terça-feira, 27 de dezembro de 2011

ERA UMA VEZ UM DISTRITO DE SÃO SEBASTIÃO DO CAI



São Sebastião do Cai Cerca de 1900.Fonte Bucelli

     O  Vale do Rio Cai é das regiões mais belas do Rio Grande do Sul. O Cai com suas curvas, pedras e ilhas já foi a principal via de acesso entre as colônias da encosta do Planalto e  a capital.Quem vai de Caxias ao Vale  sofre um duplo impacto ,um o da
mudança de pressão que faz os ouvidos doerem como quando um avião  baixa de altitude e outro das  planuras, desconhecidas dos habitantes da Serra.
 Há poucos lugares mais belos do que São José do Cai,visto da  rodovia que liga Caxias a  Nova Petrópolis . O pequeno cemitério mergulhado nas plantações parece a entrada do paraíso.  Até São Sebastião é pequena cidade do vale é bucólica. Fica difícil imaginar que Caxias  já foi seu 5º  distrito .Coisas da política!
O povoamento do vale do rio Cai teve inicio em meados do século XVIII, quando primeiros portugueses aí de instalaram. Antes deles havia nativos. Com a ocupação de suas terras houve confrontos entre índios e lusos,os primeiros foram aos poucos sendo dizimados e expulsos da região.

O  Padre Clarque , vigário de Triunfo , e do Vale  anotou em  janeiro de 1757, no Livro Tombo, que entre os rios dos Sinos e Caí havia oito fazendas.. No ano seguinte relacionou os paroquianos que lá vivam, em 16 casas.Os seus  moradores eram 92 em idade de confessar ( ou seja maiores de sete anos) .Dos quais 24 eram escravos, 11 agregados ou camaradas e 57 membros das famílias dos proprietários, num total 149  habitantes .Em cada casa fazenda  viviam em média  nove pessoas desses quatro eram trabalhadores, dos quais   três eram escravos.
Os escravos eram comuns nas fazendas do Vale.  Madame van Langendonk,belga e  rica viveu Santa Maria da Soledade (hoje  município de São Vendelino ) entre 1857 e  1875   .Ela escreveu suas memórias onde  conta dos escravos que viviam no Vale enquanto a colônia onde vivia era desbravada e povoada. Ela conta dos ataques dos índios às plantações, dos escravos fugidos, dos alemães mal encarados e criminosos  e das fazendas servidas pelos escravos por onde ela passou.  
Segundo o livro de batismos da freguesia de São José do Hortêncio de 1849 a 1863  lá viveram   Manoel Machado casado com Virginia Machado,Luiz Leite de Oliveira , Olivério Ignácio da Silva, José Rodrigues da Silva ,Lino José da Silva Machado ( grafado como  Maixado )Felisberto José dos Santos, Manoel de Lemos e Justiniano José de Mendonça  e Antônio Guimarães  proprietários de terras e de escravos .

Porto do mercado Porto Alegre cera de 1900 Fonte Bucelli

Porto de Guimarães .Cai .Cerca 1900 Fonte Bucelli

     Antônio Guimarães e seu irmão Quirino abriram casa  de negócio. A região tomou o nome de  Porto  Guimarães. Nas proximidades do passo Selbach havia uma balsa  na qual  carros, cavalos e pedestres podiam atravessar o rio.
 São Sebastião pertenceu a Porto Alegre até 1846, quando  São Leopoldo  se tornou município junto com  Santana do Rio dos Sinos ( que abrangia a maior parte do atual município  de Cai) passou a a  3º Distrito  .O  vale do Cai  recebeu colonos  alemães provenientes do vale do rio dos Sinos.a partir de  1848.Nesse ano foi criada a freguesia de São José do Hortêncio.  Sua população era cerca 50 proprietários de terras e de escravos entre eles João Ferraz Ely, Catharina Adams,Francisco Trein Mathias Freiberger ,Sara Auler ,Daniel Arend,Pedro Muller,Margarida Schimidt,Germano Genz,Antônio Sauer, Miguel Stroeber. Em 1º de maio de 1875, São Sebastião foi emancipado de São Leopoldo

