quinta-feira, 26 de abril de 2012


SUBSÍDIOS PARA A  HISTÓRIA DA FORQUETA 


Estação Ferroviária de Forqueta ,foto atual.O prédio que  serve hoje como oficina mecânica . data de 1909.



              No seu inicio a história de Forqueta não se confunde com a de Caxias. Caxias surgiu de uma colônia imperial, Forqueta  de uma colônia particular.
As colônias imperiais eram de responsabilidade exclusiva do  governo imperial brasileiro . O governo do Império dirigia  a organização e  a administração das colônias, tanto na sua demarcação como na venda dos lotes para os colonos, na divisão das terras ,no transporte ,na  localização dos imigrantes, na sua estada nos barracões  nos lotes.O governo central por meio  do Ministério da Agricultura e das Secretárias da Agricultura nas Províncias distribuía os títulos de propriedade ,bem como controlava a cobrança das   dos colonos.
             
      As colônias particulares eram doações de sesmaria que o  imperador fazia  para determinado proprietário.O recebimento das sesmarias era devido  a serviços prestados, amizade com as autoridades provinciais ou poder político regional. Forqueta nasceu de uma sesmaria que foi loteada e vendida aos interessados. A chamada colônia Sertorina onde Forqueta se localizava era Luís Antônio Feijó Júnior. Ele havia recebido do governador da Província três  léguas,correspondia  a um quadrilátero de l5 quilômetros e 45 de comprimento.
Feijó Júnior que era chamado pelos colonos de Conde recebera a sesmaria como prêmio pela entrada que subira a íngreme encosta do planalto  descobrindo o chamado Campo dos Bugres.Ali os índios faziam corridas e ‘ outonavam’ para usufruir  a safra dos nutritivos pinhões.
           
      As colônias particulares de acordo com a política imperial de terras ficavam situadas entre as colônias oficiais. Além de premiar seus donos tinham como objetivo separar os imigrantes que viviam em núcleos próximos. A separação tinha como meta  a segurança provincial. Se um grupo de imigrantes se revoltasse a rebelião nãos e alastraria para as outras colônias.  Feijó Júnior chamou sua gleba de terra de colônia Sertorina, em homenagem ao presidente da Província Major Dr. João Sertório, que lhe propiciara a doação das terras
Ao centro a colônia Sertorina de Luís Antônio Feijó Júnior

 Ele era fazendeiro dono da fazenda Estaleiro situada nos Campos de Cima da Serra. (hoje Bom Jesus). Durante alguns anos deixou abandonada sua sesmaria,que se situava entre a Quinta Légua da Colônia Caxias e a Colônia Dona Isabel(Bento Gonçalves).
     Em l88l, Feijó  voltou para Caxias verificou o crescimento da população julgou que estava na hora de explorar suas terras. Organizou uma empresa para a venda de lotes. Abriu serrarias e olarias.Entra em contato com as autoridades para que a estrada a ser aberta entre Caxias e Bento passe pelo centro de suas terras.
            Feijó manda abrir picadas para poder entrar em suas terras e em l883, já eram  trinta as famílias de imigrantes que haviam nelas comprado lotes. Cada vez e maior o número de compradores de lotes na Sertorina. As linhas vão se povoando e recebendo nomes uma se chama Feijó em homenagem ao proprietário,outras linhas  tomam o nome de Julieta, São Marcos, Palmeiro, São José .Saber exatamente quantos lotes foram vendidos é difícil ,mas é possível calcular que sejam cerca de 2500 lotes ,com uma área de aproximada de 25 hectares.
     As escrituras de  compra e venda dos lotes da colônia de Feijó são registradas em cartório situado em São Francisco de Paula. O cartório incendiou-s tendo sido  sendo destruídas as fontes para a história da Colônia Sertorina.                          
   Quando Feijó morre em 13 de setembro de l893 suas terras já estavam sendo povoadas. O núcleo mais importante era o da Linha Vicenza, mais tarde chamada de Nova Vicenza(Farroupilha) que em l890, tornara-se distrito do novo município que então fora  criado:o de Caxias.
            Foi nesse mesmo contexto que na Linha Feijó foi se formando o núcleo de Santo Antônio da  Forqueta ,sempre confundida com a Forqueta Baixa, que era o nome da 1ª Légua da antiga colônia Caxias,que era realmente uma confluência entre o arroio do Ouro e o rio Cai.
         A história de como a família Feijó perdeu as terras que pertenceram a Feijó  Júnior é um capítulo de história que ainda não foi escrita.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

QUILOMBOS NA SERRA!

Cotiporã : a Serra e os morros  adequados aos quilombos. 

