quinta-feira, 18 de outubro de 2012


OS SINDICATOS DA COMUNIDADE ( 1977 )
Instituto Bruno Segalla. Rua Adrade Neves . Foto 2012
 
            A Comunidade Sindical existiu de fato e não de direito entre 1933 e 1977. Sua legalização ocorreu muito tempo depois coma criação de uma comunidade assistencialista. Só em 1977, se torna legal a antiga e legítima união, que reunia os associados sindicatos  da União Operária.
De um modo geral,os sindicatos se espelham no mundo da produção .Na medida  em surgem  novas profissões novos sindicatos se formam e na medida  em que elas são extintas os sindicatos deixam de existir. A relação entre profissão e categoria é histórica, bem como entre produção e trabalho.
           
VELHOS  SINDICATOS
A comunidade assistencial foi composta por nove os  sindicatos na época de sua fundação, três foram fundados na década de trinta, dois na década de quarenta e quatro na década de sessenta. (vide QUADRO Nº 1.) De acordo com a data de fundação pode-se classificar os sindicatos como antigos e novos. Antigos são os sindicatos fundados antes de 1945 e  novos os que foram  fundados após essa data. Os sindicatos antigos participavam da Sociedade União Operária, e os novos iniciaram sua participação já nos Sindicatos Reunidos. Alguns dos antigos sindicatos deixaram de funcionar como é o caso dos tanoeiros, dos curtumes e das cantinas. Outros se separaram. São considerados sindicatos antigos: o dos metalúrgicos, o da construção e mobiliário e o da tecelagem.
 
QUADRO Nº 1
SINDICATOS DA COMUNIDADE SINDICAL 1977
Indicadores
Sindicatos de trab.
Data de fundação
nº. associados
Total da  categoria
% associados
Metalúrgicos
6/3/1933
11.000
25.000
44%
Construção e Mobiliário
6/2/1933
5.500
12.668
43%
Alimentação
9/12/1945
3.000
6.000
50%
Vestuário
7/4/1945
2.200
7.000
31%
Tecelagem
1/5/1935
2.000 (?)
5.000 (?)
40%
Vidros e cristais
31/1/1969
209
400
41%
Oficiais Gráficos
29/11/1969
300
600
50%
Joalheria e Pedras Preciosas
1970
220
350
60%
Fonte: Livro se Atas da Comunidade sindical
 
 
SINDICATO DOS METALÚRGICOS

O Sindicato dos Metalúrgicos foi fundado em seis de março de 1933. Reconstruir a história deste sindicato é bastante difícil, pois, em 1964 ocorreu uma intervenção federal, então muitos livros foram apreendidos, muitos dos quais não foram devolvidos. O registro mais antigo existente no Sindicato data de março de 1934 é o  Livro de  Reunião de Diretoria. Não foi encontrado o Livro de Atas das Assembleias Gerais.

A primeira reunião da diretoria registrada é de  23 de março de 1934.Seu Presidente era  Adelino Lucatelli.  No período foram recebidas muitas propostas de novos associados, a indústria metalúrgica estava em fase de expansão. Era a época da produção em série, o aumento da produção acarretava então aumento no número de operários.

            Em 24 de março de 1934, o Sindicato foi recebido na Federação Operária do Estado do Rio Grande do Sul.

Na reunião da Diretoria, de  19 de julho de 1934 foi  lido um apelo enviado pela União dos Trabalhadores Metalúrgicos do Rio de Janeiro, convidando o Sindicato caxiense  para formar  uma Frente única para reivindicarem juntos (Ata nº. 14). Só ficou o convite, pois, no  período que vai de 1º de setembro de 1934 a 27 de fevereiro de 1937 não foram registradas mais   reuniões da  Diretoria.Ou pelo menos os livros foram extraviados.

            Em 1937 foram a ser aceitos novos sócios, sendo elaboradas sete   cadernetas para os associados. Neste ano foi eleito José Piovan para a presidência. É interessante observar que o assunto sobre o pagamento de joias de $ 3:000 (três mil reis) para menores e mulheres,  que fora discutido dois anos antes,foi  retomado, como se  a reunião  se não houvesse  acabado..O  assunto ficara muito  tempo  esquecido.
    É provável que no período de 1935 a 1937 o sindicato tenha ficado acéfalo, pois em cinco de agosto de 1937, foi concedida anistia para os devedores, pois as mensalidades não haviam sido cobradas.

            Em setembro do mesmo ano  foi concedido pelo Sindicato   um empréstimo  de 50$000 para a construção da sede da União Sindicalista..Em 1º de fevereiro de 1938  foi  eleita uma comissão executiva para dirigir o Sindicato no período de 1938-1940.Um dos eleitos  foi  Francisco Abel.

            Em abril o Sindicato  dos Metalúrgicos emprestou  para a União Sindicalista a quantia de 500$000, o mesmo ocorrendo em agosto.Em dezembro de 1938 foi  eleito presidente Arlindo Zuanazzi. Não há explicação dos motivos da saída de Francisco Abel da presidência.

            A partir de julho de 1939 o sindicato dos metalúrgicos passou a se reunir na  sede da União Sindical, para a qual participara  com 1:050$000  que foram gastos na construção daquela sede.

            Em 1º de agosto de 1940 foi nomeado Clodomiro Batista, para tratar com os demais sindicatos, da dissolução da União Sindicalista, de acordo com o decreto lei nº 1.402.

            As diretorias no período compreendido entre 1934 a 1940 passam a se interessar pelos problemas sindicais dos trabalhadores. A ação passa a se dar diretamente nas empresas .Contatos foram estabelecidos com a Metalúrgica Abramo Eberle & Cia em 22 de agosto de 1939para o cumprimento da convenção de 1º de agosto que previa melhores salários para os trabalhadores .  A reunião não teve o êxito esperado, não resultando dela  um acordo,nem a obediência da empresa á convenção.

            Os operários sindicalizados reivindicavam a dispensa do trabalho, ao serem eleitos para algum cargo na diretoria do sindicato. Os entendimentos com as empresas não chegaram a um acordo. Não havendo dispensa do trabalho ocorreu que os líderes sindicais foram obrigados a fazer uma dupla jornada de trabalho. Durante o dia trabalhavam nas empresas e de noite tratavam dos interesses  da categoria .Era muito difícil então participar da diretoria de  um sindicato.O trabalho cansativo do setor metalúrgico impedia uma maior participação dos trabalhadores no  seu órgão de classe. 

