terça-feira, 3 de setembro de 2013

VARGAS & CAXIAS (2)

Getulio Vargas  nodesfile alegórico de 1954.Fonte Nandi.(DCE)

Um dos episódios mais controversos da historia regional é o da construção do Monumento ao Imigrante. A Segunda Guerra (1939-1945) causara mal estar na  chamada Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul. A existência em Caxias ( e na região) de um número expressivo de fascistas ligados ao regime fascista de Mussolini fez com que a entrada do Brasil na guerra contra o Eixo(Roma, Berlin e Tóquio) em 1942 se tornasse para eles  um perigo.Muitos deixaram o país e se refugiaram na Argentina que Perón mantinha neutra. Outros sumiram do mapa. Mas, muitos permaneceram em Caxias Os antigos fascistas caxienses ou italianos  que permaneceram na cidade logo se tornaram convictos democratas.Mas a chama fascista continuava presente em suas ações.
Terminada a Guerra com as relações diplomáticas Brasil/Itália restabelecidas, com as camisas negras guardadas, os novos democratas procuraram formas de autoafirmação. Uma das grandes ideias foi a da  construção de um monumento em homenagem ao imigrante italiano.
Ideia do Monumento partiu do deputado federal Luiz Compagnoni ,tendo sido   lançada em 1º de janeiro de 1949 ,quando foi  formada uma grande  comissão. Era formada por Luiz Compagnoni,(presidente),Tenente Artemin Karan ( !º vice-presidente),Padre Ernesto Brandalise ( 2º vice presidente)Capitão João Evangelista Mendes da Rocha ( Secretário),Elvo Janir Marcon ( 2º secretário),Reinaldo De Carli ( tesoureiro) Duiglio Gianella ( 2º tesoureiro).O Conselho Consultivo era formado por Silvio Toigo, Giacomo Geremia, Américo Garbin,Frei Henrique de Sananduva( provincial dos capuchinhos) Joaquim Pedro Lisboa,Augustinho Angelo da Silva, Humberto Bassanesi e Guerino Zugno .A Comissão, que realizou um concurso para definir o melhor projeto  de monumento dedicado a homenagear os imigrantes italianos .
Na comissão as coisas não foram  tranquilas,havia uma diferença grande no modo  de pensar . A posição do Capitão João Evangelista Mendes da Rocha.,que lutara na Itália era a de fazer um monumento unindo os imigrantes ( não só italianos) e os pracinhas que lutaram na Itália. Seu ponto de vista foi desconsiderado. Descontente  com a ação de membros da comissão,o Capitão dela se retirou pedindo demissão da função. Escreveu uma carta que é um libelo contra a posição da maioria de seus membros.. Diz ele:
Pobre desta terra que possui como mentores elementos tão achincalhadores dos reais interesses de nacionalidade e tão insensíveis aos interesses da Pátria:tidos e havidos no consenso da opinião pública Como fascistas saudosistas ou para fascistas iu gananciosos e conhecidos a quase totalidade dos membros da comissão para não dizer toda porquanto há alguns indiferentes ou simples cópias de  de personalidade,constitui um acinte ao ideal democrático de nossa gente e à real expressão da verdade

              A comissão não só aceitou a demissão do Capitão como o processou por calunia. O Capitão foi absolvido e a Comissão  renunciou  de forma  coletiva.
              O padre Ernesto Brandalise tentou formar uma nova Comissão formada com os padres responsáveis pelas  paróquias da Diocese,que passaram em suas circunscrições listas de doações .                     Finalmente 28 de fevereiro de 1950 foi colocada a  pedra fundamental  do Monumento, pelo Presidente da República Eurico gaspar Dutra .  Em 27 de setembro de 1951, foi benta a pedra fundamental pelo bispo Dom José Barea. A Comissão inicial já não mais se reuniu.
            O monumento foi concluído de acordo com o previsto. Mas sem as obras complementares, como o Museu do Imigrante e a Praça de igual nome que até hoje não saiu do papel. Já o Monumento foi inaugurado em 28 de fevereiro de 1954 pelo presidente  Getúlio Vargas , que se fez presente na Festa da Uva. Com a presença dos de altas autoridades como o governador Ernesto Dornelles (1954), e, os prefeitos de Caxias do Sul, Luciano Corsetti (1950) e Euclides Triches (1954).
   O Monumento foi projetado pelo artista pelotense Antonio Caringi,as imagens foram fundidas na Metalúrgica Abramo Eberle. A figura do casal de imigrantes italianos tem um altura de 4,50 metros  e pesa  três toneladas,feito em bronze  .O projeto da base de pedra e do obelisco foi de   Silvio Toigo ,o líder do movimento fascista local e que havia construído o cinema Apollo ,com os lítores guarnecendo a sua fachada. As obras de cantaria foram feitas por José Zambon,o mesmo que construiu o chafariz da Praça Dante.
Inauguração do Monumento ao Imigrante em 28 de fevereiro de 1954.Fonte:Adamo


A politica tinha pouco destaque em 1928 ,Na segunda página apenas uma notinha
Fonte O Brasil