Houve quilombos na Serra Gaúcha? A resposta é sim! Mas ,antes de tudo é preciso definir quilombo.  Quilombo significa aldeia em  quimbundo. Quimbundo é uma língua do grupo banto, falada em Angola, antiga colônia portuguesa na África. Os bantos  são povos que vivem ao  Sul do Saara. Sua identidade é mais  linguística do que   antropológica,os bantos estão subdivididos em   cerca de 400 subgrupos.  Antes da invasão europeia estavam reunidos em reinos como o de Monomotapa,com construções megalíticas. 
 Muitos dos escravos trazidos para o Brasil  eram  bantos (congo, benguela etc.). Sua língua foi importante na formação do português falado tanto na África como no Brasil. Muito  do vocabulário atual do português que é falado no Brasil tem origem  banto. Mais especificamente, se origina do idioma quimbundo, uma das línguas nacionais de Angola. Algumas palavras hoje usadas no Brasil tiveram sua origem no quimbundo, como abacaxi, bamba, camundongo, canjica, cochilar, dendê , farofa ,fubá ,maconha muamba, mucama ,quitanda, quitute, samba, senzala,tanga e umbanda, para citar algumas. Nada menos que 20% do vocabulário usado no Rio Grande do Sul têm origem africana.
Mas voltando aos quilombos, foram o maior símbolo da resistência  africana no Brasil.Na aldeia  se concentravam os escravos que fugiam das fazendas,das minas e casas de família, onde eram explorados e sofriam maus tratos. 
O mais importante quilombo foi o Palmares ,situado em Alagoas ,hoje corresponde ao município de União de Palmares.O Quilombo durou mais de Durou mais de um século atingiu  seu apogeu na segunda metade do século XVII .Liderado por Zumbi ( chefe espiritual e líder político ) foi destruído por   Domingos Jorge Velho  no ano de 1694  . Macaco que era sua sede foi totalmente destruída. Zumbi consegue fugir, mas traído por um antigo companheiro e entregue aos lusos foi  degolado em 20 de novembro de 1695,taos 40 anos de idade,
Santa Lúcia do Piai,onde havia um  quilombo!
 No Brasil foram levantados 136 quilombos. Mas, ao que tudo indica, seu número é muito superior. Ao que tudo indica existem cerca de 2.500 comunidades quilombolas no Brasil, das quais apenas 65 receberam título desde 1988. As comunidades quilombolas atuais tem a posse, mas não a propriedade da  terra onde vivem há muitos anos. Tal número não é indicador dos quilombos brasileiros, mas da concentração de africano liberados pela Lei Áurea em 1888. Ainda assim serve como  indicador das possíveis povoações formadas também  pelos escravos .Que preferiam ficar unidos para o que desse e viesse.
No Rio Grande do Sul, teriam existido sete quilombos, sendo eles: o do negro Lúcio, situado na ilha dos Marinheiros (Guaíba); o do Arroio (em Arroio dos Ratos); o da serra de Tapes; o de Manuel Padeiro; o de Rio Pardo; o da Serra do Distrito de Couto e o de Montenegro. Ao que tudo indica, seu número é muito superior,já que existem outras comunidades que tiveram quilombos .Uma delas é o da Mormaça, situado no Norte do RS, comunidade com mais de 150 anos de existência, que reúne cerca de 18 famílias, numa propriedade de 15 hectares. Trabalham na agricultura, cercados por colonos de origem italiana das colônias de Araújo e Miranda ,com os quais estabeleceram relações difíceis.
             Em compensação havia um quilombo , situado nas matas ao sul da sede da São Pedro de Alcântara .(Torres) Que  se chamava de canhamboras (os que fogem para o mato em guarani) .Por outro lado  nomes de lugares como Morro dos Negros, rio dos Negros e a  cachoeira dos Negros , revelam sua passagem pela ,região da quais foram desalojados pelos brancos em 1849. Tais dados constam de relatório do agrimensor Charles Pompé Démoly (1859)
     