Anuncios em jornais de Caxias

Anuncios em jornais de Caxias


No final do século XIX o porto Guimarães se desenvolveu com o transporte e a passagem  e de  imigrantes italianos que de Porto Alegre seguiam em direção as colônias serranas .Là pernoitavam e se abasteciam .
Anuncio de Linhas de vapor Porto Alegre Cai.
               Os produtos do trabalho dos colonos italianos  eram exportados pelo Porto Guimarães  O transporte das mercadorias contava com  linhas diárias de vapores entre a Capital e Cai.A distância era percorrida em cerca de seis horas e era  realizada  por vapores de alto calado. Vários  eram os horários dos  vapores  seguiam entre os dois portos .um deles era o Otto,  de propriedade de João Luiz Sherein,que saia de Porto alegre as 3ª e 6 ª ao meio dia e de São Sebastião  as 6 horas da tarde das 4ª e  dos sábados.Quando Caxias deixa a condição de colônia  foi anexada à São Sebastião do Cai como seu 5º distrito.
Durante muitos anos ligando  entre Caxias e São Sebastião havia serviços de diligência de José Jaconi . Nos jornais de Caxias na primeira década do século XX  muitas eram as  propagandas de serviços de  transportes . Hotéis familiares  ofereciam  serviços aos viajantes  das colônias tanto em  Cai como em Porto Alegre. . Em 1906 Buccelli descreve  a viagem que realizou entre Porto Alegre e Sebastião do Cai ,no vapor Garibaldi,que partiu do porto do Mercado as 8 da manhã chegando ao entardecer em São Sebastião, com uma  velocidade era de 9 a 10 milhas por hora. Fluxo que continuou até 1910. ..  
Ao longo do Porto foi se criando a infra-estrutura necessária aso viajantes como hotéis e casa de pasto  e de venda de lenha .Ainda foram criadas industrias da banha,  como a de Adolfo Oderich , A.J. Renner, Frederico Mentz e Cristiano Trein. Essas empresas anunciavam nos jornais caxienses, onde a produção de porcos era grande.A estrada Rio  Branco  que ligava Caxias ao Cai era percorridas por  varas de porcos tangidas pelos colonos. Giuseppe Slomp morador no lote A  do travessão Norte, da 2ª Légua da antiga colônia vendia seus porcos,  para a Oderich.situada no vale do Cai.Buccelli na já citada  viagem  encontrou uma dessas tropas de porco fato que o espantou pelo inusitado da situação.

Tropa de  porcos .Fonte Sueli Maria da Silva>Tropeirismo de Porcos (2007)


domingo, 18 de dezembro de 2011

CAXIAS 1950: A PÉROLA DAS COLÔNIAS



Caxias do Sul ,1950
 Caxias em 1946, passou a se chamar Caxias do Sul. Era conhecida como a Pérola das colônias ,designação dada por Júlio de Castilhos em 1898.   Três cidade brasileiras  disputavam o nome de Caxias : a do Maranhão, a do  Rio de Janeiro e a do Rio Grande do Sul .O nome (feio por sinal ) parece ser de origem  botânica ( de cachos de flor) A mudança de nome foi uma exigência Legal pois havia muitas cidades com o mesmo nome em diferentes estado do Brasil.
               Caxias  do Maranhão é a mais antiga..Cidade histórica berço de Gonçalves Dias foi o principal bastião de defesa das tropas de Portugal no Brasil ,nas guerras da Independência. Luis Alves de Lima e Silva ,que recebeu o título de Barão de Caxias por sua vitória contra os rebeldes lá sediados .Duque de Caxias ficou o nome da cidade fluminense e Caxias do Sul ,para a rio-grandense

Fonte para a história caxiense .Grande obra

Por esse motivo a cidade ficou com o nome espichado, que somado ao do Rio Grande do Sul, (assim chamado  para distinguir do estado nordestino )  não acaba nunca de tanto sul. Ossos  da toponímia.  
     A sua  população estimada era de 54.770 habitantes (10% da atual).Na cidade viviam 32.770 habitantes  e no interior 22.000( 40% )  .São Marcos era o primeiro distrito seguido de Galópolis,Ana Rech Seca(assim mesmo) e Santa Lúcia do Piai. Forqueta não constava como distrito Tente entender os políticos.
Era ainda  uma cidade ligada à zona rural Os  produtos da colônia, trazidos por colonas e transportados por mulas em cestões .Sua venda era feita deporta em porta. Naquelas priscas eras só eram  comidas as   verduras e legumes da estação. Grande parte dos serviços era oferecida da mesma forma.O leite ( em taros) era trazido por leiteiro ,o pão por padeiros e as lavadeira vinham em mulas com a roupa limpa e passada e levavam a roupa usada.Era uma vida agreste .Os burros ,as mulas as carroças ocupavam as ruas .Circulavam poucos automóveis (todos importados) Havia então cerca de 410 indústrias e 450 casas comerciais, em todo o município

O prefeito era Luciano Corsetti político bissexto, um dos melhores dos prefeitos que acidade já teve.