            Em três de outubro de 1940 foi convocada uma assembleia geral para a reformulação dos estatutos e da denominação do sindicato, conforme a exigência da Lei Nº 1.402, de cinco de julho de 1939.

            A ação sindical do período de 1940 a 1964 só pode ser reconstruída através de testemunhos orais. A figura que dominou a cena sindical em Caxias, no período foi  Bruno Segalla, que foi  presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de 1955 a 1964.      Em 1955, segundo Segalla, os sindicatos caxienses, especialmente o dos Metalúrgicos restringiam-se ao assistencialismo e a problemas de ordem salarial. Os sindicatos eram considerados estranhos à sociedade, seus líderes dela  desvinculados. 
                    Entre 1937 e 1945 reinara o Estado Novo e as lideranças sindicais deveriam se submeter as ordens da ditadura .Em geral vinculados ao poder sendo considerados  muitos sindicalistas eram considerados como pelegos da ditadura e cevados pelo governo. Bruno Segalla foi metalúrgico, artista e político nasceu em Caxias,em 1922 sua atividade profissional foi desenvolvida na Metalúrgica Abramo Eberle, onde se aposentou em 1975  

Bruno Segalla (1922-2001) Foto Internet

    Militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro )antes de seu ingresso no Sindicato, Segalla participava  de trabalho de apoio aos colegas. Durante a Segunda Guerra algumas empresas metalúrgicas de Caxias como A Eberle e a Gazola foram consideradas de segurança nacional e envolvidas na produção para o conflito.   A  intervenção militar na empresa Abramo Eberle, na qual trabalhava, houve incidentes com o major interventor. A intervenção na empresa foi devida a Segunda Guerra (1939-1945)  durante a qual a indústria metalúrgica foi considerada de segurança nacional. A administração de cada empresa  ficou sob a direção de um  interventor militar. O interventor da Abramo Eberle  resolveu terminar com os feriados municipais, tendo Segalla tomado uma posição contrária. Foram presos por dez dias alguns operários que se opuseram a ação do interventor.

.Foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos entre 1955 e 1964, período de grande crescimento do movimento operário tanto nacional como local. Após sua aposentadoria passou a produzir em atelier,no andar  térreo de sua casa situada  na esquina da rua Pinheiro Machado com a Andrade Neves.Durante a Ditadura  Militar (1964-1988) foi preso .A entrevista que serve de base para a pesquisa foi realizadas em 1º de novembro de 1982.A entrevista resultou em quatro horas de gravação , que com as bruscas e constantes mudanças da tecnologia acabaram se perdendo.

Morreu no dia 14 de agosto de 2001 deixando vários monumentos que decoram a cidade. Como o Gigia Bandera e o  Jesus do Terceiro Milênio. Hoje há na cidade há uma fundação e o Instituto que levam seu nome. Foi considerado o maior gravador em metal da América Latina, existindo poucos especialistas no mundo com sua habilidade. São os relatos de Segalla que contam a história do período, sobre o qual não existem livros,.
O fato de Segalla ser gravador e artista conceituado deu-lhe condições que os outros líderes sindicais não possuíam

Monumento à Luiza Eberle , a  Gigia Bandera (Luiza Funileira) obra de Segalla de 1996. Foto 2012

 

“Quando a capacidade intelectual das lideranças em geral era reduzida, com raras exceções. Dada seu pouco conhecimento faziam o jogo dos patrões, havendo casos extremos de líderes sindicais que convocavam as assembleias, mas elas não compareciam.

            As  assembleias  dos trabalhadores metalúrgicos eram realizadas em cinemas locais, como o cine Apolo,  das quais participavam representantes dos patrões e até os próprios patrões. Participar dessas assembleias requeria coragem. Pois poderia resultar em punições e demissões nessa época os sindicatos eram mal vistos pela sociedade,só “ dois ou três gatos pingados participavam das manifestações públicas.” Dizia-se então  que era “a negrada” que compunha a categoria sindical.

            A primeira vez que realizei um discurso público foi na comemoração do dia do Trabalho em  primeiro de maio,em suas palavras  ainda não tinha assumido sua “cara de dirigente “sindical” constituindo esse fato “uma traição a raça e aos costumes dos imigrantes” pois, participaria  de uma organização ao lado da “negrada”. Foi sua decisão mais difícil  a de assumir a posição de  dirigente sindical. Havia naquela manhã de primeiro de maio de 1955, mais  pessoas sobre o correto , armado defronte a Estátua da Liberdade,  na Praça Rui Barbosa do que na assistência.

            Na opinião do líder metalúrgico de então o movimento sindical adquiriu um novo caráter, passando a ser levantadas questões políticas e econômicas nacionais e não só aquelas do interesse exclusivo dos trabalhadores. Questões como a reforma agrária e a política salarial passam a ser assuntos das assembleias gerais dos sindicatos.

            Este desdobramento da ação sindical se prolonga até 1964. Após a revolução o movimento sindical voltou apenas para o assistencialismo.

            Foram realizados congressos gigantescos do movimento operário, sendo que a base programática desde os salários até a luta contra os monopólios estrangeiros, reformas de base e a luta pelo nacionalismo.

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            Foram realizadas de 1955 a 1964 vários movimentos paredistas parciais, dentro das empresas metalúrgicas de Caxias do Sul. Paralelamente o dirigente foi eleito duas vezes vereador e uma vez concorreu a deputado estadual,ficando como suplente.

Somava-se ao movimento operário  o político reivindicatório. A atuação na Câmara de Vereadores foi de molde a levar para dentro do legislativo as lutas operárias. Pertencente ao Partido Comunista, estando este na ilegalidade, os partidos pelos quais concorreu representavam apenas uma legenda para a suas lutas.

            O desenvolvimento do movimento sindical em Caxias do sul esteve vinculado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) apesar desta ligação não ser direta, o advogado do sindicato Dr. Percy de Abreu e Lima, Ernesto Bernardi e Bruno Segalla eram  vinculados ao Partido Comunista.

            Os sindicatos reunidos tornaram-se um centro polarizador dos políticos que passavam pela cidade em busca de apoio popular. Políticos como Janio Quadros, Leonel Brizola passaram pelo sindicato. Altas autoridades da administração dos órgãos previdenciários passaram pela sede do sindicalismo, os líderes sindicais reivindicavam e conseguiam que suas exigências fossem atendidas.