As comunidades atuais de  quilombolas têm sua origem em antigos quilombos ou então em grupos de escravos libertos que permaneciam nas mediações  de antigas fazendas. No Rio Grande do Sul,  segundo Moura   teriam existido sete quilombos, sendo eles :o do negro Lúcio situado na ilha dos Marinheiros(Guaiba) ; o do Arroio ( em Arroio dos Ratos) ; o da serra de Tapes; o de Manuel Padeiro ; o de Rio Pardo; o da Serra do distrito de Couto; o de Montenegro. Mas existem outras comunidades   que possuíram quilombos ,ou pelo menos guardaram o nome de sua  origem.
No estado foram  encontrados na outros. Como o da Mormaça     situado ao norte do Estado  comunidade negra formada por 18 famílias .O grupo vive na região há cerca de 150 anos ,numa propriedade de 15 hectares comprada por uma ex-escrava de nome Mormaça. O grupo vive da agricultura cercado por colonos de origem italiana das colônias de Araújo e Miranda ,com os quais estabelecem relações difíceis.
Um dos quilombos mais conhecidos na região serrana é o “Morro dos Baianos,  Cerro dos Baianos ,Quilombo dos Baianinhos ou ainda Morro do Céu, como é conhecido atualmente é uma montanha de origem  basáltica  com altitude de 530 metros aproximadamente ,que se localiza em Cotiporã. No inicio do século XX viviam da agricultura  cerca de 20 famílias provenientes da Bahia . Seu líder era   o patriarca   Ezequiel  Gonçalves da Cruz ,conhecido como “o velho perna de pau”, era casado com Angélica Gonçalves da Cruz, tiveram sete filhos :Antônio, José ,Albino,Olívio, Ezequiel ,Angélica e Maria. Mal visto pelo povo da região o grupo se dispersou, não existindo remanescentes de sua passagem.
Outro quilombo parece ter existido na antiga fazenda da Pratinha ,em Nova Prata ,nas terras  da sesmaria de Placidina Vieira de Araújo, grande proprietária da região. Hoje moram no local cinco famílias descendentes do casal Paula  Gonçalves dos Santos e de Pedro Gonçalves dos Santos .Em 1999 o grupo quilombola  conseguiu o  registro de  12,5 hectares do  lote 17 ,da Fazenda da Pratinha ,pertencentes ao estado do Rio Grande do Sul. Pedro Gonçalves dos Santos era ligado ao grupo dos “baianos” ,seu pai Luis Neves,  era conhecido como   Luis Baiano.
            A causa da vinda  dos baianos à Serra Gaúcha é desconhecida, mas algumas hipóteses podem ser levantadas:  a primeira é que seriam escravos fugidos ou quilombolas. A segunda poderiam ser desertores das muitas lutas ocorridas no sul , tendo o Rio Grande do Sul como ponto de passagem ou de disputa, como as guerras Cisplatinas ( 1910-12 e 1925-26);  a revolução Farroupilha (1835-450 ;a guerra contra Rosas (1850-1853) e a guerra do Paraguai(1865-70).Uma terceira uma  hipótese é sejam  descendentes dos malês baianos .
 Outro quilombo conhecido como São Roque é  citado Weimer, tendo sido formado por escravos fugidos das famílias serranas dos Fogaça, Nunes e  Monteiro .Ruschell cita um em Morrinhos e outro em Torres. Em Criúva, distrito de Caxias do Sul, anteriormente pertencente a São Francisco de Paula há um local  chamado Quilombo, onde outrora viviam negros, mas na região já não restam descendentes .Pesquisas realizadas no local ,que é de difícil acesso não conseguiram levantar  dados sobre a história do lugar, foi  apurado  que a última habitante do lugar,  uma negra, com mais de 110 anos teria morrido no ano de 2000.
Escavações recentes realizadas em Palmares  revelam a estreita  relação entre africanos ,nativos e lusos Pesquisas sobre tais quilombos( especialmente as arqueológicas) trariam por certo mais informações sobre o   tema,tão descurado pela historiografia gaúcha no século XX..

Merecem consultas :



OLIVEIRA, Vinicius Pereira de. De Manuel de Congo a Manuel de Paula: um africano ladino em terras meridionais. Porto Alegre: EST, 2006.
Revista Cultura e Extensão .IN: _HYPERLINK http://www.usp.br/prc/revista/entrevista.htmlp1"_http://www.usp.br/prc/revista/entrevista.htmlp1_
SANTOS, Reginete Bispo. O quilombo de Mormaça. IN:FERREIRA, Antonio M (org). Na própria pele . Porto Alegre: Corag, 2000. p. 56. 





Bantos escravizados. 

A Serra cercada de fazendas

quarta-feira, 4 de abril de 2012

MAÇONARIA: RASTROS E TRAÇOS.