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

VARGAS & CAXIAS



                   Não havia caxienses em 1875. Alguns eram imigrantes italianos e outros  eram nascidos em outros lugares da Província Desde o inicio houve os associados ao poder,Caxias foi colônia imperial até 1884. Em 1884 torna-se distrito de São Sebastião do Cai, o primeiro administrador da sede Dante o escolhido foi Ângelo Muratore ,que estava próximo do Governo provincial.
              Em 1889, com a proclamação da república Caxias continua distrito de São Sebastião. O distrito era mais populoso e tinha economia mais diversificada do que a Sede do municipal. Em 1890  começou a vida política de Caxias com a escolha de um Intendente e de uma junta governativa. Foi com a eleição ( que já começou fraudulenta) do primeiro Conselho Municipal e com a indicação do primeiro Intendente . Os membros da Junta não sabiam como governar e suas ações se limitavam a pedir informações ao presidente do Rio Grande do Sul, que por sua vez não tinha o que dizer. Por incrível que pareça de 1890 a 1895 a vida continuava, apesar do desgoverno e da  Revolução Federalista (1892 -1895).   Em1890 foi criado um distrito policial   e inaugurados os sinos da catedral.
        Em 22 de julho de 1891 foi promulgada a Constituição do Estado, e, em setembro, um surto de varíola causou muitas mortes  na Vila. Foram nomeados o Conselho Municipal formado por sete membros e o  intendente. A administração da Vila estava submetida ao governo do Estado. A Constituição não era nada democrática. O executivo exercia os outros poderes fazendo do presidente do Estado uma espécie de monarca. Essa foi a causa da Revolução que exigia sua mudança. Tropas de maragatos vindas dos Campos de Cima da Serra invadiram Caxias  causando muitos mortos , e na zona rural ,os  colonos tiveram  seus víveres roubados .Sem governo efetivo não havia a quem  reclamar. Para complicar houve um aumento dos impostos territoriais.  A revolta dos moradores foi grande.  A Intendência foi invadida  e os móveis e documentos sequestrados pelos invasores , impedindo a instalação do Conselho.. Foram momentos sangrentos com mortos e feridos.
     A Diretoria de Terras continuava a funcionar no Barracão,que  continuava a receber imigrantes encaminhados para outras colônias como as  de Antônio Prado e  São Marcos .Foi então que ocorreu  a morte de dezenas de filhos pequenos de imigrantes  poloneses que no Barracão esperavam pelos lotes .
O Presidente do Estado Júlio de Castilhos, recém-eleito considerava que o futuro do Rio Grande passava pela produção da região colonial. Cuidou das estradas e tentou acelerar a constrição da estrada de ferro. Sem sucesso. Em 1898 em visita festiva à Caxias atribui-lhe o epíteto de’ Perola das Colônias’ que durante muitos anos serviu como slogan da cidade. Quando em 1903 morreu Castilhos acidade entrou em luto, a sua rua principal então chamada de Rio Branco tomou o nome do Presidente morto. O primeiro monumento da cidade erigido em 1914  foi o busto do ilustre  falecido .
Mas as posições políticas da população eram diversas. A maior parte da população era partidária dos maragatos (federalista),enquanto a elite era  composta de  chimangos (republicanos).Mais, tarde em 1927, segundo a Associação dos Comerciantes, os seus associados tinham em  Caxias tinham cinco posições políticas diferentes. A entidade não explicita quais eram, mas não é difícil supor que variavam da extrema esquerda à extrema direita. Tal pressuposição é verdadeira, pois ficou provado na pesquisa realizada para minha tese de doutorado, que na época havia na cidade comunistas, anarquistas , fascistas ,integralistas  e democratas entre os industriais  e os comerciantes do município. Mas a maioria da população da região colonial  era omissa politicamente ,nos primeiros anos, por ser composta em sua maioria por estrangeiros e pela descrença generalizada sobre os político.
Em 1923 foi realizado um grande ato, na Praça em homenagem a Assis Brasil.Vários caxienses participaram  da revolta tenentista em 1923 entre eles, Américo  Martini, Virgilio Fabris ,José Mandelli e Alfredo Baccichet..


Em 1926, o presidente Washington Luiz  escolheu  Vargas para o Ministério  da Fazenda, deixou o cargo em 1928, para se  tornar-se Presidente do Rio Grande do Sul.. Eleito em chapa única ( sem opositores) em 25 de novembro de 1927 tomou posse a 25 de janeiro de 1928
Ao que se sabe, pela documentação da época Vargas  não veio à cidade para promover  sua candidatura à Presidência do Estado. Não havia necessidade de muita propaganda, pois com as eleições sem voto secreto os resultados  estavam  abertos a  manipulação. Não tendo havido ( sob protesto ) candidato de oposição ao governo estadual.Mas veio em 1928, para a inauguração da hidráulica municipal. Há fotos do evento.
A eleição para a presidência do Estado não mereceu destaque na imprensa local , em geral mais interessada no governo municipal.Eleito presidente do Estado os jornais de Caxias dão notas mínimas .Quem festeja é a Associação dos Comerciantes,que declara o dia de sua posse 25 de janeiro de 1928, meio feriado .As casas de negócio que não fechavam nem a noite,nem aos domingos fizeram  feriado, tendo fechado ao meio-dia na data  da posse .Em 30 de março foi formada uma comissão para recepcionar Vargas  formada por Joaquim Pedro Lisboa,Alberto Ungaretti. Eduardo Verdi e Augusto Dal Cortivo. (Atas da Associação ) que foi recebido com grande homenagens.
Logo os comerciantes se agilizam para cobrar do governo do Estado aocnstrução da Ponte do Rio Das Antas enviando um memorial ao novo Presidente.O memorial foi elaborado por Paulo Rache, Olmiro de Azevedo e Eduardo Verdi .
Entregue a Vargas no Palácio Piratini pelos mais ilustres  empresários de Caxias ( na qual não havia caxienses de nascimento) liderados por Celeste Gobato e Abramo Eberle. Não se sabe o porquê do Prefeito Tomás Beltrão de Queiroz não fazer parte dela.   No mesmo ano foi enviado um telegrama ao Presidente o Estado para o recomeço dos trabalhos da estrada de ferro Faria Lemos-Piai.
Em 1929 Vargas foi escolhido candidato à  presidência da República.pela Aliança Liberal contra Júlio Prestes (presidente de São Paulo ) Concorrendo à presidência do Brasil em 1930, pela Aliança Liberal, fundado por Getúlio ,perdeu .Dando inicio à revolução de 30.
Os caxienses ajudaram com muito dinheiro para a  “Revolução de 30 “ pois não há dúvidas que Os ricos  empresários caxienses eram favoráveis ao Golpe.(que podem ser visto abaixo)





