quarta-feira, 11 de abril de 2012

QUILOMBOS NA SERRA!

Cotiporã : a Serra e os morros  adequados aos quilombos. 

Houve quilombos na Serra Gaúcha? A resposta é sim! Mas ,antes de tudo é preciso definir quilombo.  Quilombo significa aldeia em  quimbundo. Quimbundo é uma língua do grupo banto, falada em Angola, antiga colônia portuguesa na África. Os bantos  são povos que vivem ao  Sul do Saara. Sua identidade é mais  linguística do que   antropológica,os bantos estão subdivididos em   cerca de 400 subgrupos.  Antes da invasão europeia estavam reunidos em reinos como o de Monomotapa,com construções megalíticas. 
 Muitos dos escravos trazidos para o Brasil  eram  bantos (congo, benguela etc.). Sua língua foi importante na formação do português falado tanto na África como no Brasil. Muito  do vocabulário atual do português que é falado no Brasil tem origem  banto. Mais especificamente, se origina do idioma quimbundo, uma das línguas nacionais de Angola. Algumas palavras hoje usadas no Brasil tiveram sua origem no quimbundo, como abacaxi, bamba, camundongo, canjica, cochilar, dendê , farofa ,fubá ,maconha muamba, mucama ,quitanda, quitute, samba, senzala,tanga e umbanda, para citar algumas. Nada menos que 20% do vocabulário usado no Rio Grande do Sul têm origem africana.
Mas voltando aos quilombos, foram o maior símbolo da resistência  africana no Brasil.Na aldeia  se concentravam os escravos que fugiam das fazendas,das minas e casas de família, onde eram explorados e sofriam maus tratos. 
O mais importante quilombo foi o Palmares ,situado em Alagoas ,hoje corresponde ao município de União de Palmares.O Quilombo durou mais de Durou mais de um século atingiu  seu apogeu na segunda metade do século XVII .Liderado por Zumbi ( chefe espiritual e líder político ) foi destruído por   Domingos Jorge Velho  no ano de 1694  . Macaco que era sua sede foi totalmente destruída. Zumbi consegue fugir, mas traído por um antigo companheiro e entregue aos lusos foi  degolado em 20 de novembro de 1695,taos 40 anos de idade,
Santa Lúcia do Piai,onde havia um  quilombo!
 No Brasil foram levantados 136 quilombos. Mas, ao que tudo indica, seu número é muito superior. Ao que tudo indica existem cerca de 2.500 comunidades quilombolas no Brasil, das quais apenas 65 receberam título desde 1988. As comunidades quilombolas atuais tem a posse, mas não a propriedade da  terra onde vivem há muitos anos. Tal número não é indicador dos quilombos brasileiros, mas da concentração de africano liberados pela Lei Áurea em 1888. Ainda assim serve como  indicador das possíveis povoações formadas também  pelos escravos .Que preferiam ficar unidos para o que desse e viesse.
No Rio Grande do Sul, teriam existido sete quilombos, sendo eles: o do negro Lúcio, situado na ilha dos Marinheiros (Guaíba); o do Arroio (em Arroio dos Ratos); o da serra de Tapes; o de Manuel Padeiro; o de Rio Pardo; o da Serra do Distrito de Couto e o de Montenegro. Ao que tudo indica, seu número é muito superior,já que existem outras comunidades que tiveram quilombos .Uma delas é o da Mormaça, situado no Norte do RS, comunidade com mais de 150 anos de existência, que reúne cerca de 18 famílias, numa propriedade de 15 hectares. Trabalham na agricultura, cercados por colonos de origem italiana das colônias de Araújo e Miranda ,com os quais estabeleceram relações difíceis.
             Em compensação havia um quilombo , situado nas matas ao sul da sede da São Pedro de Alcântara .(Torres) Que  se chamava de canhamboras (os que fogem para o mato em guarani) .Por outro lado  nomes de lugares como Morro dos Negros, rio dos Negros e a  cachoeira dos Negros , revelam sua passagem pela ,região da quais foram desalojados pelos brancos em 1849. Tais dados constam de relatório do agrimensor Charles Pompé Démoly (1859)
     