Em 1950, a cidade vibrava. A Guerra (1939-1945) terminara, mas, deixara sequelas no orgulho regional. Povoada por imigrantes italianos tornou-se de forma involuntária parte do Eixo, e, portanto, parte dos inimigos da Pátria ,ou seja dos Aliados, aos quais o Brasil havia se  alinhado.Muitos caxienses haviam colaborado para isso. Alguns eram mais italianos que os próprios italianos. O culto ao Duce (Mussolini) vicejava na Serra. Muitos estavam diretamente ligados ao movimento fascista italiano. De certa forma foram essas posições que acirraram os ânimos locais, que desencadeou o movimento que mudou nomes de ruas, praças,.tentando mudar o nome para extirpar o estigma da cidade. Na verdade foram mudadas apenas as moscas...
A Guerra estava ainda muito presente.  Fora formada uma comissão para a construção do monumento ido imigrante italiano. Assunto para outra reflexão. A Festa da Uva saiu da Praça foi realizada onde hoje está o Zafari. foi realizada em pavilhão construído para tal fim.
As fontes para a história do período são os documentários apresentados.E a memória é claro.

Pavilhões construidos para Festa daUva de 1950.

 

Primeira página do documentário
sobre Caxias 1950.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O CALÇADÃO- .HISTÓRIA NA PRAÇA(8)



Àrvores da Praça em 2011
Tanto o conteúdo, quando a forma da Praça sofreram modificações no decorrer do tempo. Já foram contados dos muitos eventos corridos ao longo de sua existência. Pouco de se tem dito das  suas transformações  físicas .Foram muitas ,pois, a Praça como a cidade passaram por reformas que mais do que sociais, antes de tudo ,foram  políticas. Assim foi  com o Calçadão.
 Num momento em que a cidade passava por uma crise devido à estiagem de um lado e de outro ao fim do milagre brasileiro, onde a miséria e a falta d’água se somavam. O Prefeito decide construir um calçadão. Coisa que já existia a alguns anos em Curitiba e que o parecia  bom para o Paraná devia ser bom para Caxias .Não era a hora certa ,mas o assunto desviou a atenção da população.

Em 1978, Avenida Júlio de Castilhos foi fechada entre as ruas Dr..Montaury e a Marquês do Herval e ali se fez um pretenso ajardinamento. Não sei o que foi gasto na obras. Os jornais de então não dão conta que  o  montante de gastos realizados,seria  de cerca de 140 milhões de cruzeiros(daqueles multi inflacionados) ..Sem por em  dúvida a honestidade dos prefeitos, deve-se destacar que sempre émais  fácil gastar o dinheiro dos contribuintes,do que o próprio. Lembro-me de um certo Reitor da Ucs que mandou fazer e desfazer pelo menos por três vezes um pequeno trevo diante do Bloco H. 

Projeto da Praça publicado no jornal Tempo Todo
 em 2003


Na praça com o Caladão, foram plantadas algumas árvores.A obra foi mal vista pelos comerciantes. As crianças adoraram o parquinho .O que nem crianças ,nem adultos  usaram  foi uma espécie de velódromo de finalidade desconhecida que viveu e morreu sem qualquer  utilidade.
Manchete de jornal de 2003

Praça em 12 de dezembro de 2011
Passados 25 anos ,quando o Calçadão já se tornara parte do Centronova reforma. Fim do Calçadão.  A Praça passa por outra mudança. A reforma ganha  o nome politicamente correto de revitalização. A renovação da Praça agora rebatizada de Dante Alighieri sofreu toda sorte de percalços. Protestos públicos dos ambientalistas, liminar impedindo o corte das árvores. Choro e ranger de dentes pelo destino dos velhos legustres ,tão nocivos á  saúde e das  roseiras que há mais de uma  década estavam mortas e que já não davam rosas. Elas só foram lembradas ao serem arrancadas.
Os ambientalistas enganaram-se ao  alegar uma reforma da Praça no ano de 1933 ,pois muitas outras haviam  sido feitas ,como as de 1928,  1945 e a de 1978 só para citar algumas . Acusaram a Prefeitura de “ falta de respeito com o patrimônio cultural - ambiental, artístico, urbanístico e histórico, prestando um desserviço à educação, estimulando o descaso para com a história. O motivo foi a derrubada de 60 árvores - 43 ligustros e 17 de outras espécies - na madrugada de sexta-feira. A praça amanheceu como uma floresta dizimada, surpreendendo os caxienses e provocando , em especial em moradores da área central, revolta.”  Os mesmos ambvientalistas que calaram com o corte das mais de 600 árvores do Praque da Festa da Uva.Coisas da política?
A Praça em 2003  ganhou manchetse e os jornais incendiaram a opinião pública afirmando  falta de sensibilidade afirmando que ” quando não há sensibilidade numa ação que envolve temas tão delicados como meio ambiente e cidadania, essa ausência alimenta a polêmica e estimula reações.” O secretário do Planejamento, Mauro Cirne foi execrado por ter mandado cortar as árvores durante a noite.
Passado o tempo a Praça com a reforma ganhou nova vida, novas árvores e potentes luminárias.Ganhou luz e cor.