Continua...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CAXIAS 1915



Caxias nem sempre foi bem administrada, nos primeiros anos do século XX alguns de seus intendentes foram  no mínimo  estroinas,alguns chegaram a desviar verbas da Intendência. Durante anos, um deles, Campos Jr. teve de ressarcir o erário de Caxias em nem tão suaves prestações. Durante anos Caxias foi insolvente e governos municipais tiveram  que  cuidar além da administração, da rolagem da dívida.
A cidade foi sacudida pelo assassinato de Pinheiro Machado e no Relatório de 1915 o Intendente colocou as fotos das homenagenspreestadas a ele na cidade.
Naquela ano foram inaugurados os bustos de Dante Alighieri e e de Júlio de Castilhos.Eram os primeiros monumentos que a cidade recebia.O Municipio e a população sei uniram para erigi-los

Mas a pequena cidade tinha  menos de quatro mil habitantes tinha um comércio e uma indústria variados, maiores do que muitos municípios brasileiros atuais. A população do município total era de cerca de 50 mil habitantes Nova Trento ( Flores da Cunha ) e Nova Milano e Nova Vicenza ( Farroupilha atual .A cidade em 1915 entrava num período de mais tranquilidade administrativa, na cidade muitos estabelecimentos, cujas taxas correspondiam a maior parte da receita. Dos 1004 estabelecimentos, 318 (31.36) eram de serviços, 259 (25,54%) eram de comércio e 439(43,29) eram indústrias. Nesses anos não haviam sido feitas emancipações  e de Caxias faziam parte).Um fato chama atenção apesar do município  ter 83 botequins só tinha uma livraria,que era a Saldanha situada na sede municipal.


Indicadores
Número
%
Serviços
318 

31,36
Indústria
439

43,29
Comércio
259

25,54
Total 

1014


Da mesma forma variada eram as empresas manufatureiras e industrias.Em Caxias tudo se produzia,para espanto dos governantes gaúchos.Havia 5 fundições de matais, funilarias e mecânicas. Durante a Grande Guerra (1914-1919)muitas delas fabricavam as peças que não podiam mais ser importadas.
Na cidade havia cerca de mil prédios e acidade era iluminada por 120 lâmpadas elétricas .Era para a época uma cidade moderna e avançada.  A administração era enxuta, na Intendência trabalhavam poucas pessoas. O Município tinha 47 professores e 47 escolas,o que servia uma população de cerca de 2400 alunos.



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

CAXIAS NOS IDOS DE 1910


Praça Dante .Feira .1910.Fonte:Adami.