Templo maçônico no Parque dos Macaquinhos -Caxias do sul 2012


Uma das mais importantes obras de irmãos em Caxias foi a criação da Universidade de Caxias do Sul. Sem a influência do Dr. Virvi Ramos no governo Costa e Silva , dificilmente teria sido criada a Universidade de Caxias do Sul. Alguns  maçons caxienses tendo a frente o Dr. Virvi  fundaram os cursos de Direito e de e Medicina e Belas Artes . Por outro lado, a Mitra Diocesana de Caxias do Sul por meio do seu bispo Dom Benedito Zorzi fundou as Faculdade de Ciências Econômicas  (Administração ,Economia e Contábeis)  a Filosofia ( Filosofia ,Pedagogia, Letras, História e Geografia) . Foi direta a ação da Igreja e da maçonaria na criação dos cursos superiores da região, que resultaram na fundação da Universidade de Caxias do Sul, que bem ou mal mudou os rumos da região. Durante muitos anos a divisão dos cursos foi clara,mas  a convivência  tem sido  tranquila  e produtiva.
A luta pela hegemonia regional teve assim  resultados positivos, ao contrário do que havia acontecido nos primeiros anos do povoamento regional.  O pensamento hegemônico regional  foi traçado pela Igreja ,que com seu contingente de antigo padres e seminaristas ( que em geral abandonaram a batina) que lideraram ( e lideram) a antiga Faculdade de de Filosofia.O que determinou os rumos dos primeiros cursos superiores especificamente na formação de professores,e,  portanto ,na própria educação regional. Já o poder dirigente regional traz a clara marca da Maçonaria da qual o traçado da Praça Dante é apenas um símbolo.
Hoje na antiga Região Colonial Italiana do RS há poucas lojas maçônicas. A hegemonia absoluta fica com Caxias do Sul seguida de Bento Gonçalves. Hoje na cidade há cerca de 10 lojas e 3.000 maçons.  São cinco as  do rito escocês. lem dessas  Há ainda ARLS Duque de Caxias III Milênio - GOB ; ARLS Fraternidade IV - GORGS - REAA,  e,  ainda :
Loja
Associados
Serra Gaucha
239
Os Templários II
156
Pedestais da Gloria
132
União e Fraternidade
96
Marechal Deodoro
31


Existe  ainda a  Loja Concórdia e a  Vale dos Vinhedos  de  Bento Gonçalves ,a última com 221 membros.Em Antônio Prado há  a Paese Nuovo.
         Há traços da Maçonaria em vários lugares.Um dos mais significativos e na capela de Santa Lúcia( hoje situada na urbana) construída em 1914 e que traz n parte fronteira  os símbolos da a irmandade.A capela mereceria um estudo cuidadoso.Há poucos anos a Mitra tento demolir o prédio ,as a população se uniu e não permitiu que a capela intrigante fosse demolida.Antigamente havia muitos outros rastros.O mais evidente ficava na Praça: era  antigo Cinema Guarany.

Cinema Guarany,com a simbologia evidente. In:Adami.

Entrada principal do Templo .



Desenho atual da Praça Dante ,após a a reforma .Ainda são visíveis os símbolos da desenho sagrado.





Capela de Santa Lúcia com os símbolos maçônicos.

quarta-feira, 28 de março de 2012

MAÇONARIA :UMA NOVA ORDEM

               Há em relação à Maçonaria há  fatos que mereceriam estudos aprofundados  um das quais é a inexistência de lojas nos Campos de Cima da Serra. Na verdade  a primeira só parece ter sido fundada no século XXI. Isso constitui um enigma já que muitos dos irmãos de Caxias eram fazendeiros daquela região.
Alguns dos nomes que constam das Lojas regionais ocuparam cargos importantes na administração regional, e estão  listados nas tabelas abaixo.

DIRIGENTES DA   LOJA FORÇA E FRATERNIDADE CAXIAS 1888-1902
Nome
Profissão
Francisco J. Salerno
Dentista?delegado
Alexandre Canalli
Empresário
Ângelo Chitolina
Empresário
Antonio Pieruccini
Empresário
Cristiano  Horn
Fazendeiro
Felice Gavioli
Agricultor
João Muratori
Funcionário público
José Domingues de Almeida
Funcionário publico

          Salerno foi delegado na região e líder das revoltas que abalaram Caxias quando da instalação do município.em 1890.José Domingues de Almeida foi secretário do município durante muitos anos .Ângelo Chitolina era empresário e membro da primeira  da Junta Governativa, da qual o líder católico Nicolau Sartori também fazia  parte.  Fazia parte da política de Júlio de Castilhos unir dirigentes de cores políticas diversas nos novos municípios Nada como dividir para reinar.. 
Em relação a Bento Gonçalves digno de nota é o fato que a grande maioria dos dirigentes  maçons eram de origem lusa,ao contrário de Caixas onde a maioria era italianos. 
Mas nos dois municípios  os maçons eram liberais ao contrário da maioria da  conservadora população .O domínio da Igreja prevaleceu nos primeiros anos da República!O que levou (ao menos aparentemente)  ao adormecimento das lojas. As fontes sobre o tema  não são conhecidas. Mas, podem existir!