 O trabalho conjunto era facilitado pelo fato de estarem os sindicatos reunidos em uma mesma sede. Reuniões diárias  entre as diversas categorias garantia uma linha de ação conjunta. Os sindicatos realizavam trabalhos nos bairros, discutiam os problemas nacionais. Era realizada  campanha permanentes junto aos bairros, sendo esta sistemática, mais tarde, utilizada pelos políticos.

            Quando ocorreu a Revolução de 1964, e  a intervenção federal, Bruno Segalla foi submetido a   inquérito policial militar (IPM). Foi acusado de ter desviado fundos do sindicato, sendo divulgada uma nota oficial que afirmava que Segalla havia desviado Cr$ 800.000,00. Permaneceu preso durante 60 dias, submetido a julgamento,mas  foi absolvido.

            No período em que liderou a categoria  não eram promovidas viagens para líderes sindicais aos Estados Unidos. Segalla participou de Congressos Internacionais na Alemanha Oriental, na Tchecoslováquia, tendo visitado como convidado a URSS.

            O movimento Nacional havia conseguido desalojar do CNTI o pelego, no dizer de Segalla, Diocleciano de Holanda Cavalcanti, que permaneceu no poder desde a época da ditadura de Vargas, tendo assumido seu lugar vultos de expressão nacional, e os líderes caxienses tiveram nesta atuação marcante ação.

            Segundo Segalla “levou dez anos terminando a greve e insuflando-a em cada dissídio coletivo. Tendo conseguido pleno êxito em 1963, agrupando 95% da categoria.”

            Após a Assembleia os metalúrgicos faziam passeatas, deixando a sede do sindicato terminando-as defronte a Estátua da Liberdade. Era uma forma de demonstrar a força do grupo, pois nesta época as assembleias gerais, ao contrário do que ocorre hoje, eram extremamente concorridas.

            Segalla, dessa forma, estabeleceu uma distinção entre os líderes sindicais após 55 e ao anteriores. Esse se prende ao fato de serem tanto ele como Ernesto Bernardi, profissional conceituados de reconhecida competência. De certa forma esta competência constitui-se num elemento distintivo que deu mais força ao movimento.
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            Na época da Revolução e 1964 foram presas cerca de 20 pessoas, destas a maior parte pertencia as diretorias dos sindicatos e que trabalhavam junto a eles. Foram presos o Dr. Percy de Abreu e Lima, advogado dos sindicatos, Dr. Henrique Ordovaz, médico dos sindicatos, Amin Damian, secretário do sindicato dos metalúrgicos e muitos outros.

            Em 9 de abril de 1964 ocorre a intervenção federal nos sindicatos Reunidos. No Sindicato dos Metalúrgicos foram extintos os mandatos de toda a diretoria, de seus delegados e representantes até o término da intervenção, quando seria eleita nova diretoria. A intervenção no Sindicato é realizada pelo General Itacyr da Rosa Cruz, com a finalidade de supervisionar, manter

serviços, ratificar decisões ou afastar servidores.

            O interventor nomeou diretores que eram Alcides Klaus, Martinho Portolan, Etelvino Sachet, Roberto Chust e Olisses Guerra, estes diretores deveriam verificar o caixa, apurar irregularidades e dar continuidade ao serviço. Esta nomeação ocorre em 15 de abril de 1964.

            Foi nesta ocasião que, segundo Bruno Segalla, o interventor lançou uma nota declarando que o líder sindical demitido e preso, teria usurpado a quantia de CR$ 800.000,00 dos fundos do sindicato. Contra Segalla nada foi constatado, tendo inclusive um crédito a receber.A liderança de Segalla não teve contestadores. Sua ação não se limitava ao acerto com os patrões, o movimento sob sua direção ganhou as ruas: pichamentos, passeatas e alto-falantes foram utilizados para conseguir que sua reivindicações fossem atendidas

            Segundo testemunhas que vivenciaram a intervenção a confusão armada foi tamanha que os líderes sindicais, com exceção dos do sindicato dos metalúrgicos, foram instados a retomarem seus postos.

            Assim, a rotina foi reassumida nos diversos sindicatos. A intervenção se mantém até o dia 29 de junho de 1964, quando é suspensa. O sindicato dos metalúrgicos ficará entregue à diretoria nomeada em 15 de abril de 1964.

            O trabalho do sindicato transcorre normalmente. Foi realizado um dissídio coletivo em 19 de outubro, sendo  aceita uma redução de 85% sobre o solicitado pela classe.  Em dezembro foi nomeado um Conselho Fiscal ad referendum para apreciar as contas do exercício.

            A diretoria nomeada permanece até 26 de setembro de 1965. Sobre a atuação dessa diretoria , os depoimentos são unânimes, realizou bem seu trabalho. É interessante observar que os companheiros julgaram natural terem colegas sido nomeados, alguns inclusive julgaram sua atuação digna de elogios.

            A nova diretoria eleita era composta por Antonio Olivo Frigeri, Inácio da Silva e Romeu Pieruccini. Empossada em 12 de outubro de 1965, não realizou o mesmo tipo de trabalho que as anteriores a 1964.O medo faz milagre em prol da pacificação das classes.

            A ação do sindicato, porém, sob o influxo recente de seu dinamismo, anterior a 1964, não termina de foram abrupta. Assim no dia 15 de junho de 1966 foi realizada uma assembléia geral com o objetivo de discutir o dissídio salarial. Cerca de 1.308 associados participaram da assembléia, o pequeno auditório da antiga sede ficou totalmente lotado. Os presente constituíam 1/3 da categoria e decidiram-se pela greve.  Da Assembléia participaram além da diretoria o Dr. Antonio Carlos Bonet Nunes, Promotor Público designado pelo procurador regional do Trabalho, Dr. José Antonio Ponzi, consultor jurídico do sindicato, e um representante do governador do estado Ildo Meneguetti que gestionou para que o movimento grevista não se concretizasse.

