícola não tinha um organização forte. Foram os comerciantes  que dominaram o cenário político local até o rompimento da 1º Grande Guerra(1939-1945).
            Em relação à estrutura econômica do Estado o município apresentava então uma indústria mais moderna. A indústria metalúrgica  se expandira durante a República Velha, haviam sido criadas indústrias químicas e de maquinas agrícolas. Ao lado destas indústrias modernas o setor industrial mantinha as indústrias tradicionais como: a tritícola, a dos vinhos e bebidas e a da madeira.
            Em 1930 o município possuía cerca de 32.000 habitantes, o número dos operários era de 3.000, existindo 280 estabelecimentos comerciais e 235 casas comerciais.
            O setor vinícola representava até 1926 a base das exportações municipais, após essa data o setor perde  gradativamente o predomínio local, para as outras indústrias que passam a dominar percentualmente as exportações. Um dos líderes da produção vinícola era Antônio Pieruccini .Dada a situação econômica local seria de se esperar que a organização dos industriais no âmbito estadual tivesse repercussões imediatas e favoráveis no município. Na Associação dos Comerciantes de Caxias do Sul a criação da CIF não teve qualquer repercussão.
            Os industriais locais não se organizaram em órgão classista próprio. A Associação dos Comerciantes de há muito passara de defender os interesses dos industriais. Quando foi criada a CIF, os industriais já dominavam a Associação. As diretorias apresentavam um maior número de indústriais do que de comerciantes e a própria ação da Associação já  era realizada em benefício daqueles. A não criação de uma órgão associativo exclusivo para os industrias, revela  que ele já existia de fato.  Esse órgão era  a própria Associação dos Comerciantes.
            Vários fatos demonstram que a Associação dos comerciantes de fato representava o órgão  dos industriais; Entre estes podem ser destacados a organização da Festa da Uva, a criação dos sindicatos de classe patronais e a  sua maior  aproximação com poder público.
            Em 1931 - período em que o setor vinícola deixa de dominar a produção local - passam a serem organizadas as Festas da Uva. As Festas da Uva ao contrário do que pode parecer tiveram desde o início um caráter industrial. A segunda Festa da Uva em 1932 apresentava já uma seção industrial, segundo Gardelin “ em resumo a segunda Festa da Uva englobava também a indústria”. A organização destas feiras partiu da Associação dos Comerciantes, mas, os maiores beneficiários do evento foram os industriais, visto que as Festas da Uva serviram como mostra de produção da indústria local.
            Toda a economia se beneficiava com a Festa com a vinda de visitantes. Os comerciantes venderiam mais produtos, da mesma forma que os agricultores  com a comercialização da uva.Os maiores beneficiários seriam os industriais com contatos para negócios  que seriam proporcionados aos industriais.
            A discussão da legislação trabalhista e sindical vai se travar na Associação que parte a organização deu uma “comissão mista das classes patronais e operárias destinadas a estudar a questão. Em 16 de março de 1933  a  assembleia autorizou a diretoria a dar todos os passos necessários, afim de organizar o sindicato dos industrialistas ou comerciantes de Caxias do Sul.
            Na composição desta comissão mista predominavam os industriais. As medidas para formar os sindicatos locais com três anos de atraso com  relação a vigência da lei partiu da Associação dos Comerciantes. Observa-se que desde o início os sindicatos patronais estiveram vinculados à Associação dos Comerciantes, foi esta a matriz da organização patronal em Caxias do Sul. O duplo papel da Associação: defesa dos interesses dos comerciantes e dos industriais garantiu não só sua manutenção, como também a união dos dois segmentos da classe dominante municipal.
            Com a Revolução de 30 os intendentes passam a ser nomeados. A nomeação do executivo municipal vai impedir a participação direta dos empresários no destinos políticos da cidade. A forma de ação política dos membros da Associação adaptou-se à nova situação.
            A aproximação entre a associação e os interventores  foi  realizada a partir da mediação em questões trabalhistas - como no caso da greve dos tanoeiros e através de convites para que os mesmos participassem das reuniões e assembleias da associação. A presença constante dos prefeitos nestas reuniões garantiu para a classe patronal uma aliança segura com o poder político nacional. Na impossibilidade de eleger seus representantes os patrões atraíram os prefeitos para a defesa de suas causas.