O traçado da revitalização da Praça protegeu a reforma de Gobbato e acrescentou alguns novos elementos no antigo  desenho sagrado maçônico,sem retirar seu significado .Até o mosaico português foi  preservado e  acrescido pela reforma ganhou nova cor ,manstendo as linhas do velho desenho. Os dois projetos da reforma da Praça o de 1928 e o de 2003  falam por si. Basta analisa-los O mundo não caiu porque Praça sofreu uma de suas muitas reformas e,  que, dadas suas condições atuais  não será a última.

Em 2003, Pepe Vargas era o prefeito de Caxias  na época da revitalização .Em declarações posteriores ao Jornal Pioneiro,  afirmou que a Praça antes dela ”  era uma área insegura durante a noite. Além disso, o passeio público não ficou prejudicado, a praça foi ampliada. A circulação de veículos dá mais segurança à noite. Antes, era muito ermo. “
Já o criador do Calçadão Mansueto Serafini , que “ tinha como meta fechar desde a Alfredo Chaves até a Garibaldi, com trechos em apenas uma via” ,  "destruíram o calçadão e o parque das crianças."

  As opiniões políticas podem  divergir , mas a Praça continua linda e prenhe de histórias


Mosaicos da praça em 2011
Projeto de Reforma da Praça,Gobbato 1928,
segundo os principios sagrados maçônicos


Mosaicos da Praça 2011


 

Desenho do Projeto de 2003.



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sábado, 10 de dezembro de 2011

O COMÍCIO QUE NÃO ACONTECEU -HISTÓRIA NA PRAÇA (7)



Afortunadamente , a memória não é um livro de história tradicional.Assim, não segue a ordem cronológica. As hstória da Praça ocorrem-me de forma livre. Lembro deum fato e procuro detalha-lo. ( não demais)   Como diria Nabocov ,fala memória ...

A guerra das bandeiras .
 Quando penso  no movimento das Diretas já   lembro de Milton Nascimento, cantando Menestrel da Alagoas Lembram da letra?

Quem é esse saltimbanco
Falando em rebelião
Como quem fala de amores
Para a moça do portão
?
  A música  foi uma homenagem à Teôtonio  Vilella, que participou da campanha das diretas .Democrata d e última hora,  só enjoou da ditadura em 1984 .De 1964 a 1984 gozou de seus benefícios e privilégios. Afinal ele não foi o único


Manchete não toma partido.
Quando penso na redemocratização é novamente   Millton Nascimento  com Coração de estudante que me aparece na lembrança..Já a  encenação da agonia  e morte de Tancredo Neves  é movida   à Fafá de Belem cantando o Hino Nacional, na tela da Globo.. Já campanha de  1989  de Collor em   vem embalada no Ala pucha, tchê. de Os Serranos .Música suave como um soco  ,cuja  letra  diz :

Se a bala vem por baixo, eu salto pra cima
Se a bala vem por cima, me atiro pra baixo
Se a bala vem no meio, e rolo pra qualquer lado


Enfim, cada movimento tem a música que merece.

Mas é do comício de  30 de novembro de 1989 na Praça Rui Barbosa que quero relembrar..  O dia em que a praça Dante virou um inferno como foi chamado na excelente matéria,  publicada pelo  do jornal O Caxiense , de  2007,quando o episódio completava vinte anos.