            Em 28 de março de 1968 foram escolhidos como vogal e suplente Romeu Pieruccini, Olivio Friegeri e Inácio Silva.    A acomodação se processou com uma precisão milimétrica. As Assembléias se esvaziavam e o poder foi  único elemento que fez com que grupos disputem os cargos nas eleições.
Congraçamento na Eberle  1941.Reunindo patrões eoperários AHMJSA
            Frigeri foi eleito em 1969. Havia na região 25 mil metalúrgicos destes  11 mil (44% )eram sindicalizados.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012



COMUNIDADE ASSISTENCIAL SINDICAL  (1977)



Gazola S.A 1975 trabalhadores Foto sem legenda, IN: Centenário  da Imigração Italiana


No dia 15 de dezembro de 1977 os sindicatos, que compõe os Sindicatos Reunidos,  que reuniam os Trabalhadores nas Indústrias de Caxias do Sul das mais diversas categorias  realizaram Assembleias Gerais. O objetivo dessas reuniões extraordinárias  foi  o de estabelecer um consenso quanto a criação de uma Comunidade Assistencial.
            A fundação da Comunidade Assistêncial Sindical Nº . 1 dos Trabalhadores nas Industriais de Caxias do Sul  esse era seu nome completo ,baseou-se na necessidade da unificação da prestação de  serviços de assistência social aos associados dos Sindicatos Reunidos.
            A Comunidade Sindical foi fundada no dia 28 de dezembro de 1977. Sua fundação representa a legalização da União Operária perseguida desde a década de 30. Na mesma data foi realizada a discussão e aprovação do Estatuto. Segundo este estatuto a comunidade sindical é uma sociedade civil, sem  fins não lucrativos, com sede e foro nesta cidade de Caxias do Sul. Desta comunidade fazem parte os seguintes sindicatos :
dos trabalhadores na indústria da alimentação;
dos metalúrgicos, mecânicos e de material elétrico;
da construção e do mobiliário;
da fiação e tecelagem;
de instrumentos musicais;
de joalheria e lapidação de pedras preciosas;
dos oficiais gráficos;
de vidros, cristais, espelhos, cerâmica de louças e porcelanas.
            A nova sociedade foi registrada no Cartório de Pessoas Jurídicas, da Comarca de Caxias do Sul, em 10 de janeiro de 1978. A administração da comunidade, segundo o estatuto,  deve ser realizada por uma diretoria, eleita em escrutínio secreto pelo Conselho de Representantes, por um período de três anos. Assim criou-se sobre a organização dos sindicatos uma superestrutura para gestão da assistência social dos sindicatos que se situam na mesma sede social. Assim o ponto de convergência é espacial,não tendo qualquer relação  de caráter  ideológico ou funcional
A diretoria formada pelo presidente, vice-presidente, pelo primeiro secretário, pelo segundo secretário, pelo primeiro tesoureiro e pelo segundo tesoureiro teria um mandato de três anos .
Para estes cargos pode ser eleito qualquer trabalhador sindicalizado que esteja no uso de seus direitos. Da administração fazem parte ainda, o Conselho Fiscal e o Conselho de Representantes. O Conselho de Representantes  constituído por cinco membros titulares e cinco suplentes, indicados pelas diretorias de cada um dos sindicatos que compõem a comunidade. O Conselho deveria reunir-se na primeira quinzena do mês de fevereiro de cada ano. Nessa reunião seria escolhido um presidente, e, este designaria um secretário ad hoc para a reunião. Nesta mesma reunião era apreciado o relatório anual da diretoria e fixadas as gratificações e salários  do diretor técnico e dos demais servidores da comunidade.
            O conselho Fiscal compõe-se de três membros suplentes, eleitos a cada três anos. A este conselho cabe acompanhar a gestão financeira da entidade, verificar as contas e opinar sobre o mérito das despesas. Qualquer trabalhador pode ser eleito para o Conselho Fiscal.
            Nos estatutos não foram estabelecidos os percentuais de participação dos diversos sindicatos, nem os salários percebidos pela diretoria. No dia 29 de dezembro de 1977 foi eleita a primeira diretoria da comunidade. A eleição foi realizada pelo Conselho de Representantes estando presentes 36 dos 45 existentes. Foram registradas quatro chapas. A chapa nº. 2 foi a vencedora, com 21 votos.
            A primeira diretoria ficou assim constituída:
Presidente: Milton Francisco dos Santos
Vice-presidente: Alberto Alves
1º Secretário: Artur Machado
2º Secretário: Roberto Silva
1º Tesoureiro: Alcides Ludke
2º Tesoureiro: Florindo Paese
            Nesta mesma ocasião foi escolhido para o cargo de diretor técnico o Dr. Augusto C. Sartori.
            A fundação da Comunidade veio facilitar a assinatura de convênios com os institutos de previdência, regularizar a situação dos funcionários, permitindo um planejamento orgânico das atividades a serem realizadas.



Celulose Irani.1975 trabalhadores
 Foto sem legenda, IN: Centenário  da Imigração Italiana

Asa mulheres  do povo e a Revolução Francesa.Internet
Em relação as imagens  de trabalhadores ,devo confessar meu espanto,cada vez mais o produto substitui os produtores.Só o trabalho incorporado no produto aparece nas fotos publicitárias.Os pobres e os trabalhadores não tem a estética do pós moderno. Enquanto em tempos de Revolução Francesa  o trabalhador comum era a base de seus códigos e leis.Ele era o verdadeiro cidadão,mais do que isso era a imagem desse cidaão. Hoje a imagem do cidadaõ é um motor?.Basta olhar as imagens de hoje e de então.

Gostaria de saber os nomes dos trabalhadores que estão nas fotos. Será que alguém sabe?



Fonte desse artigo.Livro de Atas da reunião da diretoria dos sindicatos dos trabalhadores nas indústrias de Caxias do Sul. (28 de dezembro de 1977)
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012



IMAGENS DE TRABALHADORES 

Em busca da atualização  de dado sobre a  história dos  trabalhadores da região, procurei imagens em álbuns, livros e jornais.Para meu espanto o notei que na medida que passa o tempo o número de imagens de trabalhadores diminui. Como se o trabalho manual fosse um  opróbrio e os trabalhadores devessem sistematicamente ser excluídos das fotografias.
 O horror ao trabalho não é fato recente mas no Brasil eles passam a ser ignorados a partir de 1975. A mudança das imagens e das representações é assunto que os jovens pesquisadores interessados em história da fotografia poderiam pensar  em realizar.Pela carência ausência de imagens resolvi publicar algumas belas imagens do trabalho e dos trabalhadores. 

