terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

NEGROS E BRANCOS: A TERRA OS SEPARA

              
Abertura da estrada de ferro ,1908.
 Foto Mancuso,AHMJSA


Nos primeiros anos do século XX, o trabalho unia brasileiros negros e os brancos imigrantes italianos.No entanto   a propriedade da terra os separava.  Os colonos eram pequenos proprietários enquanto que  trabalhadores afrodescendentes  eram  em sua maioria absoluta proletários, que vendia sua força de trabalho    para outros. 
Abertura da estarda de ferro 1908 Foto Mancuso,AHMJSA




                    No Brasil  o trabalho agrícola ,por quatrocentos anos ,foi realizado pelos escravos. Plantar e cultivar era visto com desprezo pelas elites brasileiras. Plantar era tarefa de negros e de escravos. Os trabalhadores desprezavam os colonos .Os colonos  se julgavam  superiores aos trabalhadores  por   plantar e colher em suas próprias terras. Viam com desconfiança os brasileiros que não tinham propriedade e gastavam tudo o que ganhavam .Os dois grupos tinham  ideologias   diferentes. Os "brasileiros bebiam tudo o que ganhavam  enquanto os  os colonos não comiam  ovo para não jogar a casca fora.. O entendimento entre leses  não foi  muito fácil. Nos lugares em que havia que passava a construção da estrada de ferro os problemas entre colonos e trabalhadores se agravou. A passagem dos trabalhadores colocando dormentes e trilhos pelos lotes coloniais foi decisiva para o surgimento de conflitos. Os colonos plantavam legumes, cereais e frutas já os trabalhadores da estrada de ferro tento brancos como negros ,não podiam plantar pois seus ranchos seguiam  o avanço do traçado da ferrovia.
  Os trabalhadores  viviam em ranchos construídos próximos das serrarias e  da estrada de ferro, ou  acampavam  próximo dos trilhos . Comparadas aos ranchos dos trabalhadores , as  pobres casas dos colonos pareciam ricas.   O que separava  os dois grupos mais do que a cor era a   propriedade.
 Enquanto os colonos eram donos da terra,os trabalhadores só tinham seu salário,sendo muitas vezes apenas jornaleiros  Mais que uma diferença de cor o que os separava era uma diferença ideológica  proveniente da  sua  classe social. Problema que existe ainda  hoje , no clube jogam os proprietários e em  botecos r continuam jogando os trabalhadores, não da estrada de ferro mas das empresas locais. 
O mundo do trabalho capitalista separa os homens muito mais que o mundo do antigo regime do trabalho escravo.  
             Ainda assim uma nova época então tem inicio , ocorrendo  o que parecia impensável  no final do século XIX, as uniões interétnicas  Segundo Dall'Alba imigrantes italianas ou filhas  de imigrantes apesar da contrariedade dos pais,  moças passaram a a   casar  com brasileiros, com morenos e com negros.
A reciproca não era verdadeira.Os imigrantes ou filhos de imigrantes muito raramente casavam com filhas de brasileiros pobres. Já o casamento com filhas de brasileiros ricos era bem aceito.Esse é o caso de Samuel Guazzelli Filho, nascido em   Vacaria em 1895 ,que   casou em 1917  com Virginia Duarte .Ela era filha de rico fazendeiro e ele filho de um imigrante italiano de profissão moleiro .

   Naqueles tempos,em geral  as autoridades eram “brasileiras” e a maioria dos imigrantes sentia-se como cidadão de   segunda categoria, excluídos das alta sociedade, formada pelas oligarquias latifundiárias de origem lusa. Basta lembrar que o primeiro prefeito eleito em 1900   de Caxias    foi Campos Júnior, natural de São Francisco de Paula.Ele  era mulato e venerável maçônico  teve vários enfrentamentos com os imigrantes italianos e católicos.As lutas e os incidentes foram ocasionados  pelo poder que detinha,do qual os imigrantes eram excluídos enão por sua cor. .  Os colonos europeus  sofriam  a diferença cultural entre a  deles e a  dos brasileiros .Ainda assim viviam lado a lado.As diferenças não eram por causadas pela cor.
               Segundo  Faustino Perottoni a colônia de seu pai, foram  invadidas pelos cortadores de mato,empregados da serrariaTravi (lote 24 e 25 do Travessão Alencastro)   suas plantações roubadas pelos novos moradores da estação. Primeiro cortaram  os pinheiros sem pedir licença ,depois roubaram parte da colheita . .Desgostoso Artur Perottoni vendeu sua colônia em lotes e foi morar longe da estrada de ferro. 
Os colonos muitas vezes davam tiros de espingarda para espantar os invasores de suas terras e plantações. A defesa ainda que violenta, era uma forma de assegurar a integridade da propriedade.
Segundo lembranças de Dalvo Silvestre,  os trabalhadores daquela  Travi reuniam-se em Forqueta (distrito de Caxias)  numa “bodega” situada  além do acesso atual para Salete e Santos Anjos, ali jogavam "bocha" e as  cartas. Já os colonos preferiam jogar a  bocha  na cancha de  Joaquim   Slomp situada na frente da estação férrea.   Entre  “colonos” e  "brasileiros"  estabeleceu-se  uma distância espacial  até  para o entretenimento. A separação  foi conseqüência das brigas entre os dois grupos. 
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Serraria  ,com trabalhadores negros ca. .1910.Fotógrafo desconhecido.


 Por outro lado,os imigrante italianos sentiam-se  orgulhosos  e racista, comparando-se a outras etnias que vivam no Brasil  Para eles os brasileiros eram “negri”,ou seja,  gente que não sabia trabalhar,que tinham vergonha do trabalho  braçal que para eles era  mais a mais  valorizada de todas as  atividades .
    Como reação à exclusão da sociedade brasileira a que eram submetidos os imigrantes se fecharam dentro de seu grupo, em  o casamentos endogâmicos,costume seguido pelas duas  primeiras gerações. 
Os afro descendentes após a abolição (1888) buscaram as cidades da Serra,sendo empregados na sobras pública como na construção de represas, abertura de ruas  e  seu rebaixamento .Foram ocupados na Brigada Militar e ,mais tarde no exército.Foram os negros das baixas patentes que criaram clubes sociais ,como o Clube Gaúcho em Caxias








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