. A Praça então era tinha outro aspecto. Havia legustres de amplas  copas,que  eos  postes de luz de pouca altura ,com  lâmpadas  fracas  pouco iluminavam .O correto do comício erguido na rua Marques do Herval   em frente ao Banco do Brasil. O de Lula realizado  poucos dias antes fora  realizado na rua Dr. Montaury defronte à Casa da Cultura . Em 1989 houve outros comícios na Praça ainda Rui Barbosa.,eu havia assistido alguns .
  O candidato à Presidência Fernando Collor de Mello era esperado em Caxias.,para o comício. O avião no qual viajava já sobrevoava a cidade, no inicio da noite . Naquelas eleições os showmícios eram muito concorridos. Ver artistas importantes de graça era um bom  programa.A população comparecia. Eles se tornaram parte da coreografia política  de  1895 ( Diretas já) a  2006 quando foram proibidos .Os políticos e seus discursos eram o ônus.
Naquele dia 30 o entrevero começou durante o show do conjunto  Os Serranos ,quando uma bandeira teria atrapalhado alguém  fazendo cair uma caixa de som .Logo outras caíram e do  nada,  surgiu uma tropa de choque com paus  e armas  atacando a tudo e  a todos.   A correria foi geral. Durante a ditadura e mesmo depois dela, as tropas de choque eram comuns, caiam sobre o povo como se este fosse o inimigo público número um. Havia acontecido antes durante as eleições do Diretório Central de Estudantes da Universidade de Caxias do Sul, quando uma tropa de aluguel invadiu o Campus. Pessoas desconhecidas.passaram a atacar e ameaçavam os estudantes que votavam. Os brutamontes estavam ligados à chapa de direita. Por sinal ligados a um vereador que se afastou a poucos dias da Câmara de Vereadores  caxiense Na Praça que eu saiba foram apenas dois os incidentes entre povo e policiais por ocasião deas duas  visitas de Prestes à Caxias,creio que uma  em 1961, e outra  em  1973. Da longa história da Praça apenas três incidentes. Não é significativo que os todos tenham arranjados ?
Tudo até então tinha sido tranqüilo. O acirramento da campanha política entre Lula e Collor (,aparentemente entre a esquerda e a direita)  fazia os ânimos ferverem . Mas na Praça ,naquela noite não era diferente.Quem não queria  ver Os Serranos (no auge de sua forma) e um  antigocomponente do conjunto    Os Menudos teria  um programa legal.. Trazer artistas. foi  era uma das  formas de  poupar a a voz dos políticos e de  gastar as  polpudas verbas coletadas na campanha naqueles estranhos dias deuma democracia recém conquistada. O showmício prometia. 
Eu estava lá quan as cores das bandeira  vermelhas e amarelas lulistas e as azuis celestes do Caçador de Marajás pareciam enfeitar a Praça...Eu estava lá  enquanto o show iniciava ..O que me espantou foram  as  caras desconhecidas dos portadores das bandeiras de Frente que apoiava Lula ,Os quais eu conhecia.Era uma época demilitância e ,em geral, eram os estudantes da UCS que levevam as campnhas adiante.   Outro motivo deminha  preocupação foi o grande número de bandeiras de opositores à Collor..Era normal haver  mais seguidores de Lula do que de Collor num comício desse? Nunca!
 Só algo inventado  uma encenação poderia trazer tantos seguidores de Lula para um comício de Collor .dar origem ao que aconteceu naquela  noite em Caxias .         No programa de Collor a boataria era o mais forte componente. Parece que fazia parte da campanha   assustar o povo com a violência das  esquerdas. A ameaça de estatizar as riquezas privadas, unida a afirmação de  roubos e invasões das  casas dos ricos para dividir com os pobres. Não adiantava alertar  sobre os boatos.,parte expressiva da população acreditava neles. O projeto de Collor   era o de abrir o  Brasil   ao mercado global,
terminando com as reservas de mercado ,privatizando as empresas estatais. Muitos acreditaram nas mentiras. Entre eles o ex-prefeito de Caxias do Sul Mansueto Serafini ..
Quando passei na  Praça para  ver  como as coisas iam , vi que estava esquisito .Havia pessoas estranhas e violência  no ar.Como correra um boato  de que  algo iria acontecer ,voltei  rápido para casa. e  perdi a festa .A batalha campal que aconteceu em Caxias repercutiu no horário de propaganda política do PRN  .Caxias a Metrópole do Trabalho, a Rainha do deixa disso foi envolvidada no  tumulto.Esse  começou às 21 horas. Segundo alguns incitado por simpatizantes de Lula e de Leonel Brizola (PDT), candidato a presidente derrotado no primeiro turno.Segundo outros pelos falsos apoiadores da Lula a mando de Collor. Vai saber!
             Como resultado foram  destruídos: o correto,os holofote e  o sistema de som.A Brigada foi envolvida e o  resultado onze feridos,é claro,do povo . Muitos veículos de comunicação estavam na cidade para cobrir o comício e  aproveitaram na falta daquele para  noticiar o ocorrido
 Collor ficou no Aeroporto esperando  o desenrolar dos acontecimentos. Concedeu entrevista coletiva à imprensa acusando o PT como agitador,sem nada ter visto. A luta campal resultou em onze 11 feridos sem nenhuma  gravidade. A encenação ocorrida na Praça foi usada   no horário eleitoral de Collor, que continuou a acusar os partidários de Lula.
Lula, por outro lado colocou no ar imagens do segurança de Collor com o revólver em punho atacando a população.  O incidente repercutiu no Brasil e os caxienses apresentados como desordeiros. Outros incidentes  ocorreram em outras cidades, delas não sei se  foram ou não orquestrados pela tropa de choque do Caçador de Marajás Em Caxias garanto que não foi a população que impediu o comício. A turma da Praça adorava Os Serranos e não faria nada para perder o show.  
Para Lula o incidente de 30 de novembro rendeu 121.043 votos, o triplo do conseguido por  Collor, Nem a melhor campanha do mundo teria dado tal resultado
 De todos os entrevistados pelo O Caxiense ,vinte anos depois, presentes naquela noite (,entre os quais estive por algum tempo) ,apenas o ex-prefeito Mansueto acredita até hoje que não foi um  tumulto arranjado. Incrível, pois, ele conhece como poucos a política caxiense


O Pionerio registra o incidente,1989
 ..