As imagens de trabalhadores rurais e urbanos  inominadas me fazem pensar um  monumento que nunca existiu e que deveria existir. Nome  :  Ao trabalhador desconhecido . Deixo a ideia para os sindicalistas e as imagens para nossa lembrança . Como homenagem e gratidão para  aqueles que são os verdadeiros construtores da civilização ocidental ,dos campos e das cidades.

AS serrarias dizimaram as matas brasileiras ,mas os trabalhadores que derrubaram as árvores estavam garantindo sua sobrevivência. Na região houve centenas de serrarias . a da Foto é de Garibaldi .cc 1900 .Fonte Bucelli
Os tropeiros da colônia Caxias  garantiram o sustento das colônias  de italianos na Serra. Tropas de 50 a 100 mulas percorriam a região , cada mula podia transportar  cerca de seis  arrobas(  14,688 kg)..Muitas vezes ficavam meses longe de casa. Deram origem a uma cultura específica.. cc 1900 Foto  Buccelli
O momento da colheita reunia as famílias de colonos  num trabalho coletivo .A safra garantia o vinho de cada dia e a comida em alguns casos também .Caxias .cc 1890 Foto AHMJSACX


Trabalhadores da  Metalúrgica Abramo Eberle .cc 1910.Fonte AHMJSACx
Uma das industrias que mais reunia trabalhadoras era a a fiação e tecelagem, ma fabricação de lombilhos e de feltros.Na foto trabalhadoras da Tecelagem Matteo Gianella ,.CC 1910 FonreAHMJSACx
Dia festivo na Metalúrgica Abramo Eberle , reunindo trabalhadores e suas famílias .cc1910Fonte AHMJSACx
Trabalhadores da Fiação e tecelagem de Matteo Gianella .CC 1915  .muitas crianças eram usadas com aprendizes ,até 1912 são encontrados tais contratos de 'aprendizagem ",na verdade eram duros contratos de trabalho. (Vide dissertação de Ramon Tissot  Unisinos ) Fonte AHMJSACx:

Trabalhadores rurais  em São Virgílio da 6º Légua., Caxias, 1930   Fonte De Boni & Costa
Colheita de Milho em Garibaldo CC 1900 Fonte Buccelli.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


A UNIÃO SINDICALISTA (1933-1940)

Saída dos operários da  Metalúrgica Abrarmo Eberle .S.A..cc 1940
AHMJSACS

A década de 30  no Brasil ,  não foi só o período de renovação política através da Revolução de 30 ,também em relação aos sindicatos houve uma movimentação maior do que nas duas décadas anteriores.
Como não poderia deixar de ser, o movimento operário em Caxias acompanhou o movimento nacional. Houve três tipos de organização  visando a reunião dos trabalhadores dos vários sindicatos da região,  entre 1930 e 1940  A união do tanoeiros ,A Sociedade União Operária (1931-1933) e a União Sindicalista que permaneceu até 1940.
Os trabalhadores acreditavam  em na frase que nas décadas seguintes serviu como bandeira “ o povo unido jamais será vencido “
A União Sindicalista foi a organização que manteve a união entre os sindicatos de várias categorias criados durante a década de trinta. Era uma espécie de CUT  caxiense
A situação nacional estava mudando de forma radical,o governo  federal  passou  a interferir diretamente na organização sindical.  A interferência se deu pela criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (Decreto nº 19.433, de 26 de novembro  de 1930 ),  pela organização corporativa das associações de trabalhadores (Decreto 19.433  de 19  março de 1931) O Decreto 19.770 e pela subordinação direta dos sindicatos ao Ministério  subordinava os sindicatos ao  Estado, vinculando seu reconhecimento à aprovação dos estatutos pelo Ministério do Trabalho, ( Decreto 19770 de 19 de abril de 1931 )
A aprovação do sindicato ficava dependente se uma carta aprovando-o;suas contas passariam a ser fiscalizadas fiscalização das contas do órgão sindical.O governo poderia fechar o sindicato e destituir sua  da diretoria, e até  fechar a  entidade.
            A legislação vigente (decreto nº. 19.770, de 19 de abril 1931) não permitia este tipo de organização, que reunisse trabalhadores de diferentes categorias. A impossibilidade de sua legalização  esvaziou o movimento operário.
Novas leis, novos decretos e  direitos são consolidados. Foram instituídas a convenção coletiva de trabalho; ( nº 21.761, de 23/08/1932 ), as Juntas de Conciliação e Julgamento,para julgar os processos dos trabalhadores sindicalizados. (decreto 22.132, de 25/11/1932) Antes os trabalhadores grevistas eram julgados pela justiça comum.    Foi reconhecido o direito de férias remuneradas. O Estado  registra como concessão  e não como conquista pelas lutas dos trabalhadores
 O regime corporativista adotado por Vargas,se baseou na Carta Del Lavoro de Mussolini. .Não tem semelhança com a organização norte americana do trabalho. Os patrões como os trabalhadores deveriam ter seu sindicato e só por meio deles poderiam mover   ações e as convenções coletivas. .Os patrões  apesar das muitas reclamações ,por parte dos empresários tanto paulistas como gaúchos   aderiram  à nova legislação. Logo são registradas  suas  entidades sindicais   como evidenciam   os boletins do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio,( n° 11 de julho de 1935, e de n° 31, de março de 1937.)
            A União Sindicalista existiu no período compreendido entre 1933 e  1940,  de fato e não de direito. Os sindicatos organizados através da Sociedade União Operária, compraram um a ter um prédio (de propriedade comum. A sede estava localizada na Rua Pinheiro Machado  nº  1756 , pertencendo  aos seguintes sindicatos:Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Curtimento de Couros e Peles;Sindicato dos Metalúrgicos; Sindicato dos Mecânicos e Material Elétrico; Sindicato de Vinhos, Cerveja e Bebidas em geral; Sindicato d Fiação e Tecelagem; Sindicato de Panificação e Confeitaria e aos Sindicato da Construção e Mobiliário