As comunidades atuais de  quilombolas têm sua origem em antigos quilombos ou então em grupos de escravos libertos que permaneciam nas mediações  de antigas fazendas. No Rio Grande do Sul,  segundo Moura   teriam existido sete quilombos, sendo eles :o do negro Lúcio situado na ilha dos Marinheiros(Guaiba) ; o do Arroio ( em Arroio dos Ratos) ; o da serra de Tapes; o de Manuel Padeiro ; o de Rio Pardo; o da Serra do distrito de Couto; o de Montenegro. Mas existem outras comunidades   que possuíram quilombos ,ou pelo menos guardaram o nome de sua  origem.
No estado foram  encontrados na outros. Como o da Mormaça     situado ao norte do Estado  comunidade negra formada por 18 famílias .O grupo vive na região há cerca de 150 anos ,numa propriedade de 15 hectares comprada por uma ex-escrava de nome Mormaça. O grupo vive da agricultura cercado por colonos de origem italiana das colônias de Araújo e Miranda ,com os quais estabelecem relações difíceis.
Um dos quilombos mais conhecidos na região serrana é o “Morro dos Baianos,  Cerro dos Baianos ,Quilombo dos Baianinhos ou ainda Morro do Céu, como é conhecido atualmente é uma montanha de origem  basáltica  com altitude de 530 metros aproximadamente ,que se localiza em Cotiporã. No inicio do século XX viviam da agricultura  cerca de 20 famílias provenientes da Bahia . Seu líder era   o patriarca   Ezequiel  Gonçalves da Cruz ,conhecido como “o velho perna de pau”, era casado com Angélica Gonçalves da Cruz, tiveram sete filhos :Antônio, José ,Albino,Olívio, Ezequiel ,Angélica e Maria. Mal visto pelo povo da região o grupo se dispersou, não existindo remanescentes de sua passagem.
Outro quilombo parece ter existido na antiga fazenda da Pratinha ,em Nova Prata ,nas terras  da sesmaria de Placidina Vieira de Araújo, grande proprietária da região. Hoje moram no local cinco famílias descendentes do casal Paula  Gonçalves dos Santos e de Pedro Gonçalves dos Santos .Em 1999 o grupo quilombola  conseguiu o  registro de  12,5 hectares do  lote 17 ,da Fazenda da Pratinha ,pertencentes ao estado do Rio Grande do Sul. Pedro Gonçalves dos Santos era ligado ao grupo dos “baianos” ,seu pai Luis Neves,  era conhecido como   Luis Baiano.
            A causa da vinda  dos baianos à Serra Gaúcha é desconhecida, mas algumas hipóteses podem ser levantadas:  a primeira é que seriam escravos fugidos ou quilombolas. A segunda poderiam ser desertores das muitas lutas ocorridas no sul , tendo o Rio Grande do Sul como ponto de passagem ou de disputa, como as guerras Cisplatinas ( 1910-12 e 1925-26);  a revolução Farroupilha (1835-450 ;a guerra contra Rosas (1850-1853) e a guerra do Paraguai(1865-70).Uma terceira uma  hipótese é sejam  descendentes dos malês baianos .
 Outro quilombo conhecido como São Roque é  citado Weimer, tendo sido formado por escravos fugidos das famílias serranas dos Fogaça, Nunes e  Monteiro .Ruschell cita um em Morrinhos e outro em Torres. Em Criúva, distrito de Caxias do Sul, anteriormente pertencente a São Francisco de Paula há um local  chamado Quilombo, onde outrora viviam negros, mas na região já não restam descendentes .Pesquisas realizadas no local ,que é de difícil acesso não conseguiram levantar  dados sobre a história do lugar, foi  apurado  que a última habitante do lugar,  uma negra, com mais de 110 anos teria morrido no ano de 2000.
Escavações recentes realizadas em Palmares  revelam a estreita  relação entre africanos ,nativos e lusos Pesquisas sobre tais quilombos( especialmente as arqueológicas) trariam por certo mais informações sobre o   tema,tão descurado pela historiografia gaúcha no século XX..

Merecem consultas :



OLIVEIRA, Vinicius Pereira de. De Manuel de Congo a Manuel de Paula: um africano ladino em terras meridionais. Porto Alegre: EST, 2006.
Revista Cultura e Extensão .IN: _HYPERLINK http://www.usp.br/prc/revista/entrevista.htmlp1"_http://www.usp.br/prc/revista/entrevista.htmlp1_
SANTOS, Reginete Bispo. O quilombo de Mormaça. IN:FERREIRA, Antonio M (org). Na própria pele . Porto Alegre: Corag, 2000. p. 56. 





Bantos escravizados. 

A Serra cercada de fazendas

Nenhum comentário:

Postar um comentário