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A ALEGRIA DA DEMOCRACIA . HISTÓRIA NA PRAÇA (6)

Caxias do Sul  em 1945
.
Nem só de ataques aos comunistas viveu a Praça.Houve também  momentos de euforia democrática .O problema parece residir no fato de que o ódio tem rendido mais eventos que o amor. Fazendo um cômputo dos bons e maus momentos ganham os maus. Uma lástima!
A democracia tem sido ao longo do tempo como o horizonte,quanto mais se caminha em direção a ele mais afastado fica Ou seja um trabalho de Sísifo. Põe  Sísifo nisso.
Quando Berlim foi  tomada em 7 de maio de 1945,os defensores dos Aliados deliraram. AS irmãs de São José eram em geral pró Aliados. Os padres variavam de posição,havia os do Eixo e os pró Aliados. Esses últimos  tiveram problemas com as alianças esdrúxulas firmadas entre Roosevelt e Stalin.lembro-me de quando nos deram na  sala de aula a noticia da queda de Berlim.Só os capuchinhos era a favor de um estado forte, seja ele qual fosse,tanto o fascista ,como o Estado Novo.Gostos!
Na Prça ocorru uma mega manifestação pela vitória .Discursos, foguetes,parecia que Caxias havia ganho a Guerra sózinha Vários oradores falaram no alto da Catedral Na noite do dia 7 novo comício  na Praça ,comunistas  e não comunistas unidos em festas populares .No dia seguinte 8  de maio de 1945 , considerado como o Dia da Vitória foi declarado feriado nacional ,houve desfiles da vitória na  Praça. Não há imagens destas comemorações. Naqueles tempos as fotografias eram poucas.  E caras. Os jornais não tinham condições  econômicas para muitas imagens. Estive presente nas comemorações da manhã do dia sete e do desfile do dia oito,naqueles tempos vigia o espírito cívico .
A Praça renovada em 1945

As festividades foram realizadas também  em Flores das Cunha ,em Antônio Prado ,Bento Gonçalves e Garibaldi.   As solenidades foram promovidas pelo exército e pelos poderes públicos e alunos e professores municipais e estaduais. O povo não se envolveu de forma direta ,foi apenas envolvido pelos poderes constituídos.
Caxias tinha um população de cerca de 50 mil habitantes  e sua área era de apenas  849 km2. Não existiam os espigões  de cimento. ,anda era uma cidade de madeira  e cerca de 40% da população vivia na zona rural. Os distritos serranos de São Francisco de Paula ainda não tinham sido anexados. Na Praça ainda se podia ler a inscrição  sob o monumento de de Dant Alighieri
I Caxiense per onorare l’altissimo Poeta.
E foi a Praça o centro de todas as comeorações

Manchete do jornal O m)Omento sobre os acontecimentos do Dia da Vitória

Primeira página do jornal  semanal O Momento


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

HISTÓRIA NA PRAÇA(5)