            È interessante observar que quando acontecem mudanças  radicais na tecnologia , nem  os jornalistas nem os administradores se dão conta da sua extensão. A força do presente oblitera a percepção do futuro. Assim foi com  a chegada a estrada de ferro e  do transporte ferroviário a Caxias, em  13 de maio de 1910 foi inaugurada a energia elétrica na sede do município.  Quando em junho de 1910, a Vila foi elevada à Cidade,  no mesmo dia em que foi inaugurada a  nova Estação Férrea, tais modificações foram essenciais para o futuro da cidade. Com a energia e elétrica e o novo meio de transporte  no futuro próximo. Nos relatórios dos intendentes  e nos jornais da época ,parece que ninguém parece estar refletindo sobre as    transformações profundas   que decorreriam de tais fatos.
Entre 1900 e 1910 foram muitas as  mudanças de Caxias. A principal foi a inauguração da ferrovia ligando-a ao centro do país. A ferrovia veio mudar profundamente o transporte regional, mas não de forma imediata. A publicidade do transporte fluvial pelo rio Cai vai continuar até 1930. Não encontrei a data da sua suspensão. Não foi só o transporte fluvial que foi atingido pela mudança. A estrada que ligava a cidade à capital também foi sucateada, só muitos anos mais tarde, com a abertura da BR 116 que ganhou normalidade. A chegada dos automóveis na região não é possível determinar quando aconteceu, mas foi entre 1915 e 1920.
Em 1913 foi realizado um censo na cidade  que contava então com 3.742 almas. O Intendente julgava que pelo desenvolvimento que tinha Caxias, a sua população não poderia baixar  de cinco mil habitantes , mas tal não ocorreu. Tendo  uma  sensível redução populacional ,que  tinha suas causas.
Informa Penna de Moraes  
“Este município, como sabeis, forneceu povoadores para outros pontos do Estado, tais como Antonio Prado, Guaporé, Sananduva e, em bom numero, para as colônias novas que se fundaram ultimamente nas ubérrimas terras do município de Passo Fundo. E não era de esperar outra cousa. As nossas terras não se prestam senão a certos gêneros de cultura : vinha, trigo, fructas, não sendo muitas as zonas que se prestam para a cultura dos cereais alimentícios comuns.. Dai advém  também a corrente emigratoria.”
Fatos que pouco se  conhece e que  deles já não tem notícia são levantados por Penna de Moraes. Um deles é a migração em busca de novas terras. As terras eram mais férteis e mais baratas, no Oeste de Santa Catarina e mais tarde no  Paraná. Para tanto foram criadas as companhias de colonização. Em pesquisa realizada em 1985 foram levantadas companhias de colonização que tinham o mesmo principio básico das colônias oficiais criadas no último quartel do século XIX. Com algumas diferenças, enquanto nas colônias oficias o desmatamento era setorizado ,ocorrendo nas picadas e nas estradas vicinais, já  companhias de colonização formadas por quatro ou cinco sócios dedicavam-se num primeiro momento a desmatar ,a serrar e a  vender a madeira das florestas que cobriam o extremo Oeste do Brasil Meridional para só então vender os lotes desmatados. A partir de 1910 milhares de colonos venderam suas terras nas chamadas colônias antigas dirigindo-se as novas colônias. Em geral o preço de uma colônia de terra em Caxias custava cinco vezes mais  do que nas novas terras do extremo oeste. Assim o colono que tinha uma colônias poderia comprar cinco em Santa Catarina. As condições de pagamento eram semelhantes às propostas pelo governo imperial, ou seja, um prazo de dez anos para o pagamento do débito.
 Na pesquisa realizada em 1985 foram entrevistadas 65 famílias que saíram da região colonial antiga e se mudaram para as novas colônias. Para a pergunta sobre o porquê que tinham  deixado  o Rio Grande do Sul a  resposta da maioria absoluta foi o preço da terra. Assim foi a especulação imobiliária fator de expulsão dos imigrantes italianos das antigas colônias, Dona Isabel, Conde D’Eu, Caxias e Antônio Prado.
Outro fato que levou os colonos a migraram foi o fato de poder comprar mais terras e permitir que a família ficasse unida. Na velha região as famílias tinham de se dispersar o que impedia o costume de se ajudarem em tempos de colheita ou de catástrofes naturais. Além dos familiares, também  muitas famílias  amigas mudavam-se para o mesmo lugar, facilitando a endogamia do grupo.
 O segundo ponto que o Intendente observa foi o da degradação da cobertura vegetal. Não há como negar que foram as serrarias que precediam a venda das terras foram as responsáveis pelo desmatamento da Região Sul. Companhias como a Luce e Rosa, Eberle & Cia, Santo Antônio (em tempos mais recentes) foram a grandes estimuladoras da grande migração na  direção noroeste. .As companhias não ofereciam a infraestrutura básica se valiam da proximidade de uma pequena cidade para oferecer algum atendimento aos novos imigrantes.
Em 1910,a cidade apesar da redução da população ,que na maioria era rural, possuía  716 prédios ,o que dava uma média de ocupação de aproximadamente 6 pessoas por habitação .Das construções 510 eram de madeira e apenas 109(15,22%) de alvenaria. O relatório do Intendente informa ainda que havia quatro palacetes. O que significa que os ricos eram  poucos.Uma dad casas que poderiam ser chamadas de palacetes eram  A Casa Serafini , a Casa Vicente Rovea e o Hotel Grossi, o  cinema Ideal e o  Clube Juvenil .
Não havia automóveis registrados apenas carros, carrinho ,carretas e carroças, num total de 331 veículos ,o que corresponde a 113 pessoas por veiculo.
A Praça Dante continuava uma grande feira ,como as antigas feiras medievais onde tudo se vendia.A Intendência possuía nela um quiosque alugado, chamado de chalet. Havia ainda   outros quiosques particulares .Só com quando foram erigidos os bustos de Dante Alighieri e de Júlio de Castilhos e com a  sua reforma de 1913 que Praça ganhou sua nova feição.
Chalet da Intendência Praça Dante (1912)
Fonte Relatório de Penna de Moraes 


 Na pesquisa realizada em 1985 foram entrevistadas 65 famílias que saíram da região colonial antiga e se mudaram para as novas colônias. Para a pergunta sobre o porquê que tinham  deixado  o Rio Grande do Sul a  resposta da maioria absoluta foi o preço da terra. Assim foi a especulação imobiliária fator de expulsão dos imigrantes italianos das antigas colônias, Dona Isabel, Conde D’Eu, Caxias e Antônio Prado.
Outro fato que levou os colonos a migraram foi o fato de poder comprar mais terras e permitir que a família ficasse unida. Na velha região as famílias tinham de se dispersar o que impedia o costume de se ajudarem em tempos de colheita ou de catástrofes naturais. Além dos familiares, também  muitas famílias  amigas mudavam-se para o mesmo lugar,facilitando a endogamia do grupo.







quarta-feira, 24 de julho de 2013

CAXIAS NO FIM DO SÉCULO XIX (2)


Naqueles tempos em que Caxias esperava a passagem dos  25 anos de povoamento, era uma pequena cidade, com poucos moradores na zona urbana, cerca de seis mil  habitantes . Apesar de pequena tinha todos os serviços de  uma cidade. Viviam-se então momentos difíceis. Desde 1884, os enfrentamentos entre a administração municipal e a Igreja eram constantes. O motivo alegado era ação da maçonaria contra a Igreja. Na verdade era a Igreja por meio do clero local que hostilizava os maçons. As duas instituições passaram a se hostilizar após a perda dos Estados Pontifícios ,por ocasião da Unificação Italiana( 1871) na qual a Maçonaria foi fundamental. A situação ficou muito mais grave quando foi eleito para a Intendência Municipal o grão mestre Campos Júnior ( 1895 a 1902)  Em 1896,  a tensão se tornou insustentável com  a chegada do novo pároco padre Pietro Nosadini, ferrenho defensor papal. Por fim, em 1897, foi expulso da cidade por um grupo de maçons.
Nos jornais do período é possível acompanhar não só as brigas entre os dois grupos bem como o dia a dia da cidade com as visitas de pessoas de fora, as viagens dos caxienses e os serviços oferecidos.É interessante observar  que esses eram  mais importantes que as industrias,ou que elas utilizavam menos publicidade.