DIRIGENTES DA LOJA CONCORDIA
BENTO GONÇALVES 1891-1894
João Pereira Leite
Alfredo Lima Bento
Domingos Mincarone
Antenore  Zanoni
Ataliba Emilio Inácio Rossler
Antonio Gomes Ferreira filho
Antonio Joaquim Marques de Carvalho Jr
Artur Job
Augusto Goellern
Aureliano Jaime Ferreira Bastos
João Carlos Rodrigues da Silva
João Mariano Pimentel Sobrinho
João Marques da Silva Pinto



O renascimento da Maçonaria na região foi difícil.  Em 12 de novembro de 1931, foi fundada a Loja Fraternidade Terceira pelos irmãos Custet. Os irmãos Custet mereceriam estudos históricos, pois deles não restou nem lembranças.
 Nesta nova fase, poucos são os irmãos de nomes italianos. O pequeno número de italianos nas lojas  pode estar ligado à posição antimaçônica de Mussolini.,que gozava da simpatia de grande parte da população. O movimento fascista regional foi forte e envolveu praticamente toda a burguesia. Os conflitos não se dão   mais entre maçons e católico, dessa vez é entre fascistas e nacionalistas. A reação dos brasileiros contra o fascismo na região foi organizada pelas  Ligas de Defesa Nacional.Foram  criados nos Centros Cívicos,que constituíram-se  numa forma de  resistência nacional. Foi um momento confuso da vida nacional no qual o nacionalismo era a bandeira dos integralistas, dos comunistas e até dos fascistas, inimigos políticos  portavam o mesmo ideário nacionalista.Nesse impasse  foi importante foi o papel dos maçons tanto nas Ligas como na organização política regional,como sempre estavam adiante de seu tempo.
Com o fim da Guerra a Maçonaria se expande na região . Em 1945, surgiu   a loja Marechal Deodoro 31,  sob os auspícios das lojas simbólicas, nela se reuniu a elite intelectual local. De seus quadros nasceram vários líderes políticos importantes.Foram  mais discretos em sua atuação que os do final do século XIX, e  mais efetivos em suas ações.A irmandade havia passado por uma fase de perseguição e de contra-propaganda durante o Estado Novo. Vargas como seu colega italiano não apreciava outras irmandades senão aquelas  que seguiam a sua politica .

Uma das figuras importantes dessa fase do  movimento foi  Joaquim Pedro Lisboa, nascido em Rio Pardo(1887)  e que se fixou em Caxias após 1910. Funcionário Público exerceu várias atividades, sendo o idealizador das Festas da Uva. Entre suas outras realizações com Luiz Napolitano e Arnaldo Balvé em 27 de abril de 1946, a criação da rádio Caxias, a primeira da região.A ação da Maçonaria em sua nova fase estava apenas começando.


As fotos são de Adami ,na História de Caxias do Sul  e do Ábum do Cinquentenario da Imigração Italiana no RS de 1925.



quarta-feira, 21 de março de 2012

MAÇONARIA X IGREJA :LUTA PELA HEGEMONIA(2)

Padre Nosadini e e os jovens alunos  da Escola Paroquial de Caxias  .Ca. 1898
IN: Adami