Um dos maiores  movimentos políticos do século XX, foi o das Diretas Já .que tomou de assalto as praças das grande  cidades,envolvendo grande  da populaçãoBrasileira.Tudo  começou a partir de  2 de março de 1983 quando o deputado federal Dante de Oliveira apresentou um projeto de emenda  constitucional (PEC nº5/1983) com o objetivo retaurar as eleições diretas para a presidência  a   partir de 1984 Segundo pesquisa do IBOPE,  feita então  84% da população era favorável as eleições diretas.  .A discussão ganhou as ruas O principal articulador do movimento foi Teotônio Villela ,de Alagoas, antes associado à ARENA e ao governo militar.
O retorno das eleições diretas foi o assunto mais candente do Brasil entre março de 1983 e abril de 1984 . Foi também  a principal' preocupação' dos políticos, tanto os favoráveis às eleições diretas quanto àqueles que eram absolutamente  contra.  Inesquecível a declaração do rei Pelé (  que foi assim chamado por ser grande admirador do absolutismo brasileiro ) que afirmava que os brasileiros não estavam prontos para votar. Outros vereadores locais   repetiram o mote.,alguns deles que figuram como defensores da lei .Enfim , a memória é o repositório das incongruências humanas.Nada mais ,nada menos! Quem não tem memória é poupado delas .
Em Caxias havia os defensores das Diretas entre eles a inesquecível Raquel Grazziotin ,  entre outros,alguns dos quais  estão vivos , e,  o que é pior,  negando seus antigos ideais .
Até a votação   das diretas o grande assunto dos periódicos locais (dois dos quais continuam circulando) era a candidatura indireta para presidente  do  Brasil .Os candidatos  do  PDS(Partido Demoecrático Social ) Paulo Maluf, Aureliano Chaves e Mario Andreazza, eram  candidatos governistas à sucessão do general Figueiredo O candidato preferencial dos caxienses contrários às diretas era a do Coronel reformado  Mario Andreazza, natural da terra.
             O Movimento reuniu  milhões de  pessoas em praça pública,  o que levou a grande imprensa antes silenciosa  a abrir  espaço para ele.  Em Porto Algre,no dia 13 de abril ,na praça Montivideu em frente à Prefeitura, reuniram-se  cerca de  200 mil pessoas.  No dia 16 de abril, noVale do Anhangabaú, em São Paulo,  houve uma passeata com mais de 1,5 milhão de pessoas . No início de abril, a cidade de Cascavel (PR) realizou uma das  maiores manifestações,em cidades do interior , onde 25% da população de 160 mil se reunuiu para exigir  eleições diretas.
                   Em Caxias, poucas foram as  mainifestações  em favor das Diretas Jà.  No dia 24 de abril ,na Praça Ruy Barbosa ( mais tarde retomou nome de  Dante Alighierri.)  realizou-se uma manifestação na  reunindo políticos locais como Germano Rigotto,Édio Eloi Frizzo ,José Ivo Sartori entre outros e   no máximo 5 mil pessoas ,contando com o nunca desmentido apoio do Sindicato dos Metalúrgicos.Foi um festa democrática pequena,   como pequeno era  o amordos caxienses  pelas liberdades democráticas.



n
Cobertura jornalistica do comicio das Diretas Já .na Praça Ruy Barbosa em 1984
  A votação no Congresso , em  25 de abril, jogou  um  balde de água gelada no coração da democracia.A emenda foi rejeitada,  298 deputados votaram a favor, 65 contra, três abstiveram-se e 113 não compareceram ao plenário.Logo, os  antidemocratas  tomam o poder de forma indireta,com  Jose´Sarney como  presidente. Nada poderia a haver de mais depcepcionanteAté  O próprio rei  Pele se torna ministro de Estado no governo de  Fernando Henrique Cardoso,  apesar de suas ressalvas à democracia.


Chamada de capa para o o  comício de abril de 1984,.
Destaque menor do que o dado a  um crime ocorrido na mesma data.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

HISTÓRIA NA PRAÇA (4)



Manifestação contra a vinda de Luis Carlos Prestes a  Caxias.
Praça, 1961

                  O ódio aos comunistas  no Brasil em geral , e  em Caxias em particular, continuava a incendiar os ânimos da população antes de 1964. O comunismo  era desconhecido pela  maior parte da população. Teme-se  o que não se conhece ,mas não se odeia . Fica uma questão: o que levou a população a odiar os comunistas?
Após  o fim do Estado Novo(1937-1945)  e a queda de Vargas  houve intensa movimentação popular. Os sindicatos  de reorganizam e as  categorias que passaram a exigir  seus direitos.

Com a redemocratização do Brasil e a Constituição de 1946,  o Partido Comunista Brasileiro(PCB)  se torna  legal,participando das eleições de 1947 consegue se tornar o terceiro maior partido do Brasil (após o PTB e o PSD )Por sua ação junto aos sindicatos foi se fortalecendo tornando-se o maior partido comunista da América,com 200 mil  associados. só poderia ter sido insuflado de fora para dentro e de cima para baixo.
O perigo comunismo estava associado à possibilidade de que vencesse  as próximas eleições Aos poucos a Guerra Fria se acentua colocando os USA e a URSS frente a frente  em busca de:  espaços ,aliados e pontos estratégicos .  A política do Presidente Dutra  tornou-se repressiva,  na medida que vão se estreitando os laços do Brasiul  com os Estados Unidos .  A Conferência para Manutenção da Paz e da Segurança do Continente, promovida pelo governo norte-americano, leva enfim o Brasil a cortar relações diplomáticas com a União Soviética
A seguir o governo brasileiro impede a organização dos sindicatos numa central sindical MUT (Movimento Unificador dos Trabalhadores) Em 7 de maio de 1947 o governo  tornou ilegal o PCB.Tendo cassado o mandato de  seus representantes eleitos ,entre os quais o do senador  Luis Carlos Prestes. Com essas medidas  políticas o Brasil se colocava ao lado dos Estados Unidos na chamada Guerra Fria.
Desde então até 1964 quando  a escuridão baixou sobre a democracia, a cada vinda de Prestes a Caxias foi um desastre .Em 1959, recebido com dobres de finado em 1961  com a força policial  sobre os manifestantes .Sempre na Praça A história vai se desdobrando no Brasil e a Praça Dante a repercute.O pároco Padre Ernesto Brandalise  conta  o que houve
Os sacerdotes locais  agiam de forma irracional seguindo  os interesses do Vaticano que temia o fim de seu império material  bem! Ou seja,  na defesa do capitalismo internacional , como antes estivera na do nacional socialismo. Onde ficam os ensinamentos  de Cristo?
Os sacerdotes locais  agiam de forma irracional seguindo  os interesses do Vaticano que temia o fim de seu império material  bem! Ou seja,  na defesa do capitalismo internacional , como antes estivera na do nacional socialismo. Onde ficam os ensinamentos  de Cristo?
Opiniões contra Prestes
 eram unanimidade na imprensa regional
 Tão agressiva quanto apostura da Igreja foram as manchetes dos jornais locais. Uma das manchetes foi a do Jornal Pioneiro petencente aos integralistas que pode ser lida a seguir