 Além do prédio comum a A União Sindicalista oferecia assistência jurídica, médica e odontológicas conjuntas. O mesmo corpo de funcionários administrativos funcionava junto a todos os sindicatos.
Além desses serviços a União Sindicalista organizou uma escola noturna para trabalhadores que foi inaugurada em 11 de abril de 1934.  A solenidade de a inauguração foi presidida pelo Prefeito Municipal Coronel Miguel Muratore . Ele atendeu ao apelo da  União Sindicalista  mandando “ fornecer algum material de ensino e compareceu a sede daquela associação operária onde se achavam reunidos cerca de 300 operários”.
A notícia publicada no jornal “O Momento” de 12 de abril de 1934 e demonstra que a atividade da União Sindicalista tinha o apoio do poder público tanto é que convidou para dirigir a escola que ele acabava de fundar o tenente Artemim Karan.
            O curso de alfabetização funcionava na sede da União Sindicalista  tinha   cerca de 40 alunos. A ampliação da escola tornou-se necessária. O presidente da União Sindicalista Alfredo J. Von Hohendorf informou ao prefeito que não era mais possível inscrever mais alunos visto  que havia apenas um professor ,sendo necessário abrir outra turma.
Uma das raras  fotos da greve de operários  operários .1917 Internet
Diante disto Miguel Muratores solicitou ao Sr. Augusto Carvalho, diretor da Instrução Pública do Estado a designação de outro professor público para permitir o regular andamento do curso. Como é possível observar foram designados professores públicos para o atendimento do curso de alfabetização promovido pela União Sindicalista.
            A União Sindicalista constituiu o “corpo” dos sindicatos. A leitura de atas revela que líderes Sindicais de categorias diferentes participavam e presidiam as reuniões e assembleias de outras categorias. Esta simbiose sindical, que reunia de fato 7 sindicatos, e direito não tinha existência de , provocou sérios problemas junto às instituições de assistência e previdência. Os funcionários deveriam ter suas carteiras de trabalho assinadas pelas sete diretorias dos sindicatos.
As tentativas de legalizar a entidade foram inúteis  .Finalmente a entidade como as outras congêneres  foi desqualificada pela lei 1402, de 5 de junho de 1939 (CLT)
A União foi  extinta em 3 de outubro de 1940. (ata n 109 sindicato dos Metalúrgicos ). A extinção da União Sindicalista foi um ato ,  paradoxal, como poderia um decreto extinguir uma organização inexistente sob o ponto de vista legal? Mas foi o que aconteceu. No Brasil nem sempre as leis são claras. Foi o que foi realizado.
A União Sindicalista foi extinta, mas a União física dos sindicatos permaneceu unidas por mais tempos na mesma sede.Mas , cada um deles teve que se estruturar  de forma individual.

Uma das raríssimas pinturas representando operários, Tarsila do Amaral ,1933.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012


TENTATIVAS DE UNIÃO
A SOCIEDADE UNIÃO OPERÁRIA (1931-1933)



Primeira sede da União Operária. Rua Pinheiro Machado . foto de 2012

            No dia 12 de novembro de 1931, no quiosque existente no Parque Cinquentenário de Caxias, reuniu-se um grupo de operários de várias categorias, com a finalidade de organizarem a Sociedade União Operária.
            O grupo se organizou seguindo o exemplo da União dos Tanoeiros, que conseguira algumas vantagens em relação a salários e jornada de trabalho com seus movimentos de paredistas.
            A Revolução de 30 ainda não conseguira se estabilizar por causa da resistência paulista.As novas leis ainda não havia sido baixadas ,era um momento de transição . Em Caxias, o intendente Coronel Miguel Muratore e o Subchefe de polícia Odone Cavalcanti apenas tratavam de manter a ordem pública. Assim os movimentos de operários pareciam desrespeitar as leis , e as medidas do poder público municipal  era no sentido de impedir suas reuniões  e colocando a policia para dispersar os pretensos  desordeiros.
Os operários temiam a ação do governo municipal porque o momento não era de normalidade democrática. Para prevenir-se de alguma ataque da polícia os operários que estavam organizando a União Operária enviaram ao  Intendente um ofício notificando-o da finalidade da reunião.Por desconhecerem as normas então  vigentes no município, não enviaram  um ofício de notificação da reunião ao delegado de polícia Otto Engel. O delegado como era costume então mandou prender os operários reunidos no Parque Cinquentenário

 Durante a Primeira República. O tratamento dado aos trabalhadores era a violência e a agressão física. Vários dos movimentos paredistas no Brasil foram terminados com massacre de seus participantes.
Agenor da Silva era uma dos participantes da reunião .Nasceu em Santa Maria em 26 de fevereiro de 1902, participou da  reunião da Sociedade União Operária, bem como da  primeira diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Carpintaria e Artes Correlativas. Em 26 de agosto de 1982. Deu um depoimento importantíssimo para elucidar o episódio.
Agenor  que era o orador oficial da União e um dos seus fundadores , foi preso junto com os outros participantes da reunião Os operários  prestaram  depoimento na Delegacia de Polícia.  A Delegacia de Polícia funcionava no prédio da Intendência Municipal , situado na Rua Visconde de Pelotas (  (atual Museu Municipal). O Delegado julgou que se que a reunião fosse um movimento subversivo. Diante das declarações dos detidos e como eles não tinham pretensões subversivas, não havia motivos para mantê-los presos , e logo após  foram liberados  .Mas a história não estava completa contaram  alguns  dos líderes presentes na reunião,  os policiais que os prenderam teriam recolhido o arrecadado pelos operários>o dinheiro foi  levado e seu  destino  desconhecido.
Sede da União Sindical na  Rua Pinheiro Machado . Construída em 1940 2012