O padre Pedro Nosadini foi  pároco de Caxias de 1896 a 1898.Ele  organizou os Comitês Católicos, associação religiosa  com fins políticos ,que tinha por objetivo  unir os imigrantes italianos católicos. O pároco pouco conhecia da conturbada cena política brasileira pós-proclamação da República, marcada por revoltas internas como a  da Armada (1891),ocorrida no Rio de Janeiroa  Revolução Federalista(1893-1895)no Rio Grande do Sul  e a de Canudos (1896-1898) na Bahia.. As revoltas eram resultado da cisão nacional ocasionada pela adesão à  República que não contava com a simpatia   popular. A monarquia continuava sendo o regime político  preferido por grande parte da população brasileira.
Por outro lado na Itália por ocasião da Unificação  a Maçonaria representada por Garibaldi tinha se voltado contra  a Igreja na figura do Papa Pio IX  e na invasão dos Estados Pontifícios Os imigrantes em sua maioria eram católicos e   industriados pelos párocos voltavam-se contra a Maçonaria como organização satânica divulgadora do mal .A visão distorcida  sobre a Ordem tornou-se lugar comum entre os católicos. Mais tarde (após 1917) foi escolhido um novo demônio: A Rússia e o comunismo.
As revoltas internas constituíam um fato novo no Brasil que só tiveram  precedentes no período regencial. Desta forma os ânimos estavam exaltados  e a ação do Pároco tinha tudo para dar errado.Mas nem tudo que ele fez foi errado; conseguiu  unir os católicos , criou uma escola e um jornal
 A Casa Canônica  situada à esquerda da Igreja ,
lugar onde se deu a expulsão do Padre Nosadini , em 1898.IN: Brandalise
    O padre Nosadini defensor ferrenho do Papa , de certa forma pôs fogo nas relações entre maçonaria e igreja na  colônia italiana gaúcha .Em oito de abril de 1897 foi denunciada pelo Intendente  Campos Júnior  ‘uma sedição’ de colonos que seria ‘capitaneada por um certo Antônio Michelon’  O Intendente  afirmava  que os membros dos Comitês Católicos  eram    fanáticos,  promovendo desordens contra os irmãos.Para ele era quem difamava   a ‘nossa nobre instituição’  como  um’ garoto, um cafajeste e  um vil de batina.’
Ainda assim a  direção da Loja pedia calma aos associados . O venerável deu-se conta que quanto mais o padre falava  contra a Ordem  ‘mais profanos tem aparecido para iniciar-se.’ A luta do padre contra a irmandade rendia  à ela novos membros..
Uma reunião festiva dos comitês foi  realizada em 14 de outubro de 1897 reuniu mais de 800 pessoas na Praça  central de Caxias .Marcou o encontro uma série de palestras  sobre educação comitês e associações.  O movimento católico ganhava força  e passou a ser temido .No dia seguinte circulou  o segundo   número do primeiro jornal regional O Caxiense, ligado a maçonaria e ao  Partido Republicano Riograndense. Nele aparece o telegrama do Marquês de Rudini alertando os intendentes do caráter anarquista e de propaganda papista dos comitês
Com ataques de ambos os lados os antigos núcleos coloniais viviam clima de guerra. Ora uma manifestação maçônica era boicotada, ora uma solenidade católica era dispersa. Poucos períodos foram mais atribulados para a pobre população de imigrantes.
Em 7 de fevereiro de 1898, Nosadini  foi retirado à força da Casa Canônica e  expulso da cidade, por um grupo de 22 pessoas , supostamente maçons e “acompanhados por 24 soldados , que teriam disparado” uns 400 tiros” e após “lhe puseram um cabresto na cabeça como se fosse um animal”. A maçonaria negou o envolvimento no episódio,  pois apenas dois dos envolvidos eram  maçons.
    No mês de junho o Padre voltou “do exílio imposto pelos maçons caxienses e reconduzido ao seu antigo lugar de Vigário, sob grande regozijo dos fiéis, fundou, alguns meses depois, ou seja, a 1º de janeiro de 1898 o jornal mensal ‘Il Colono Italiano’, que se propunha defender os interesses e as causas  dos católicos italianos imigrantes.
Logo os dois órgãos de imprensa O Caxiense  e Il Colono Italiano divulgam    acusações recíprocas .Ocorreu ainda   um atentado contra Campos Jr..Os seguidores do Padre teriam disparado contra a residência do Venerável.  .Poucos meses depois o padre foi transferido para Rondinha.  E logo “depois voltou para a Itália.Lá trocou de nome e nem sequer contou aos parentes que estivera no Brasil por medo da maçonaria.”.
Em Bento Gonçalves  a situação não  foi tão séria .O jornal Bento Gonçalves,  fundado em 1900, reunia entre seus colaboradores associados do  .Partido Republicano e da loja Concórdia. O primeiro número saiu em 20 de Setembro  de 1900 , data importante para a Irmandade.
 Incidente grave ocorreu em Antônio Prado em 11 de dezembro de 1903  quando o  padre Carmine Fasulo ,  a pretexto  dar a extrema unção a um moribundo, sofreu um assalto  perto  de um mato ,quando um grupo de encapuzados o expulsou da vila. Em 1901 foi fundada a Associação de Comerciantes em Caxias, da qual faziam parte muitos maçons. Pouco tempo depois a Loja Força e Fraternidade adormeceu. Aos problemas externos somavam-se os internos, a solução encontrada foi o seu fechamento, desta forma o terreno que havia sido comprado para a instalação do templo foi cedido para irmandade às Damas de Caridade para que fosse construído um hospital. No local foi erigido o Hospital Nossa Senhora. de Pompéia.
Intendência de Caxias ,de 1900 a 1919. Praça Dante Alighieri.Ca. 1910
.Nela se reuniam o Conselho Municipal 



Adicionar legenda

Antigo Hospital Pompéia .Esquina da Avenida Júlio de Castilhos com a Garibaldi 
.Doação da Maçonaria às Damas de Caridade. IN: Brandalise. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