 Manchete ofensiva  do jornal Pioneiro, contra um herói nacional ,  1961

domingo, 30 de outubro de 2011

HISTÓRIA NA PRAÇA (2)




Palacete Andreazza
.O local do episódio e a sacada doprimeiro andar  

                      Na Praça Dante Alighieri aconteceu de tudo um pouco: tragédias, farsas e  agressões .
Uma das tragédias ocorreu em 1943,quando  morreu o filho de uma ilustre família.A data precisa desconheço .O prédio até hoje  resiste,ainda que  coberto de forma indigna por propaganda. O palacete era da família  Andreazza. Palacete era o nome aos prédios requintados de estilo neoclássico, decorados  com sacadas e pinhas  de cimento.Os Andreazza eram muito ricos e conceituados na cidade Creio que a senhora desesperada era  a mãe do futuro Ministro dos Transportes   do governo Costa e Silva ,Coronel Mario Andreazza.a
Na sacada do palacete uma mulher aos berros ,vestida de preto  , gritava contra a injustiça da morte “Por que meu filho”?”Por que meu Deus”? Enquanto isto o enterro passava lentamente.  Naquele tempo os mortos eram velados em casa,os cortejos fúnebres   saiam da  casa enlutada ( era o nome que se usava para o local onde alguém morria)para a Igreja e desta para o cemitério.


 A mãe do jovem morto não acompanhou a cerimônia fúnebre.Ficou na  sacada lançando  aos quatro ventos seu desespero. Não falaram então qual era a doença  do jovem. , Tenho a precisa lembrança da cena que se fixou em minha memória, sendo  das cenas mais fortes que já vi.
.. Hoje não se fazem mais enterros e velórios como antigamente. Hoje as pessoas escondem sua tristeza, como se sofrer fosse politicamente incorreto. Os tempos são outros os mortos são queimados e os cemitérios esquecidos. As pessoas tem medo da morte e medo dos ritos fúnebres.
Então,o trajeto era feito à pé , apenas o féretro era transportado em um carro fúnebre,preto e engalanado com plumas ou coroas.No cemitério,os túmulos luxuosos  revelavam a riqueza dos defuntos. Mortos, ricos e pobres eram enterrados em sepulturas  com a marca de sua classe social. Muito típico.
Durante décadas o papa-defuntos local foi Virgilio Curtolo.Contou uma testemunha da época que ele fazia sua cesta nos caixões. Eu nunca vi.  A casa funerária ficava na Rua Sinimbu e exibia os últimos modelos de caixões e de coroas fúnebres. Os caixões eram de várias cores e tipos e, como os túmulos, demarcavam a posição social.  A funerária começou na Rua Dr.Montaury ,defronte da casa Magnabosco,no fim  da década de trinta a loja se mudou para rua Simimbu nº1892 ,onde funcionava também uma fábrica de velas.As coisas em relação aos mortos mudam na década de setenta com o inicio das capelas funerárias.
Os ritos mudam como  a sociedade. Os ritos funebres foram expurgados da pompa e de uma certa forma  de   dor. Inacreditável ! Até  a dor .como a tecnologia muda com o tempo..Coisas do consumo!


funerária Curtolo.Década de quarenta, vendo-se defronte do prédio os carros fúnebres de então.

A praça na década de quarenta data do episódio .


Outra imagem dao Palacete Andreazza ,vendo-se a sacada  do primeiro pavimento
na qual  ocorreu o episódio



O Palacete em 2011.Escondido pelos anúncios.