 A Ata de fundação da  Sociedade União Operária afirma “não tem outro alvo a não ser interesse da classe operária”.  O operariado brasileiro estava envolvido na luta pelas jornadas de oito horas de trabalho,  e pelo salário justo .Outras reivindicações moviam  a União Operária  como a questão social , aposentadoria e pensões pelas quais os movimentos nacionais de trabalhadores lutavam.
             Sua primeira diretoria foi constituída por:
Presidente: Adelino Tronca
Vice-presidente: Carlos Klipel
Primeiro Secretário: João Accordi
                        No dia 15 de dezembro de 1931, a Sociedade União Operária realizou uma sessão na sede do Esporte Clube Lusitano. O clube ficava situado na Rua Marechal Floriano, na quadra situada entre as ruas Tronca e a  Sarmento Leite. Para a reunião  foram convidadas  autoridades  entre elas o Intendente, o Subchefe de policia e o
Delegado. A sessão solene foi marcada pelo oficialismo. A presidência da mesma foi concedida ao intendente e para secretaria-la foi designado o advogado Alexandre Ramos.
            Em nome dos trabalhadores falou Evangelista Pires, que afirmou “as verdadeiras finalidades da sociedade era de amparar dentro da ordem e da lei os direitos sagrados que assistia a cada um dos seus membros associados e terminou declarando que humildes eram, mas humilhados nunca”. (ata da sessão solene e extraordinária da Sociedade União Operária  de Caxias )
 As palavras  mais pronunciadas eram o período as palavras “ordem” e “lei” .. Não faltou nem .uma ode ao progresso ,que foi  O discurso do Subchefe de polícia. Seu discurso foi uma elegia a Augusto Comte, “concitou o operariado presente a se congregar dentro da ordem e da lei, como até aí estavam fazendo, e teriam então incondicional apoio do Governo, a quem representava no momento (ata da sessão solene).
            Nas palavras dos operários e na das autoridades a mesma preocupação : a legalidade da ação. No discurso das autoridades,porém  há uma ameaça velada, que o uso condicional revela. O apoio oferecido pelo Governo dependia da submissão da União às leis vigentes.
            A diretoria recém-eleita teve curta duração. Segundo Agenor da Silva líder dos carpinteiros, a prisão do grupo abalou a saúde do presidente, que se retirou da sociedade. Para a União a saída de Adelino Tronca representou um golpe para o movimento, pois ele era “ uma pessoa de nome na comunidade”.
            No dia 17 de julho de 1932 foi designada uma diretoria provisória composta por Evangelista Pires, presidente, Henrique Tonolli, Vice-presidente e  Octávio Rodrigues de Lima, como primeiro secretário.O tempo passa e a União permanece apenas no papel .
            A nova diretoria entra em contato com os fiscais do Ministério do Trabalho visando à oficialização da sociedade. Os representantes do Ministério participaram da assembleia que foi realizada no  no dia 6 de novembro de 1932. Três semanas mais tarde foi  formada uma comissão para entrar em contato com a antiga diretoria, para  a prestação de contas
            No fim do ano de 1932 a Sociedade está funcionando em sede alugada. O movimento operário se amplia, são indicados representantes da sociedade para atuarem junto às indústrias da cidade.
            A diretoria designada sofre desfalques de alguns de seus membros, sendo escolhido Agenor da Silva para tesoureiro.
            Da sociedade União Operária faziam parte  as seguintes categorias:
1.  Sociedade Operária da Carpintaria e Artes Correlativas, que possuía 82 associados;
2.  Sociedade dos Tanoeiros, com 48 associados;
3.  Sociedade dos Metalúrgicos, com 82 associados;
4.  Sociedade dos Operários da Construção Civil, com 22 associados;
5.  Sociedade dos Operários em Curtume, com 10 associados
6.  Sociedade L.F. (alimentação) com 20 associados.;
7.  Sociedade .E.P.C.C. (tecelagem) com 32 associados
8.  Técnicos em Cantinas, com 36 associados
9.  Outros com 6 associados
Assim a Sociedade União Operária em 1932 possuía  332 associados de 9 categorias diferentes.
Nos anos de 1932 e 1933 são criados os sindicatos do mobiliário, dos metalúrgicos, da alimentação e de curtição em peles. Com a criação dos sindicatos a União Operária não deixa de existir, a União Sindicalista vai dar continuidade a organização.
A União Operária foi subsumida pela União sindicalista .os operários com a consolidação da legislação trabalhista e com a criação do Ministério do Trabalho passara de entidade de luta das categorias a  entidade de apoio ao poder constituído .




Sede dos Sindicatos reunidos .Foto de 2012 





quarta-feira, 29 de agosto de 2012


 FIM DA UNIÃO OPERÁRIA 

Local onde se refugiaram os grevistas tanoeiros de 1930.Relatório de Celeste Gobatto

Entre 1982 e 1984, a professora Heloisa Bergamaschi e eu desenvolvemos uma pesquisa  na Universidade de Caxias do Sul sobre o poder político regional .A pesquisa acabou se centralizando nas relações patrões e operários  e, portanto nas suas organizações sindicais.si
 Durante dois anos  falamos com os  principais lideres  da região  que haviam encabeçado os movimentos paredistas regionais( então raros ).Ainda hoje, passados tantos , Cada vez que eu passo na frente das casas dos entrevistados  lembro do dia em que com eles falamos e o que foi dito . Infelizmente a grande maioria já morreu. Em geral as pesquisas não deixam marcas tão profundas, mas,  aquelas deixaram
As entrevistas então eram feitas com gravadores com fita cassete.As gravações ,por causa das mudanças tecnológicas foram superadas,por outro lado, naquele tempo não se contava com bolsistas para o trabalho de degravação .Assim, as fitas foram ouvidas e seu conteúdo apenas sintetizado.Passado o tempo,  as fitas ficaram sem proveito e o rico material que continham se perdeu.Por outro lado então não se contava com as máquinas digitais de fotografia ,nem com os recursos hoje existentes para a reprodução de imagem e som. Assim sobra a memória , que nem sempre é fiel , as lembranças reproduzem de forma fiel as palavras  dos entrevistados.
Conseguimos entrevistar dois dos antigos tanoeiros uma deles era  Ernesto Gobato.Ele morava numa confortável residência na Avenida Itália .Já entrado em anos ,tendo mais de oitenta deu um comovido depoimento sobre a União Operária dos Tanoeiros  Quando jovem ,começou como aprendiz,  logo aprendeu a profissão de tanoeiro,foi então que entrou  para a União.Mais tarde abriu apropria tanoaria e se tornou patrão. Mas ao recordar os tempos de União lembrou-se de detalhes que nãoconstam das atas daquele sindicato. Ao lembrar se daqueles tempos da greve falou da amizade que unia o grupo, todos vivendo o  ideal de “sem pátria  e de patrão” dos anarquistas Lembrou  se da ajuda  mútua que entre eles existia  e da beleza que era viver com tais companheiros sob tais princípios.Sob a face do velho industrial apareceram em seus olhos lágrimas de saudade  e de dentro dele surgiu  o jovem tanoeiro  que fizera a sua primeira greve . Disse nos ele “Ai nesse parque disse ele nós nos refugiamos da polícia, que veio da capital para nos atacar.” Contou também que o Parque inaugurado por ocasião do cinquentenário da chegada dos imigrantes italianos na região era o fim da cidade, lugar sem luz e deserto ,pois, era o fim da cidade , atrás dele havia só havia mata e  perau.