O Intendente José Cândido  de Campos Júnior concedia audiências todos os dias das dez da manhã às três da tarde. Horário cômodo para todos. Atendia inclusive nos sábados, mas não nos domingos e feriados. Para o casamento civil  bastava  tratar com  J. M. Borges Cobra  que atendia os interessados na Praça Dante por preços módicos.Naqueles tempos o casamento civil era ainda uma novidade, já que antes bastava o religiosos (católico) já que a Igreja era associada ao Império.
 No Hotel União morava e advogava o  Dr. Diana Terra onde atendia seus clientes  todos os dias uteis, das nove da manhã ás 4 da tarde.
A Farmácia Santa Tereza de Ricardo Landell de Moura,situada na Praça Dante,41,   aviava receitas a qualquer hora do dia ou da noite, com prontidão, asseio e módico preços. Nela e na Drogaria Americana e na Farmácia Colombo  era possível comprar Água Tônica para o cabelo poderoso remédio contra a caspa, por 2$000 o vidro.
Na cidade ,em 1897, era possível consultar o dentista  Antonio Leão to Costa Ferreira  que de passagem pela  localidade, avisava que pretendia se demorar – pouco tempo.Oferecia  seus serviços  ,entre os quais   dentaduras por todos os sistemas  conhecidos., dentes a Pivot, etc, etc. Especialidade em obturações  pelos processos mais aperfeiçoados e sem dôr. Obturações à  platina ,massas de diversos fabricantes. Trabalhos com solidez e preços módicos Podia ser procurado em seu gabinete das 9 horas da manhã ás 4 1/2 da tarde. Rua I)r. Julio de Castilhos n. 26 ,no Hotel União .No Hotel  havia todo tipo de serviço.Sendo o único anúncio  de dentista sobre a especialidade  era possível que não houvesse outros dentistas na cidade .Em compensação havia alguns hotéis que ofereciam os mais diversos serviços.
O principal hotel da  cidade era o Hotel União, no qual havia cômodos confortáveis, excelentes bebidas nacionais e estrangeiras de todas as qualidades,com preços  módicos. Contava ainda  com ótimo cozinheiro apto a satisfazer a mais exigente freguesia com comidas brasileiras e italianas. Com excelente piano, garantindo o maior asseio preços módicos.  . Também recebia pensionistas mensais  e fornecia comida para fora.  Situava-se na  Rua  Julio de  Castilhos.