MAÇONARIA X IGREJA :LUTA PELA HEGEMONIA


Caxias no fim do século XIX ,por ocasião dos acontecimentos políticos  entre maçons e católicos.
Entre 1875 e 1883 a chamada   colônia italiana mantém o cordão umbilical com a pátria de origem. Os imigrantes permanecem ligados  aos interesses do outro lado do mundo como se o novo fosse só um lugar de  passagem.  Não há  ações coletivas, salvo melhor juízo. O caráter individual das ações  se expressa nos requerimentos enviados à Comissão de Terras e mais tarde às intendências municipais  São pedidos reiterados pela  busca de bagagens ou auxílios para  retornar  à Itália.Está longe o tempo dos periódicos regionais e da busca de nova  identidade .
Uma das primeiras organizações dos imigrantes foram as caixas de auxílio mútuo ou sociedades operárias. Tais organizações surgidas nos últimos anos do século XIX foram fundamentais para a sobrevivência do grupo em terra estranha e sem condições econômicas. Auxílios para enterros, pequenos empréstimos apenas as Caixas  propiciavam .
           A Igreja que seguiu a Imigração tinha seus vínculos com o poder imperial, os colonos eram apenas mais uma de suas obrigações. A organização das capelas foi de iniciativa privada dos colonos sem a interferência da Igreja. As capela e os cemitérios  e as bodegas foram os primeiros espaços sociais das colônias,muitos anos mais tarde seguidos pelos salões de festa.è possível afirmar que os colonos serviam mais a Igreja do que ela os servia, pois todos os  sacramentos eram pagos .Não havia trabalho de apoio aos pobres ,tal serviço cabia ( como sempre ) ao Estado.
Outra  organização que veio apoiar os  imigração foi a Maçonaria.  A Loja Maçônica Força e Fraternidade foi a primeira a ser criada na  região. Suas atividades tiveram inicio em Caxias  em 28 de janeiro de 1886. Anos mais tarde, em 1894, em Bento Gonçalves foi fundada a Loja Concórdia.” Em Caxias o número de irmãos  chegou  a 152, no período entre 1886 e 1903. Nos primeiros tempos, segundo Colussi , em Caxias havia 103 e em Bento Gonçalves, 69 membros.
Campos Júnior venerável da Loja Maçônica Força e Fraternidade
 e primeiro Intendente eleito de Caxias , 1902. 
 As lojas eram espaços democráticos nelas se reuniam  fazendeiros lusos, funcionários públicos, comerciantes e colonos italianos e alemães.Entre os companheiros não havia diferença de classe ou de cor. O mais notável dos mulatos foi o  venerável José Cândido de Campos Júnior ,mais tarde primeiro intendente eleito de Caxias.
A Igreja e Maçonaria tiveram papel importante  na política  regional. Na região,  os párocos    e os maçons suas  marcaram posições absolutamente divergentes . Não houve na região, salvo melhor juízo, sacerdotes maçons. A chegada tardia dos imigrantes, após Unificação Italiana, quando já  havia sido   rompido qualquer laço entre irmãos e fiéis..Na região , muitos foram os enfrentamentos  e as agressões entre os membros das duas instituições.Apesar da violência e da intransigência  das autoridades eclesiásticas locais  algumas das  iniciativas da Maçonaria  mudaram a cena da colônia. As lojas  prestavam ainda  auxílios aos familiares dos  irmãos em caso de morte ou de invalidez .

A  proclamação da república, em 15 de novembro de 1889 , deslocou o centro do poder . A Igreja perdera sua força política com a consequente separação da Igreja do Estado.Os padres deixaram sua função pública e  a  função cartorial passou da Igreja  à iniciativa privada. Enquanto que as Lojas ganharam poder político definindo muitas vezes  os rumos políticos  dos municípios derivados das antigas  colônias, quando da transição entre o império a república. As mudanças da legislação e do sistema burocrático republicano causaram impasses nos municípios recém-emancipados, cujas leis orgânicas ainda deveriam ser definidas.
. A constituição castilhista promulgada em 14 de julho de 1891 outorgava  ao Presidente do Estado a prerrogativa de editar as leis,ou seja o executivo subsumia o legislativo que passava a cuidar apenas do orçamento do Estado e de seus  tributos, terminando com qualquer traços  de democracia.Tal fato repercutiu no Estado ,já que os administradores dos  novos municípios seriam nomeados pelo governo, era o caso de Caxias e Bento Gonçalves, cujos  intendentes eram lusos e maçons.
 A Loja Força e Fraternidade recomendava  prudência e moderação aos seus associados. Os párocos locais destituídos de seu poder antes assegurado pelas freguesias   lutam para garantir pela  hegemonia .A desordem se instala.
 Muitos imigrantes eram maçons, entre eles Felice Laner, próspero comerciante. e Francisco Salerno,  delegado de polícia  e ainda  Belisário Batista Soares fazendeiro e maragato.. Os maçons como os imigrantes estavam divididos entre republicanos, monarquistas. Havia ainda os carbonários( membros de uma organização específica com fins políticos com semelhanças com a Maçonaria ) que foram  responsabilizados  pelos   conflitos regionais. Entre 1890 e 1894  a Loja Força e Fraternidade foi adormecida, há um relação entre as lutas políticas estaduais e seu fechamento.