Cada vez que eu passo pela Avenida Itália me lembro das palavras de Gobato :”então sim seguíamos os ensinamentos de Cristo..Éramos verdadeiros cristãos e acreditávamos realmente  e vivíamos a igualdade “ Incrível como Cristo serviu a muitos propósitos e  a muitas bandeiras.
Outro entrevistado foi Evangelista Pires,ele fizera parte da União tendo ocupado o cargo de presidente. Depois do fim da União ele ingressou em outro ramo de atividade passando para os metalúrgicos,onde se aposentou .Evangelista não teve a mesma experiência que Gobatto  em relação à União .e era ligado aos patrões  Contou-nos como do medo que  sentiu na noite da greve escondido da Brigada no Parque Cinquentenário.
O Parque Cinquentenário em 1925 marcava o fim da cidade no lado Oeste,Foi construído pelo Intendente Dr. Celeste Gobatto ,para marcar as comemorações dos cinquenta anos da chegada dos imigrantes italianos em Caxias. Foi inclusive construído um monumento para marcar a efeméride.
           
Em cada cantina dos  trinta havia  a obra dos tanoeiros Foto àlbum

            No dia 15 de julho de 1931 a situação era grave, os tanoeiros não podiam pagar o aluguel da casa na qual estava sua sede. Um camarada que estava com as mensalidades atrasadas propõe-se a paga-las e justifica o não pagamento afirmando que “não pagou suas mensalidades, por motivo de uns dizerem que  a associação viria abaixo, e também por ver uns pagar e outros não”
Em  1932,foi comemorada  na União,  o segundo aniversário da greve de 1930.A entidade já  havia sido modificada internamente, devido  a pressões externas. A comemoração contou com a presença de autoridades civis e militares.
            No dia primeiro de maio  o Prefeito Coronel Miguel Muratore quem  presidiu os trabalhos comemorativos. A paz, a ordem e harmonia com as autoridades foram  destacados pelos oradores tanoeiros. Manoel da Rocha Moreira afirmou: “que dentro desta sociedade nunca se pregou num se pregará ideias que arrastem a desgraça aos nossos lares, como estava sendo afixado nos ouvidos das autoridades”. Estas declarações demonstram o temor que os tanoeiros sentiam, obrigados que foram  a ceder seus ideais  ao poder constituído.Nesse mês mês ,foi empossada a nova diretoria  que ficou  composta por:
Presidente: Manoel da Rocha Moreira
Secretário: Eugenio Boff
Tesoureiro: Frederico Tonietto
             No mês de agosto do mesmo ano,  foi  formada uma comissão para tratar com o representante do Ministério do Trabalho. O código do trabalho foi discutido em  Assembleia Os tanoeiros deveriam adequar-se as novas normas do sindicalismo oficial Em setembro de 1932  tentam uma nova paralisação, mas  a   Intendência  interfere e a questão de preços deixa de ser resolvida .
 Em 8 de janeiro de 1933 a União se reúne, nesta data para eleger a  nova diretoria, cujo presidente é Eugenio Boff, secretário Adelino Mano e tesoureiro Alfredo Milani.
            O trabalho da organização do sindicato foi a principal  ação da nova diretoria, que passa a fazer uma campanha para que os associados da União se vinculem  ao novo organismo. No mês de fevereiro os tanoeiros votam favoravelmente ao ingresso no sindicato. (ata nº. 48). Os tanoeiros aplaudem a um companheiro que “mostrou que estamos bastante atrasados e com isto, achava que acarretava prejuízos à classe”
Pipas de todo o tamanho eram obras dos artífices.Foto Álbum

            O primeiro de maio de 1933 já comemorado no Teatro Central, com os demais sindicatos, sendo  nomeado um orador oficial para  a ocasião, este foi  o advogado do sindicato, Dr. Paulo Rache.  Neste mesmo  mês ficou decidida nova mudança de sede que  será a mesma dos demais sindicatos, União Sindicalista. A nova sede estava situada  na rua Pinheiro Machado 1756. No mês de outubro as mensalidades  foram reduzidas de três mil réis para um mil réis, pois, os associados tinham de contribuir para três associações: a União dos Tanoeiros, a Cooperativa da União Sindical e para o Sindicato.
            No ano de 1934 a União não  reúne sua  Assembléia Geral. Só no dia 14 de agosto de 1935 foi  convocada  a eleição de diretoria, sendo a presidência assumida por Gildo Luciano, a secretaria por Marcelino Stalivieri e a tesouraria por Alberto Nichele .No ano de 1936 só ocorre uma reunião no dia 30 de julho e nesta assembleia é decidido que os associados não mais pagariam as mensalidades para a União, a transcrição desta ata é essencial.
Abertos os trabalhos, pelo sr. Presidente, este com a palavra, declarou que convocou  presente reunião, atendendo ao pedido de muitos associados, em vista, de existir agora um sindicato dos operários tanoeiros, já devidamente oficializado e com os seus estatutos registrados no Departamento Nacional do Trabalho, no Rio de Janeiro, tendo portanto plenos e amplos poderes de pessoa jurídica e assim perfeitamente apto para defender os direitos e interesses de seus associados perante a legislação vigente. Considerando que todos os sócios da União dos Tanoeiros são simultaneamente sócios do Sindicato. Considerando que a União dos Tanoeiros, já não tem mais maior utilidade, por não ter faculdade de fazer defesa das questões enquadradas nas leis sociais, que passou a ser exclusividade do Sindicato, considerando mais que foi fundado o consórcio profissional-cooperativa e neste todos os associados  da União e do Sindicato terem ingressado neste Consórcio”.

            A mensalidade da União foi  transferida para o consórcio, mas a União não deverá ser extinta “em vista de ela possuir um patrimônio” (ata nr. 54). A última ata da União data de 8 de janeiro de 1937, a Assembléia foi convocada para decidir sobre a manutenção ou retirada de um empréstimo de um conto de réis, com juros anuais de 6%, à União Sindicalista, “destinado este dinheiro para a compra da sede desta entidade, ficando assim sendo esta a sede comum de todos os sindicatos filiados à União Sindicalista .Até os hoje parte dos antigos sindicatos reunidos ainda   lá se encontram.