 Já o Hotel 20 de Setembro oferecia  cômodos confortáveis, excelentes comidas, bebidas nacionais e estrangeiras de todas as qualidades, tudo por preços módicos. Dispondo de um ótimo cozinheiro habilitado a satisfazer o mais exigente paladar. Para distração da distinta freguesia fez  a aquisição de um excelente piano, oferece ain da jogos de xadrez, gamão  etc. Outro hotel  da cidade era  Pensão Tobias recentemente aberta oferece os seus já conhecidos serviços a população caxiense. Modicidade nos preços, asseio, esmero e prontidão. Bons bifes, guisadinho á baiana, mocotó aos domingos, feijoada e bom vinho.
Havia ainda casas comerciais dos mais variados ramos como a casa de negocio de Antonio Moro na qual se encontrava  excelente vinho nacional, que não continham matéria alguma nociva, e vende por preço cômodo.   A casa comercial de Maineri & Irmão avisa que acaba de receber um esplendido sortimento de fazendas, secos e molhados, e vende com muito pouco lucro.. Carne superior encontra-se no açougue de João Curzel ,no Caipora, todos os dias ,carne a 500 rs. o quilo. O Petti Basar de Antonio Botelho, na praça Dante, vendia vinhos importados vindos do  Alto Douro, fazendas finas , perfumarias, miudezas, louça, ferragens e tudo quanto é próprio de uma casa de primeira ordem.
Também, o Café Venesia vendia vinhos de diversas marcas, como o Villar d'Alem, Adriano e Douro,  vendendo  mais barato do que em qualquer outra parte. Também conta com dois magníficos bilhares, e ótimos tacos. Mas nada é fiado.  No Café Garibaldi se encontra um completo sortimento de bebidas de todas as qualidades e seis excelentes bilhares, assim como um jogo de tiro ao alvo, tudo a disposição do publico. Preços moderados e dinheiro a vista.
Na casa de negocio de Antonio Mengato, na rua Julio de Castilhos, acabara receber  um completo sortimento de fazendas modernas, secos, molhados ferragens, e louça, que se vende por preços de admirar.O mesmo comunica Maineri & Irmão aos seus numerosos fregueses, quer da colônia quer  da campanha, que acabam de receber um esplendido sortimento de fazendas, secos e molhados, e vendem, como costumam, com muito pouco lucro. A Tipografia á vapor da Livraria do Globo  de Porto Alegre oferecia seus serviços na sucursal de Caxias.
Finalmente a bela Caxias, já conta em sua vasta Praça, um estabelecimento onde se encontra o que de mais chic, se pode desejar no artigo miudezas. Para esse fim o proprietário não poupou esforços adquirindo um sortimento de novidades, digno deste respeitável publico. Vale a pena uma visita a esse novo estabelecimento, onde  se recebe a todo momento novidades, vendendo  por preços de admirar. Sistema da Casa: vender muito, com pouco lucro, porém, com um só preço. O proprietário obteve concessão para ser o único agente da credenciado  da  Loteria na cidade.
Caxias é uma terra alegre e prazenteira. Se e verdade que  seus habitantes se dedicam com ardor ao trabalho e a prova está no crescente progresso d'esta localidade, não é menos certo que ao mesmo tempo são expansivos e por isso não faltam motivos para festas. Na cidade ocorrem muitas  festas uma delas ,(que já que já não se não se comemora) é a Festa del Lavoro ,no  dia  11 Novembro, realizada na Societá Operaia que comemora um ano de sua fundação,com   o lançamento da pedra fundamental do edifício da nova sociedade   que  leva o  nome de Principe di Napoli. Para comemorar haverá musica, desfile com as escolas italianas  morteiros , discursos e o  indispensável banquete .
Em quinze dias ocorreram quatro festas e todas muito concorridas ; o aniversario da república;um banquete e um baile oferecido a Campos Júnior, intendente municipal, pelo professorado do município ; a festa de  Santa  Cecília, promovida pela  banda musical  do mesmo nome,com   banquete e baile. A festa de N. Senhora da Saúde, na 9ª Légua, cuja concorrência foi de mais de mil pessoas. Em todas reinou a mais perfeita ordem, não tendo havido o menor incidente desagradável.Este povo, em sua grande maioria composto de italianos, vive contente e feliz á sombra das garantias que lhes oferecem as leis e autoridades deste pais.
No dia 16 de Novembro o professorado de Caxias quiz festejar também o 8.° aniversario do advento da Republica com um esplendido banquete oferecido ao distinto Intendente deste Município, no Hotel Bersani (na rua 20 de Setembro) sendo convidados os senhores Engenheiros incumbidos dos estudos sobre o prolongamento da estrada de ferro ; os Snrs. Hugo Ronca, A Kroef, o Redactor-Chefe desta folha e o distincto Secretario da Intendência Sr. Oliveiros Sambaquy ; houve diversos discursos sendo os mais importantes o do mesmo Sr. Intendente, o do cidadão Secretario, o da professora Dona Bertha Kõen.Pelo professor Jacintho Targa falou o Dr. Diana Terra. Também foi muito aplaudido o simpático e patriótico discurso  dirigido ao referido Snr. intendente por uma menina de 11 anos de idade filha da Sra. Dona Luisa Morelly, professora da aula mixta da 7.a légua deste município. À noite houve um suntuoso baile oferecido pelo mesmo professorado ao emérito intendente Dr. Campos e a sua distinta família, no salão gentilmente concedido pelo prestimoso amigo cidadão Sambaquy. Toda a elite da sociedade Caxiense estava ali reunida e o baile esteve animado até as três horas da madrugada do dia 17, indo em seguida a musica acompanhar os convivas até as suas moradias.
No dia 28 completou mais uma preciosa primavera o emérito patriota e amigo devotado Snr. José Candido de Campos Júnior muito conceituado intendente de Caxias; por isso a noite os seus amigos e admiradores foram em numeroso préstito com musica e foguetes o cumprimentar em sua residência, onde serviu a todos cerveja inglesa e outros refrescos tendo diversos cavalheiros pronunciado patrióticos discursos. No dia 1.° de Dezembro para seguiu  em férias ,para Vacaria o distinto Intendente Campos Junior  e sua família .
 Todas as festas poderiam ser fotografadas pelos irmãos Serafini, na  Praça Dante,  que ‘tiram retratos por todos os sistemas modernos, garantindo perfeição e preços moderados’.  
Várias foram as promessas de a serem   realizadas pelo governo do Estado em Caxias como:o telegrafo, a próxima criação da comarca de Caxias, a grande despesa com a estrada Rio Branco, a estrada da 1ª  Légua orçada em 75 contos de reis e sobretudo o prolongamento da via férrea de Novo Hamburgo até esta Vila.Motivo pelo qual o jornal O Caxiense do Partido Republicano insiste para que os leitores votem em Borges de Medeiros.
Segundo o jornal  o retrato da  cidade é ótimo , não há problemas ,nem motivos para revoltas e greves. Um verdadeiro paraíso democrático e republicano!