Após 1890, na capital do Estado ocorre o  enfrentamento entre os republicanos e os antigos monarquistas ,agora chamados de liberais .. Os primeiros liderados por Júlio de Castilhos , os segundos pelo General Câmara As lutas dos dois grupos pelo poder estadual ocasionam a instabilidade políticas .Em  menos de dois anos o governo  do Estado mudou de mãos dezenove vezes. A política estadual repercutiu profundamente nas antigas  colônias. .A reação contra a posição do governador eleito Júlio de Castilhos que  apoiou o golpe do Presidente contra a Constituinte Afonso Amabile e Cesare Porta  com trezentos homens  armados, em sua maioria colonos, católicos e  maragatos depõem a Junta Municipal , em 26 de novembro de 1891. O  delegado Salerno  impediu  a posse do Conselho Municipal. Poucos dias depois, em dezembro a Junta caxiense reassume o poder e empossa o Conselho Municipal.
Outra revolta dá-se no dia 25 de junho de 1892, quando o Conselho mais uma vez é deposto por Amabile   e seus homens   que exigem   o poder municipal  em nome do Vice Governador General Joca. Tavares. As intervenções municipais correspondem às estaduais
.  Em 1893 irrompe a Revolução federalista  contra o governo republicano .A região  sofreu com os combates, cercada pelos campos de cima da serra era ponto de passagem e de abastecimento das tropas litigantes.. Grande foram os prejuízos dos colonos , alguns dos quais  haviam aderido à luta devido os altos impostos municipais e às dividas coloniais
Os federalistas tomaram a Vila  de Caxias com duas colunas uma  liderada por   Belizário Batista ,proveniente da fazenda do Raposo e outra por   José Nicoletti , de São Marcos, da qual faziam parte dezenas de “polacos”.A defesa da Vila foi feita pelo 44º Batalhão da Guarda Nacional com meia centena de homens, menor  que  as forças federalistas que ocuparam a Vila .Os federalistas invadiram, saquearam e incendiaram algumas casas de republicanos , lutando nas ruas À tardinha as tropas rebeldes se retiram., pois era esperada uma tropa legalista, o que não  aconteceu.
O total do prejuízo  sofrido é   desconhecido bem como  o número  de mortos. Em Nova Trento em 6 de dezembro de 1893, Giovanni Piazza  encontrou dois corpos, amarrados e degolados, na estrada de  Alfredo Chaves houve mortes nas famílias Bacin, Pegoraro e Dalponte. Segundo o coveiro de Caxias Felice Rossi no no mês de julho foram recolhidos nove cadáveres nos arredores  da povoação e  enterrados no cemitério público municipal.Outros corpos  foram atirados em  charcos próximos da  vila. Entre eles estariam os polacos  que segundo populares foram jogados na  várzea,no atual estádio do Juventude.
Foto de Caxias de 1910 , vendo-se ao fundo o hotel de Luigia Grossi, no qual eram desfraldadas as bandeiras tanto de maragatos como de periquitos. 
Da luta restaram na cidade sobraram  20 cadáveres, sendo um capitão, um tenente, um alferes, um sargento e dois cabo e de Miguel Antônio Dutra Neto, apunhalado e massacrado covardemente pelos miseráveis. Morreram ainda  Afonso Amabile, enfermeiro, e Cesare Porta, seleiro, ambos imigrantes italianos, domiciliados em Caxias As autoridades brasileiras ao serem questionadas pelas italianas sobre a morte dos dois italianos imigrantes  declaram  que ambos eram  brasileiros,já que tinham título de  eleitores
O governo italiano promete ajudar os que não tivessem  vinculação política,ou seja nenhum . A maior parte dos colonos tinha posições políticas, ou eram maragatos ou    pica paus. .Neutra era parece ter sido  a hoteleira Luigia Grossi, dona do melhor hotel da Vila., que usava  duas bandeiras. As bandeiras eram hasteadas de acordo com as cores políticas do grupo que vinha comer ou se hospedar no seu estabelecimento. Para o bom andamento dos negócios muitas vezes era conveniente servir a dois senhores.
Entre 1888 a 1893 vários incidentes ocorrem  entre maçons e católico. Em 1889 os maçons organizaram uma festa abrilhantada pelo disparo de foguetes.  O pároco de Santa Teresa “com a cooperação de fiéis frustra a festa maçônica  roubando  os morteiros e o canhão jogando-os em uma valeta .O mesmo padre instava  para que os católicos não comprassem  nas  lojas dos maçons. Os pequenos incidentes que escondiam  grandes diferenças entre os dois grupos.São pequenas coisas com grandes efeitos !
 Em 1894 quando da reabertura da Loja, Salerno,  Delegado de Polícia. Salerno informou aos irmãos na Loja  que escondeu muitos profanos ameaçados de morte em sua casa, salvando suas  vidas.  Os incidentes entre Paróquia e  e Loja com passar do tempo  tendem a se agravar.
Grande parte do texto é baseado no Livro nº 1 de  Atas da Loja  Força e Fraternidade de 1886 
Ao centro da foto de 1910 ,  Luigia Grossi com a sombrinha  ,famosa por sua "neutralidade "política AHMJSA

 Leitura recomendada 
ADAMI, João Spadari. História de Caxias do Sul – I tomo: 1864 – 1970. Caxias do Sul: Edições Paulinas, 1971,