quarta-feira, 17 de julho de 2013

CAXIAS NO FIM DO SÉCULO XIX


Jornal Il colono com as assinaturas de Nosadini


Os jornais antigos de Caxias foram recolhidos por João Spadari Adami e entregues à Júlio João Eberle , que foi o seu mecenas, e que os conservou em seu acervo particular. Foi graças à J.J. Eberle  que os antigos jornais foram preservados e que hoje podem ser consultados ,mo Arquivo Histórico Municipal João Spadari Adami. J.S. Adami,durante algum tempo cuidou do arquivo da Prefeitura de Caxias , e mais tarde, tornou-se  barbeiro.Ele  vivia de seu trabalho , sem o auxilio financeiro de Eberle não poderia ter viajado ( deixando seu trabalho) aos arquivos do Porto Alegre e do Rio de Janeiro onde ‘recolheu” muitos documentos que hoje estão preservados no Arquivo que leva seu nome.
O primeiro Jornal de Caxias foi O Caxiense,fundado em 15 de outrubro de 1897que se apresentava como  defensor das colônias e órgão do Partido Republicano, gerenciado por Julio Campos e cujo    fundador e redator era o Dr. Augusto Diana Terra, que exercia a advocacia na cidade. Como maioria dos brasileiros que se destacaram na colônia Caxias,não tinha  nascido aqui. Terra era de Jaguarão ,nascido em 1867 e falecido em Canoas em 1925.De Júlio Campos não se tem maiores informações. O Caxiense também afirma ser jornal de Santa Teresa de Caxias.
O jornal Il colono Italiano fundado pelo Padre Pietro Nosadini, foi o segundo  a  circular  em 1898, em Caxias.Dele restam apenas  quatro números no arquivo Histórico JS de Caxias do  Sul,é possível que existam outros,perdidos em bibliotecas particulares. Mas de certo são apenas os quatro números os que sobraram do primeiro jornal do município.
O padre Pedro Nosadini nasceu em Bassano (Itália ) em 1862 e assumiu a Paróquia de Santa Teresa em 1896,tendo fundado vários Comitês católicos em Santo Santo Antônio , da VII Légua .Nossa Senhora das Neves IX Légua,Circulo de São Tarcísio,  em São Marcos da Linha Feijó,e o Circulo São Luiz Gonzaga na Sede Santa Teresa.Voltado pra a Itália em 1899,onde falecendo.
O jornal apresenta varias surpresas ao leitor atento. No primeiro número datado de 1º de janeiro de 1898 há a primeira surpresa. O nome da cidade aparece como Santa Teresa di Caxias, nome da paróquia que Nosadini ampliou para toda a cidade. Na correspondência dos imigrantes (numerosa que se encontra no Museu de Belluno ) o nome Santa Teresa não apareceu nenhuma vez. As cartas enviadas de Caxias para a Itália, em geral, trazem como lugar de origem Campi dei Bulgheri  di Casias.(após 1884). Algumas vezes a sede ou núcleo colonial era chamado de sede Dante, inclusive pelos diretores da colônia Caxias.
Outro dado surpreendente é o relativo à fundação dos Comitês Católicos. Nosadini obedecia as ordens de Roma e não do clero brasileiro, foi de lá que partiu a ordem de organizar os Comitatos com o objetivo de controlar a política na antiga colônia Caxias .A inferência da Igreja não foi bem aceita pelos maçons locais , que viam nos vínculos com Roma uma quebra da soberania nacional brasileira. Os conflitos entre católicos e maçons já foram tratados em outras matérias publicadas nesse blog e na minha tese de doutorado O fascismo no Rio Grande do Sul(Parlenda, 1994A  Surpresa é ainda maior, o jornal traz o nome do padre fundador  Nozadini escrito em tinta azul de duas formas diferentes : Padre Pietro Nosadini e Padre Pedro Nozadini .É possível imaginar o momento em que recebeu o primeiro número do Jornal por ele idealizado no qual assinou seu nome na forma italiana e na forma portuguesa.
O que importa é verificar a retórica dos jornais.O Caxiense tinha uma retórica nacionalista e conservadora ,defendendo o governo de Júlio de Castilhos e seu  poder centralizado.  Nosadini tinha um discurso de clara defesa ao Papa, então prisioneiro do Vaticano ,defendendo os direitos papais sobre os territórios pontifícios que haviam sido incorporados ao Reino da  Itália em 1871.Seu discurso é duplamente subversivo que a um tempo ataca o Reino da Itália( do qual é súdito) e   como estrangeiro se manifesta politicamente , o que era proibido .

No primeiro número de O Caxiense a  maior surpresa.Encartado nele como se fosse uma sua parte,se encontra a carta de despedida do Padre Nosadini.O folheto de duas páginas  é documento inédito .Adami que recolheu o material disponível de  e sobre Nosadini não parece ter encontrado  sua carta de despedida. O documento que foi reprografado  está em péssimo estado de conservação,faltando alguns trechos.A carta  detalha o final do período de Nosadini na região.O discurso da carta de despedida cheio de agradecimentos remetendo pelo estilo  a outros de seus textos .
Nosadini agradece os fiéis de Nova Pádua,Alfredo Chaves e Caxias .Aforma que perdoa seus inimigos e que eles ( os maçons)  foram vitoriosos ,mas o tempo dirá quem estava certo. Diz ele 
:
Uma palavra para o meus adversários. Vós triunfastes , porque quando menos esperáveis  ganhastes ue eu também  quero dirigir uma saudação a vós. Eu parto  , mas eu não guardo rancor de ninguém, apenas meu coração sangra ao pensar que  andais por um caminho falso e vós italianos, que  abandonastes  as práticas religiosas ,que de   fato virastes  as costas a sua religião, eu lhe digo: Pela  memória  de vossa mãe que em vós incutiu as  santas máximas da  religião andastes um  passo para trás,voltai um passo  a frente como anos atrás.

Lembrai-se daquele  dia solene, quando pela primeira vez comestes  do Pão, lembre-se seu propósito naquele dia  e, em seguida, jogar-se nos braços do  Crucifixo, pois não há verdadeira felicidade longe dele

Eu não creio de vos haver ofendido ,mas se o fiz  foi contra minha vontade e vos peço perdão .Cuidadoso  se não o faço direta e abertamente ,repetirei  ao  menos no  vosso coração que não desejava outra coisa que a prosperidade e o progresso de Caxias.
Portanto adeus, meus queridos amigos,desapontados em vossas  justas esperanças! Obrigado e agradeço  de coração o carinho que sempre me demonstrastes  e que  eu nunca vou esquecer. Perdoai-me se eu não correspondi de todo  sua expectativa, se eu fiz pouco por vós   e acredite, isso não dependeu de má vontade, mas da minha  decepção .
Folheto com a despedida do padre Nosadini
Dr Augusto Diana Terra. Foto; Adami 

Padre Pedro Nosadini Foto Adami



Texto do Padre Ernesto Brandalise sobre  maçons e o padre Nosafini;













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quinta-feira, 11 de julho de 2013

A IGREJA: PATRÕES & OPERÁRIOS



            A Igreja dada as características locais da imigração italiana,ao que tudo indica,  teve maior influência na questão operária  do que em outras regiões do país. Desde o início da colônia Caxias  esta influência se fez sentir, com o correr do tempo a Igreja assumiu nova  característica, porém, sua importância continua evidente.
            Nos primeiros tempos da colonização a Igreja apresentou uma ação conservadora e radical, que determinou os conflitos com a Maçonaria. A organização dos Comitês Católicos levou ao confronto armado entre católicos e maçons, estes defendendo o jovem Reino da Itália a aqueles o direito do Papa sobre os e
Estados Pontifícios. Este confronto demonstrou a hegemonia da Igreja,  esvaziando a ação política realizada pelos maçons locais.
            Após sua afirmação  de seu domínio local, a Igreja passa a atuar  na educação, criando estabelecimentos de ensino para a elite  e para as classes menos privilegiadas,Atua também na  orientação política da população, . Durante o Estado Novo a  Igreja passa por uma fase menos atuante a ação católica limitando-se  atividades religiosas,  alguns sacerdotes  tiveram uma atuante posição favorável à ditadura.
            Com a queda do Estado Novo e a reorganização do Partido Comunista a Igreja inicia eficiente campanha contra a sua reorganização . No final do Estado Novo a organização do Circulo Operário, cujos vínculos com a classe patronal são inegáveis, permite o controle sobre os operários. O assistencialismo propiciado pela organização concorre com os  do sindicatos de classe, os operários são convencidos e não participarem dos sindicatos de classe - reduto dos comunistas da opinião do clero- e permanecerem unidos sob a bandeira da doutrina social da Igreja.
            A formação da liga Eleitoral Católica é outra atividade da Igreja para dirigir os eleitores paravotarem nos  candidatos preferenciais do clero. Com a organização do Partido Democrata Cristão, muitos católicos que estavam vinculados ao PRP, passam para o novo partido. O apoio da Igreja à nova agremiação é evidente, e o poder eleitoral da Igreja é demonstrado pela eleição de um sacerdote à Câmara Municipal, recebendo a mais expressiva votação, em termos percentuais,  da história das eleições locais.
            No período pré-revolucionário a propaganda anti comunista é liderada pelos elementos conservadores da Igreja Católica, tendo papel fundamental a ordem do capuchinhos, responsável pelas manifestações contra governo de João Goulart, com as marchas pela família e propriedade. A renovação das posições da Igreja faz-se sentir entre o clero mais jovem, que tivera oportunidade  de estudar fora do Brasil. O tipo de postura mais liberal com vínculos com os estudantes vai levar a prisão de um destes elementos após a Revolução. O Concílio Vaticano II teve influencia decisiva da modificação deposições de parte do clero, a maioria dos católicos locais, passou por período de grande apreensão com a leitura e a interpretação dada as encíclicas papais-especificamente a  Mater e Magistra-Data desde período a acusação que pesou sobre alguns sacerdotes de serem comunistas. O clero conservadr continuou constituindo a maioria expressiva, o mesmo acontecendo com as ordens religiosas, que após o a consolidação do Golpe de 1964, o realizaram expurgos de professores considerados  “comunistas” nas escolas ligadas à Igreja.d .
           O Golpe  de 64 foi saudado como salvador do cristianismo, por parte do clero local. Entre estes o Circulo Operário teve papel decisivo, na contrapropaganda aos sindicatos e na ação para impedir  entre os operários católicos a deflagração de movimentos paredistas que se preparavam antes e após  1964.
            Os operários que vivenciaram este período ativo da Igreja Conservadora, guardam amargas recordações desta atuação. Após 1969 um novo movimento da Igreja tem início das comunidades eclesiais de base,relacionadas  com a aplicação dos princípios de Puebla e do Concilio Vaticano II. Este movimento que  se expandiu nos bairros operários locais, pertenciam a  organização latino-americana da Igreja renovadora. Na década de setenta quando a ditadura impedia qualquer tipo de manifestação política reivindicadora as comunidades de base expandem-se livremente pela cidade, organizando as massas proletárias, tendo sido criados vários núcleos locais.
            A nova atuação da Igreja passa a procurar as lideranças sindicais locais, as comunidades de base, fazem com que sejam alijados do poder alguns grupos de sindicalista há muito  encastelados no poder. Alguns líderes mais perspicazes uniram-se a estes grupos novos e mantiveram sua antiga posição. Outros percebem o perigo de perder as posições duramente conquistadas, reorganizam-se para permanecer no poder.
            O movimento das comunidades eclesiais é visto pelos trabalhadores entrevistados como a organização  mais atuante  entre eles. Unidas ou não  as associações de bairro então formadas as comunidades de base  foram responsáveis pela reorganização do movimento sindical, que precisou melhorar suas relações com suas bases, sob o perigo de perder suas posições De certa forma as comunidades correspondiam ao tipo de papel  que o Partido Comunista desempenhou no período da redemocratização(1946-1964) . Pode-se afirmar a posição do Partido foi tomada pela Igreja, num movimento envolvente em torno das bases, tradicionalmente haviam sido  organizadas pelo PCB.
            E interessante observar que enquanto os operários se dão conta do papel atuante da Igreja Renovadora junto a classe, o mesmo não ocorreu os patrões, apenas um entre os entrevistados percebeu a importância desta nova atuação da Igreja. Os outros e afirmaram que a Igreja não tem qualquer papel junto as suas empresas. Deve-se considerar que esta atividade renovadora da Igreja não se apresenta diretamente dentro da administração das empresas, mas  seu  domínio é indireto sobre a forma de atuação dos operários, a nova postura do operário é atribuída apelos patrões a abertura ou a crise econômica do periodo.
            Tanto patrões como os operário associam a nova ação da Igreja ao comunismo, esta crença se faz sentir nas lideranças sindicais instaladas nas diretorias e nas classes patronais  conservadoras. Classe esta acostumada a antiga postura de  acomodação adotada pela Igreja pré-concílio Vaticano II, muito semelhante a acomodação realizada pela classe patronal ás mais divergentes linhas políticas que controlaram o poder no país nos últimos cem anos.
Com o passar do tempo,após 1978,  com a eleição de João Paulo II,   a Igreja deixa seu papel profano , passando a ter nova postura mais conservadora,voltada para a fé e não para os pobres. Mas seu papel é importante na organização do Partido dos Trabalhadores,após 1981, quando uma facção partidária a  Articulação vincula-se aos sindicatos católicos.